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Contador de Volta Redonda prepara livro abordando o seu período de internação com a Covid-19

Matéria publicada em 6 de abril de 2021, 09:02 horas

 


A ideia de escrever um livro surgiu pela necessidade de contar toda a dificuldade que passou em um hospital – Foto: Enviada pelo paciente.

Volta Redonda- O contador e perito judicial, Gesnaldo Batista Cunha, de 45 anos, é uma daquelas pessoas que foram contaminadas pela Covid-19, e sentiu todas as dificuldades que é ficar dentro de um hospital lutando contra um vírus e passando pelos horrores dessa doença que já vitimou muitas vidas.

Marido e Pai de três filhos, 17, 15 e 13 anos (menina), o morador do bairro Vista Verde, em Volta Redonda, antes de contrair a Covid, trabalhava como Conselheiro Fiscal do Voltaço.

E com o objetivo de descrever tudo que ele passou para vencer a doença, Gesnaldo está montando um roteiro para escrever um livro e ajudar as pessoas com a informação real de dentro de um hospital.

– Internei há 12 dias, e passei por uma verdadeira batalha pela vida. Quando se entra aqui, é uma guerra pesada, todos lutando muito. Equipe médica, Família, amigos e a gente trava uma luta com o psicológico. O psicológico salva ou mata aqui dentro – afirmou.

Segundo o contador Gesnaldo, a sua luta começou no Cais do Aterrado, onde ele depois foi transferido pro Hospital do Retiro, e agora está desde o dia 03 no hospital regional Zilda Arns Neumann.

“Já estou bem melhor, sendo excelentemente bem cuidado aqui por uma equipe muito bem treinada e muito carinhosa”, disse.

O livro

De acordo com Gesnaldo, a ideia de escrever um livro falando sobre a sua passagem como paciente de Covid por um hospital surgiu pela necessidade que ele sentiu de contar toda a dificuldade que ele passou, além de todo o esforço médico para salvar sua vida.

– Todo impacto psicológico que a doença causa, não é fácil. Nesta fase a doença afeta e muito teu equilíbrio mental. E numa ansiedade, vem o pânico, junto com o pânico vem a baixa oxigenação e o risco de vida aumenta. Acredito que relatando toda luta que passei, que a equipe médica passa, posso colaborar com quem pega, com suas famílias e com a conscientização das pessoas para usarem todos os meios cabíveis de prevenção para que não pegue e não contamine mais alguém – ressaltou.

Para Gesnaldo, o objetivo deste livro é trazer uma informação “na prática” de quem viu a morte de perto, teve medo, ansiedade, mas teve apoio humano, se equilibrou e conseguiu sobreviver.

O contador acredita que este livro vai ajudar outros pacientes de Covid, além de outras pessoas.

– Jesus disse: “conheceis a verdade e a verdade vós libertará”. Acredito que relatando todo horror que passamos ao ser internado em estado grave, a importância do equilíbrio mental do paciente, dos profissionais de saúde e da família, possa potencializar muito as chances de um final feliz. Mesmo nos casos mais graves. O psicológico do paciente ao meu ver por experiência própria correspondente à 50% de todo tratamento. Sem equilíbrio, você morre e desperdiça todo esforço dos anjos da saúde que querem de coração aberto te salvar – esclarece.

Contaminação

O conselheiro fiscal do Voltaço afirma não ter nenhuma comorbidade e seguia todos os protocolos de segurança até ser contaminado.

O contador acredita que fui contaminado numa reunião para captar um novo cliente (contabilidade), onde todos os presentes estavam

numa sala fechada, ampla, mas só com o ar ligado. Então, explicou Gesnaldo, chegou água, foi quando ele por 3 minutos tirou a máscara para beber a água. “Não joguei álcool no copo nem na garrafa. Podiam estar contaminados também. Então, mão tenho certeza. Mas acho que foi aí que tudo começou”, lamentou.

Depois o contador fez as contas. Numa terça a reunião. Sexta febre, sábado febre mais alta, domingo, segunda ele achou que era gripe. Na quarta o contador foi ao Cais e diagnosticado como Dengue, mas na quinta a tosse e a falta de ar veio.

– Fui no posto São Geraldo, onde fui muito bem atendido pela doutora que fez o teste swap e disse que o pulmão já não estava bom. Passou o protocolo de medicamentos para tomar em casa e alertou se o cansaço aumentasse procurar a emergência. Sexta a falta de ar aumentou. Foi onde busquei o Hospital São João Batista(HSJB) que disse que não atendia Covid, mas então fui ao Cais do Aterrado. Lá a médica deu a certeza do Covid e fez minha primeira internação – explicou.

No hospital

Na opinião de Gesnaldo, na segunda semana do vírus ele vem muito agressivo.

– A gente perde as forças e a respiração. Eu trato caustrofobia e ansiedade. Então, foi uma dificuldade a mais. Num momento entrei em Pânico e quase desisti, a assistente social segurou em minhas mãos e disse que não me abandonaria, a fisioterapeuta massageou os pulmões, eu fechei os olhos e comecei a orar, lembrei de meus filhos, de minha esposa, família, de todos meus amigos que me amam, lutei para acalmar e respirar, a saturação baixou muito, ouvi a fisioterapeuta dizendo que se baixasse mais ia ter que entubar, então, de repente, senti uma energia como uma brisa do mar, comecei ouvir as orações das pessoas, vinda de todos os lados, comecei a tranquilizar-me, aos poucos fui respirando, senti cada grama de oxigênio entrar em meus pulmões, a saturação subiu – afirmou emocionado.

Dali pra frente, o contador disse que ensinaram ele a respirar com calma. “Ficava 24h por dia concentrado na respiração e na calma. Deu certo. Mente e estável na saturação e tomando a medicação. Assim, um dia de cada vez, fui ficando forte e afastando qualquer chance de intubação. Mesmo estando com os pulmões muito comprometidos. Equilíbrio. Este é um dos remédios necessários”, declarou aliviado.

Por Júlio Amaral

 


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Um comentário

  1. Avatar

    Foi uma grande luta, ele foi abençoado por Deus… Venceu uma guerra mental, para que o corpo pudesse vencer o vírus.

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