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De volta para o futuro retrô

Matéria publicada em 21 de janeiro de 2019, 09:00 horas

 


Protótipo da Space X lembra fantasias da década de 1950

Quando a Space X apresentou o protótipo da sua nova espaçonave, na semana passada, os velhos fãs da ficção científica se sentiram de volta para o futuro. Não o futuro high tech dos anos de 1960, mas o futuro imaginado nas décadas de 1940 e 1950. Quando o único foguete que voava era a bomba V-2 dos nazistas. O foguete Starship da Space X parece uma V-2 que saiu da dieta e engordou demais. Na verdade se um artista apresentasse esse projeto para um produtor de cinema ou TV dos anos 60, como Stanley Kubrick ou Gene Rodemberry, seria demitido na hora. O Starship da Space X parece um foguete desenhado por uma criança do jardim de infância e montado com restos de garrafa pet e folha de alumínio.
Diante das críticas o bilionário Elon Musk, diretor da Space X, deu explicações no Twitter. Ele disse que aquele foguete é só para testes de pouso e decolagem. “A versão orbital vai ser mais alta, vai ter uma fuselagem mais grossa (que não enruga) e um nariz mais curvo e liso.” Na verdade Musk não esconde seu fascínio pelas antigas histórias em quadrinhos e quer uma nave parecida com o foguete do Tin Tin. Mas para vender seu projeto para o público ele vai precisar de um produto mais bonito e esteticamente mais ousado.
Uma boa fonte de inspiração são os livros e revistas de ficção científica da década de 1950. Ilustradores como Robert Schulz, Alex Schomburg, Ed Emsh e Frank Tinsley vendiam a ideia das viagens espaciais com pinturas coloridas e empolgantes. Herói e heroínas do espaço, elegantemente vestidos, caminhavam para embarcar em mísseis aerodinâmicos. Que deixariam o Starship da Space X com complexo de inferioridade. Como lembrou uma vez o artista Harry Lange, que ilustrou os primeiros projetos da NASA: “O importante era apresentar a viagem espacial como algo dramático e emocionante”.
Essa visão de futuro entrou em choque com a realidade já no final da década de 1950. As grandes empresas do complexo aeroespacial começaram a construir espaçonaves de verdade para a agência espacial NASA. Onde o prático e o mais barato eram mais importantes do que o artístico. No lugar dos foguetes de linhas delgadas e curvas, a NASA queria módulos e estágios cilíndricos, parecidos com latas de conserva. Simplesmente porque são mais fáceis de fabricar do que estruturas com linhas curvas.
O que levou a um distanciamento do público. Outro artista espacial, Ron Miller, autor do livro “The Dream Machines” acha que as pessoas deixaram de se interessar pelo programa espacial porque os foguetes da NASA são feios e deselegantes. Arthur Clarke, o célebre autor de “2001: uma odisseia no espaço” comentou que a Estação Espacial Internacional é tão feia quanto um “depósito de carros batidos”. E lamentou que ninguém tenha construído a elegante roda espacial do filme 2001.
É uma lição importante que deve ser aprendida pelos empresários como Musk e Jeff Bezos, que querem “vender” uma nova era de viagens espaciais. Para capturar o entusiasmo do público uma nave espacial precisa ser tão bonita quanto o avião supersônico Concorde. O Concorde era tão bonito que quando deixou de voar não foi vendido como sucata. Foi levado para museus e exposto como obra de arte.
A Space X de Musk e a Blue Origins de Bezos estão trazendo de volta o entusiasmo pelas viagens espaciais. Mas para isso elas precisam inspirar crianças e adultos. Como nos anos de 1950, quando heróis como Flash Gordon e heroínas como Dale Arden embarcavam em foguetes aerodinâmicos, usando trajes colantes, sexies e partiam para a Lua ou o planeta Marte. Como ficou registrado nas capas dos livros e revistas daquela época.


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Um comentário

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    A nave do Elon Musk é realmente horrorosa! Acho que o público já se acostumou com designs mais realistas de naves espaciais, e é besteira tentar construir naves se preocupando com a estética, principalmente se estes empreendedores desconsiderarem os custos de construção e a praticidade.

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