domingo, 19 de maio de 2019

TEMPO REAL

 

Capa / Região / Centro de Saúde Auditiva garante qualidade vida a seus usuários

Centro de Saúde Auditiva garante qualidade vida a seus usuários

Matéria publicada em 19 de agosto de 2018, 09:15 horas

 


Cerca de 16 mil aparelhos já foram entregues a moradores de Barra Mansa e dos demais 25 municípios atendidos pela unidade

Ouvidos: Pacientes buscam escutar melhor para retomar interação com o ambiente ao redor
Foto: Roze Martins

Barra Mansa – Oportunidade de ouvir melhor, interagir e se manter atento a tudo que acontece em sua volta. Isso é o que o Centro de Saúde Auditiva da Santa Casa de Barra Mansa busca oferecer aos seus usuários, desde que foi implantado em 2006. A unidade, funciona em um espaço anexo à Apae (Associação de Pais e Amigos dos Portadores de Necessidades Especiais), no bairro Estamparia e atende por meio do SUS (Sistema Único de Saúde) portadores de deficiência auditiva de Barra Mansa e demais 25 municípios divididos entre o Centro Sul Fluminense, Bahia de Ilha Grande e Médio Paraíba.
Conforme explica a fonoaudióloga Renata Lima, coordenadora do centro, a unidade é uma referência de alta complexidade na região e realiza, além da avaliação auditiva, diagnóstico e protetização de aparelhos auditivos para pacientes desde seu nascimento, em casos de necessidade. “O centro tem contribuído muito em garantir a qualidade de vida de pessoas portadoras de deficiência auditiva. Fazemos uma média de cem adaptações de próteses, mensalmente, e desde 2006 já distribuímos 16 mil aparelhos que, com certeza, fizeram a diferença na vida dos pacientes”, ressaltou a coordenadora.
Segundo esclareceu Renata, embora o centro seja referenciado pela Secretaria de Saúde de Barra Mansa, os pacientes atendidos pela unidade podem ser encaminhados pelas secretarias de seus respectivos municípios. Foi o caso da dona de casa Rosa da Silva Pessanha, de 71 anos, que mora em Resende e foi encaminhada a procurar o Centro de Referência em Barra Mansa. Na manhã de sexta-feira, dia 17, ela esteve no local para fazer sua primeira avaliação com a equipe multidisciplinar do centro e também fazer o moldo do aparelho que passará a usar.
– Eu estou super animada por saber que vou poder ouvir melhor. É muito triste você querer dialogar com uma pessoa, atender a uma ligação e não conseguir entender o que o outro está falando por conta da audição prejudicada. Acaba que a gente se isola de coisas do dia a dia para evitar o desgaste em função de não conseguir ouvir direto.”, enfatiza a dona de casa, que há 18 anos sofreu uma perfuração no tímpano, que a levou a uma cirurgia nos dois ouvidos. “Agora voltei a ter dificuldade para ouvir, pelo meu ouvido esqueço não escuto mais nada e a saída foi começar a usar o aparelho – acrescentou.

