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Consumidores trocam compra de carro novo por aquisição de veículos usados

Matéria publicada em 15 de novembro de 2015, 08:30 horas

 


carro

De olho no preço: Consumidor está migrando do carro zero para o seminovo (Foto: Arquivo)

Volta Redonda – A crise econômica está afetando o mercado automotivo da região de uma forma curiosa: os consumidores estão comprando menos carros e motos zero quilômetro, mas não deixam de trocar de veículo. Eles estão adquirindo carros usados, em vez de novos, o que pode ser atribuído à possibilidade de assumir uma dívida bem menor na transação ou mesmo de fazer o negócio á vista.
De uma forma geral, os consumidores que vão comprar seu primeiro veículo tendem a adquirir um usado. Eles geralmente usam alguma forma de poupança e benefícios como adicional de férias ou o décimo-terceiro para a entrada e assumem um financiamento. Quando quitam essa dívida, o impulso é partir para um veículo com menos tempo de uso e prosseguem assim até chegarem ao carro zero quilômetro, que costuma ser trocado, ao fim do financiamento, por outro veículo novo.

Na ponta do lápis

O que as estatísticas do mercado mostram é que os consumidores estão adiando essa passagem de comprador de veículo usado para comprador de veículo zero. Na prática, quem tem um carro com cerca de cinco anos está optando pela compra de um seminovo – carros com até três anos. Um dos motivos para isso é a forte desvalorização que os veículos sofrem “assim que saem da loja”, no dizer dos proprietários.
Para exemplificar, um Fiat Palio Essence Dualogic zero quilômetro, com quatro portas e motor a gasolina, tem um preço médio de R$ 50.190, segundo a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). O mesmo carro, fabricado em 2015 – um seminovo quase zero – custa em média R$ 38.781, segundo a mesma fundação.
Considerando que um proprietário de um carro desse modelo fabricado em 2013, com preço estimado pela Fipe em R$ 32.491, queira fazer um upgrade, ele poderá gastar pouco mais de R$ 6 mil, considerando a diferença entre os preços Fipe, para comprar um Palio Essence 2015 usado, o que representa uma grande diferença para os cerca de R$ 17,7 mil que ele teria de desembolsar para comprar um carro zero do mesmo modelo e ano de fabricação.

Estatísticas

As estatísticas de emplacamento do Detran apontam que, em Volta Redonda, o número de primeiros emplacamentos – que corresponde às compras de veículos zero quilômetro – teve uma queda de 19,53% na comparação dos negócios de janeiro a outubro de  2015 com os do mesmo período do ano passado.
Já as transferências de propriedade – que correspondem aos negócios com veículos usados – tiveram uma alta de 2,89% na comparação entre os dez primeiros meses de 2015 com os de 2014.
Se os números de negócios com veículos novos e usados forem somados, o que se percebe é quase uma estabilidade. O número de transações com veículos caiu 1,1% na comparação dos períodos de janeiro a outubro de 2015 com 2014.
Outro indicador dessa mudança de comportamento é a relação entre a quantidade de negócios feitos com veículos usados e o número de emplacamentos de veículos zero. Nos dez primeiros meses de 2014, foram feitos 4,6 negócios com veículos usados para cada venda de veículo zero. Em 2015, essa proporção passou para 5,88.


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4 comentários

  1. Avatar

    Ok, mas para quem paga á vista , a relação custo x benefício é muito melhor para quem compra um seminovo.Num país de empresário ganancioso é comum jogar os preços lá em cima e culpar apenas o governo.

  2. Avatar
    Liberdade e Propriedade

    O alto imposto sobre carros no Brasil, maior do mundo, é um abismo entre a fábrica que quer vender e o consumidor que quer ter um carro moderno. Esse casamento não acontece por culpa do governo. O imposto impede uma renovação de frota no Brasil, com carros seguros, menos poluentes e mais econômicos.

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      Não é só por culpa do governo, não. Empresário no Brasil quer ganhar o máximo possível, com o mínimo investimento e retorno o quanto antes. A margem de lucro das montadoras aqui é muito maior que na grande maioria dos países com economia consolidada, tudo isso alimentado por um consumidor pouco previdente que aceita pagar o preço por qualquer porcaria que lhe renda um pouco de status… Retire todos os impostos que incidem sobre um veículo aqui e tenha ainda um carro mais caro que o vendido no Chile e México, com imposto e tudo…

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    Mais se hoje você tiver pelo menos 50 porcento do valor do carro zero em especie a melhor opção e comprar o zero, pois a desvalorização de um zero quando sai da concessionaria, está incluso nas taxas de financiamento dos bancos que são um absurdos, pois hoje como vendedor há mais de 9 anos no mercado de carros usados e semi-novos, não aconselho a compra de um usado, pois o novo com entrada de 50% o restante você vai pagar 50% financiado e sem juros, já o usado você pagaria a entrada de 50% mais T.A.C (Taxa de Abertura de Credito) custa m torno de R$2.000,00 (Dois Mil Reais) mais a Taxa de financiamento que as lojas fazem na tabela 3 aonde os juros são bem maiores.
    Financiando uns R$10.000,00 (Dez Mil Reais) no final você pagaria R$25.000,00 (Vinte e Cinco Mil Reais), SEM OS 50% de ENTRADA. Sendo assim podendo variar de ano do veiculo, aumentando a TAXA.

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