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Cuidadoras de idosos relatam mudanças de comportamento após quarentena

Matéria publicada em 30 de março de 2020, 11:30 horas

 


A população idosa deve ser alertada de evitar sair de casa neste período de quarentena
(Foto: Paulo Dimas)

Volta Redonda – Com a chegada do isolamento social e da quarentena fez com que toda a população mudasse sua rotina, permanecendo em casa e saindo quando for de extrema necessidade, como é no caso dos cuidadores de idosos. A nova realidade faz com que os cuidados sejam redobrados para que jovens e adultos não transmitam o vírus para a população idosa, um dos grupos de risco perante ao novo coronavírus (Covid-19).

Além de preocupar dos idosos em seus serviços, os cuidadores precisam se prevenir para evitar que o vírus chegue neles e em suas próprias famílias, que também possuem seus idosos, adultos, crianças e adolescentes.

A rotina de Bárbara Gomes dentro e fora de seu serviço mudou bastante desde a quarentena nos últimos dias, em Volta Redonda. A jovem de 18 anos é cuidadora de idosos há um mês e se preocupa com a saúde de uma idosa, de 86 anos, pois não se veem há dias.

– Não vejo ela desde quarta passada, já tem mais de uma semana, o bom é que ela mora com a filha. No momento não estou conseguindo ir por medo da transmissão pra ela, mas na segunda-feira vou voltar – comentou Bárbara.

– Não sei como vai funcionar direito porque ela é muito carinhosa e pegajosa, mas manter a distância é essencial no momento. Chegar, tomar banho, trocar de roupa, tomar todas as medidas possíveis para que ninguém tenha a doença – completou a cuidadora.

Bárbara também disse que a idosa pela qual cuida tinha costume de sair de casa todos os dias.

– A saúde dela é limitada porque tem Alzheimer há 13 anos, mas é louca com a rua, ama sair. Nossa rotina era de passear todos os dias, de assistir televisão, pintar a unha, arrumar a cama – contou a jovem.

No caso de Yasmin Galdino, cuidadora de idosos há três anos, sua preocupação é com a idosa que cuida e com os de sua família, o receio de transmitir a doença para algum membro familiar é grande.

– Fico psicologicamente desgastada pelo medo de chegar em casa e ser um vetor para minha família. Evito contato com criança e idosos até ao menos tomar um banho e retirar a roupa que vesti para ir na rua. É uma rotina que nunca tinha vivido. Vou trabalhar com medo de voltar doente por ser linha de frente – declarou Yasmin.

Ela também contou em detalhes como é a nova rotina para cuidar da idosa.

– Já tinha o costume de higienizar sempre as mãos e agora redobrei a atenção. Coloco álcool em gel na entrada, no quarto, no banheiro e cozinha, tudo afim de minimizar o risco de contágio da doença. Uso máscara e luvas, e caso apresente sintomas gripais já me afasto até melhorar. Frequente lavagem das mãos da paciente é algo que só acontecia quando ia ao banheiro ou comer algo. Restrinjo visitas de colegas e família somente se fosse de urgência pra evitar entrada e saída de pessoas na casa. Estou usando dois pares de sapatos, chego da rua e deixo um par na varanda e dentro de casa calço outro. Também troco as roupas – relatou a cuidadora.

Mente

A psicóloga Priscilla Alexandre Rodrigues disse que o medo coletivo em relação a pandemia do novo coronavírus pode ser positivo até certo ponto.

– Na dose certa, o medo é positivo, pois tem a função de preservação da vida, faz com que o Ser tenha preferência por comportamentos que evitem a exposição ao risco e morte. Entretanto, quando demasiado, o medo torna-se patológico e resulta em sofrimento psíquico – explicou a psicóloga.

Ela também destacou que quando as pessoas chegam aos 60 anos com vitalidade e vigor, realizando diversas atividades pode ter dificuldades para dormir, relaxar e apresentar pensamentos monotemáticos e até mesmo sintomas físicos devido a nova rotina imposta pela quarentena.

– Para ocupar o tempo e evitar adoecimento, é indicado trabalhar a mente e conter a enxurrada de notícias pessimistas, ler, organizar gavetas e pensamentos, praticar exercícios físicos, manter a comunicação viva através
de telefonemas e vídeos chamadas – afirmou Priscilla, acrescentando que é necessário que o idoso existe ao máximo abraços, apertos de mão, beijos e afago em todas as pessoas do seu círculo de convivência.

– Por se tratar de um novo vírus, ainda é muito cedo para se afirmar outras medidas, entretanto, se cada um fizer sua parte, logo cedo tudo se normalizará e o calor humano voltará às ruas de todo o mundo. Essa é nossa maior riqueza – concluiu a psicóloga.

*Por Miguel da Silveira


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