Atendimentos variados

De acordo com Renata, nos atendimentos semanais do centro, nem todos são somente para implantação de aparelhos auditivos, mas também para avaliações periódicas de pacientes que já fazem o uso, além da realização de exames de alta complexidade. Também na manhã de sexta-feira, o comerciante o Guilherme João de Andrade, de 53 anos, acompanhava o pai, o aposentado José João de Andrade, de 77 anos, que também é morador de Resende e esteve no local para uma avaliação do tratamento com aparelho que ele faz uso desde 2012. A avaliação pela qual o paciente foi submetido deve ser feita ao menos uma vez ao ano. O filho do aposentado comemora os bons resultados.
– Foi muito bom para ele e para nós o uso do aparelho. Hoje em dia ele conversa mais, interage com toda a família e fica bem mais atento a tudo que acontece próximo a ele. A qualidade de vida melhorou, com certeza – garantiu Guilherme.
Segundo a coordenadora do centro, os bons resultados com o uso do aparelho dependem diretamente de um bom uso das próteses, bem como das avaliações e exames que precisam ser feitos periodicamente. Além disso, ela destaca que a vontade do paciente em usar o aparelho é o fator determinante para que ele possa garantir uma melhor qualidade de audição.
– Por questões de estética, por exemplo, pessoas de várias idades que possuem problema de audição acabam não querendo usar a prótese e isso se torna uma barreira para que alcancem bons resultados. Muitos sempre pedem para que o aparelho seja pequeno, discreto, mas isso depende da necessidade de cada um diante do nível de perda de audição que já atingiram – destacou a coordenadora.
Com relação à importância do uso do aparelho, por pessoas idosas, a fonoaudióloga destacou que em função do problema muitos acabam sentindo-se isolados da sociedade, correndo assim até o risco de entrar em depressão. Mas, ela ressalta que, além do encaminhamento de um profissional, optar pelo uso do aparelho deve ser uma decisão do idoso. “Não adianta só a família do idoso querer que ele use o aparelho. O paciente é que precisa aceitar e entender que isso vai contribuir para melhorar a vida dele no dia a dia”, completa a fonoaudióloga.

Equipe multidisciplinar

A equipe do Centro de Saúde Auditiva é formada uma equipe de diferentes profissionais; Entre eles: otorrinolaringologistas, fonoaudiólogas, psicólogo, assistente social, neurologista, pediatra, diretor médico e responsável técnico. No local, são realizados os seguintes procedimentos: consultas e avaliações otorrinolaringológicas para diagnóstico, reavaliação da perda auditiva, diagnósticos, diferencial: E.O.A e BERA, seleção, adaptação e fornecimento de aparelho de amplificação sonora individual, acompanhamento, terapias fonoaudiológicas e reabilitação auditiva.
Também são atendidos no centro recém-nascidos cujo diagnóstico de problemas auditivos seja confirmado durante exame da orelhinha, que deve realizado num curto período após o nascimento. “Crianças com fatores de risco como, por exemplo, recém-nascidos, que apresentaram baixo peso pós parto ou que ficaram internadas na UTI Neonatal (Unidade de Terapia Intensiva) sempre são encaminhadas para avaliação”, informou a fonoaudióloga.

Jovens estão perdendo a audição por uso irregular de fones

A cada dia, mais jovens estão apresentando perda de audição causada pelo uso irregular de fones de ouvido. O alerta é feito pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa). “Os adolescentes usam esse equipamento de som com volume muito alto. A gente vem notando que a audição deles não é tão normal como antigamente, já tem mais perda. E se continuar a usar esse som alto, eles terão uma perda irreversível, não volta mais ao normal”, disse a presidente do CFFa, Thelma Costa.
A presidente do CFFa orienta os pais e responsáveis a monitorar o volume dos fones de ouvido. “Se você estiver a um metro da pessoa e ouvir o que ela está escutando, ela provavelmente terá uma perda de audição. Há um metro de distância, você não deve ouvir o que a pessoa está escutando no fone de ouvido”, reforçou Thelma, que é especialista em audiologia.
A coordenadora do Centro de Referência Auditiva de Barra Mansa, Renata Lima, também chama atenção para esse risco. De acordo com ela, atualmente é muito comum ver crianças e jovens usando fones de ouvido, uma vez que isso garante a privacidade e descrição de quem gosta de assistir vídeos ou ouvir músicas em locais públicos, porém, é difícil encontrar o que usam o equipamento de maneira correta. “Muitos não sabem que o uso prolongado e com o volume elevado podem causar danos á audição. De acordo com pesquisas recentes, o uso inadequado dos fiens pode fazer muito mal á saúde e, cada vez mais, os jovens estão apresentando problemas auditivos”, disse a coordenadora.


Comente com Facebook
(O Diário do Vale não se responsabiliza pelos comentários postados via Facebook)
Untitled Document