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Casarão da Fazenda da Grama é destruído após incêndio em Rio Claro

Matéria publicada em 22 de novembro de 2020, 21:29 horas

 


Chamas foram controladas na manhã deste domingo (22)
(Foto: Redes Sociais)

Rio Claro – O Casarão da Fazenda da Grama, no distrito de Rio Claro, foi destruído na noite de sábado (21), por um incêndio. Para que as chamas fossem controladas foi preciso da presença do Corpo de Bombeiros de Barra Mansa e Volta Redonda.

O jornalista Aurélio Paiva publicou uma foto e um vídeo pouco tempo depois que as chamas tomaram conta do imóvel e internautas lamentaram pela perda de um patrimônio histórico da região Sul Fluminense.

Equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas dos quartéis de Volta Redonda, Barra Mansa e de Piraí para combater as chamas, que começaram por volta de 21h. O fogo foi apagado na manhã deste domingo (22). Não foram registrados feridos, segundo os bombeiros. Uma equipe da Defesa Civil de Rio Claro irá ao local para avaliar como ficou a estrutura do imóvel após o incêndio.

As causas do incêndio são desconhecidas. Ele provocou labaredas com mais de 20 metros de altura.

Casarão era administrado por herdeiros e não era tombado como patrimônio histórico

Segundo o prefeito de Rio Claro, José Osmar, o casarão não era tombado como patrimônio histórico, e permanecia fechado, sem acesso ao público.

O casarão é administrado por herdeiros da família.

Barão do Café

O jornalista Aurélio Paiva escreveu vários artigos sobre a história da família Breves. Em um deles fala sobre São João Marcos, onde Breves também tinha um casarão.

Em sua coluna, divulgada em maio de 2015, Aurélio Paiva revela que Joaquim Breves, que era o homem mais rico do país, integrou a Guarda de Honra de Dom Pedro I e presenciou o grito da Independência. 

Joaquim Breves era chamado “O Rei do Café”.

Joaquim dominava de Mangaratiba até Minas Gerais, passando por Volta Redonda, Barra Mansa, Resende, Rio Claro – enfim, dominava toda a região.

A fazenda era a sede das inúmeras propriedades agrícolas que lhe pertenciam, onde ele acumulava suas riquezas, obras de arte. Tinha escravos e uma enorme senzala.

O comendador foi o maior fazendeiro de café no Brasil Imperial.  Plantou pelo menos 5 milhões pés de café.

Tinha cerca de seis mil escravos.

Ainda não se sabe se o incêndio foi acidental ou criminoso
(Foto: Redes Sociais)

Em uma outra coluna, também publicada em maio de 2015, o jornalista detalha o tráfico de escravos.  Novamente surge a família Breves. De acordo com Aurélio Paiva, o chefão do tráfico de escravos era o Comendador José Joaquim de Souza Breves.

– O Comendador Breves era considerado o homem mais rico do país. O título “Rei do Café”, hoje comum, foi criado para referir-se a ele – diz o jornalista.

E continua:

“Ele morava na Fazenda da Grama, em Rio Claro. Tinha mais de 30 fazendas que iam de Mangaratiba a Resende, passando por Rio Claro, Bananal, Barra Mansa e Piraí, entre outras cidades. E ainda haviam fazendas em Minas.

Diziam que se podia ir do Rio a Minas sem sair de suas propriedades.

No episódio do desembarque de escravos no Bracuhy ele foi indiciado por pirataria junto com seus comparsas, “tutti buona gente”, a nata da nata da elite da região e do país: Major Antônio José Nogueira, Comendador Pedro Ramos Nogueira, Comendador Manuel de Aguiar Vallin e seu sogro, Comendador Luciano José de Almeida.

Era gente cruel: documentos mostram que escravos se suicidavam para pôr fim às torturas e sevícias dos senhores e suas senhoras. Um deles, de Bananal, chegou a fugir para Barra Mansa e se apresentar ao delegado “confessando” um homicídio que jamais cometeu. A cadeia era mais suave que a fazenda destes senhores.

Mas, em termos de riqueza e prestígio – para se ter uma ideia do padrão dos indiciados – Vallin (a exemplo de Breves) também tinha fazendas que iam de Angra a Minas, incluindo a Fazenda do Resgate e a Fazenda Três Barras, em Bananal, e a Fazenda da Bocaina, em Barra Mansa.

Seu sogro, Luciano José de Almeida, era dono da Fazenda Boa Vista, em Bananal, e outras seis propriedades rurais.
Antônio José Nogueira e Pedro Ramos Nogueira também eram grandes fazendeiros em Bananal.

Vallin chegou a ser preso, mas depois foi excluído do processo.

Todos foram julgados e condenados, em primeiro grau, por pirataria e tráfico ilegal de escravos.

Em seguida foram para o Tribunal do Júri de Angra dos Reis, cidade onde Joaquim Breves mandava e desmandava.

Resultado?

Todos absolvidos”.

Joaquim José de Souza Breves comandava a pirataria de tráfico humano na região


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11 comentários

  1. Avatar

    No Brasil é assim , fica jogado as traças, ninguém preserva nada depois
    pega fogo ficam com pena.
    Cadê as autoridades municipais, estaduais e federais para cuidar do patrimônio
    cultural, nem sei de Rio Claro considerava aquilo como seu espaço.
    Me poupe!!!!

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      Cala-te, fariseu !!!

      Não sabe nem onde fica Rio Claro !!!

      Seu comentário e nada são idênticos !!!

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      Cuidado cambiarras , extensões, fios remendado.

      Instalação elétrica mal feita matou os meninos no Flamengo.

      Curto circuito é um perigo.

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    Olá Boa Tarde pessoal!!!
    Não sei ainda a causa do incêndio por isso não vou opinar sobre o Isso!
    Mas no Brasil todos os imóveis Tombados pelo pelo poder publico, estão sendo destruidos pelo Tempo, sem manutenção!! São tombamentos Absurdos, sem critérios ou obrigatoriedade em manter conservados! Quem curti patrimônios Historicos , tirem fotos e guardem a tendencia é que todos estarão em Ruinas rapidamente !! Eu não curto faz muitos anos , pois a nova geração também não se interessam e hoje não temos mais nem Historia do Brasil no curriculo Escolar kkkkk, se tem os alunos estão se lixando !!

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      História do Brasil continua no currículo escolar, meus 2 filhos estudaram.

      E cai no Enem.

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      Deve ter sido gambiarra .

      As pessoas fazem muitas gambiarras elétricas, fora sobrecarga elétrica , imoveis antigos não estão preparados para tantos aparelhos elétricos.

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      Aqui aparentemente estava abandonado. Talvez um cheirador ou algum casal foi tirar uma, acenderam o isqueiro e tudo pelos ares.

  3. Avatar

    O descaso com que os ativos históricos são tratados no Brasil é algo deplorável. O Museu Nacional, agora esse casarão. Em Vassouras há vários sítios abandonados, e essa regra se replica Brasil afora. Só são melhor conservados aqueles mais notórios ou que são aproveitados para fins econômicos… Triste e absurdo…

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      Infelizmente é um NOVO NORMAL…

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      Museu Nacional fui com meu esposo uns
      2 anos antes do incêndio, ele na época me mostrou um monte de instalação elétrica mal feita.

      Como ele trabalha junto a manutenção de engenharia elétrica tem os olhos voltados pra isso.

      Inclusive já falou para eu não ir em uma grande loja de utilidades no Aterrado, pois acha que corre risco de incêndio.

      Casas antigas , prédios tombados , a instalação elétrica tem que ser refeita .

      Não sei se a causa do incêndio foi essa .

      Mas vou deixar esse toque para as pessoas darem uma certificada em seus lares e estabelecimentos comerciais.

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      O tal Haroldo de Freitas está agressivo porquê com a derrota do “gestor ” nas eleições, ficará sem ter a quem babar os ovos.

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