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É tempo de asteroides e meteoros

Matéria publicada em 11 de outubro de 2018, 09:00 horas

 


Caveira espacial vai passar pela Terra depois do Halloween

O resultado das eleições de domingo passado levou alguns comentaristas políticos a compararem as mudanças em Brasília à queda de um asteroide. Falou-se que um meteoro teria atingido o Congresso e o Senado, provocando a extinção dos dinossauros políticos. Na verdade foi um asteroide que provocou o desaparecimento dos dinos, há 75 milhões de anos. Por coincidência atualmente existe um asteroide em fase de aproximação com a Terra. É o sinistro 2015 TB 145, que tem o formato de uma caveira. E é conhecido, informalmente como “asteroide do Halloween”.

Descoberto em 2015, como mostra a sigla, ele vai chegar um pouco atrasado este ano. Sua maior aproximação com a Terra vai acontecer no dia 11 de novembro. E não se preocupem, ele vai passar a 38 milhões de quilômetros de distância, o que é um quarto do alcance que separa a Terra do Sol. Além disso, o asteroide do Halloween é pequeno, medições de radar, feitas com a antena gigante do observatório de Arecibo, mostram que ele tem apenas 627 metros de diâmetro. Em comparação o asteroide que matou os dinossauros (os verdadeiros, não os da política) tinha dez quilômetros de largura.

Além dos asteroides, em outubro e novembro teremos três chuvas de meteoros, ou estrelas cadentes. Que acontecem sempre que a Terra passa pelo rastro de um cometa. Como o espaço está cheio de cometas elas acontecem quase todo mês. A primeira chuva de outubro foi a dos Draconídeos (Porque eles parecem vir da constelação do Dragão) provocada pelo rastro do cometa Giacobini-Zinner). No final do mês, perto do segundo turno das eleições, teremos a chuva de meteoros Orionídeos (Vindos da constelação de Orion) que é o resultado dos detritos deixados por outro cometa, o Halley.

Mas a mais espetacular de todas é a dos Leonídeos, que só vai acontecer em meados de novembro e é provocada pelos restos do cometa Tempel-Tuttle. Para apreciar esses espetáculos é preciso ficar bem longe das luzes das cidades e contar com uma noite de céu claro, o que é meio difícil nesses dias chuvosos da primavera. Aqui na região um lugar ótimo para ver estrelas cadentes é o Parque Nacional de Itatiaia. As estrelas cadentes geralmente se desintegram na atmosfera e não chegam ao solo. Quando o fragmento do cometa é maior e ele atinge o solo é chamado de meteorito. Ou seja, se um objeto desses caísse em Brasília seria um meteorito, não um meteoro como disseram os comentaristas políticos.

Atualmente a agência espacial americana NASA está aperfeiçoando a espaçonave Orion. Que será capaz de levar astronautas até esses asteroides que passam perto da Terra. No futuro, se um deles ameaçar colidir com o nosso planeta, poderá ser desviado por uma equipe transportada pela Orion. Durante o governo Barack Obama a Nasa tinha planos de capturar um asteroide e coloca-lo em uma órbita em torno da Lua. Mas isso não é necessário, já que a tecnologia atual permitir enviar sondas para estudar asteroides e mini planetas quando ainda estão bem longe da Terra.

E falando em asteroides, os astrônomos ainda estão intrigados com o Oumuamua, um objeto que cruzou nosso sistema solar no ano passado. Recentemente a equipe do instituto Max Planck, na Alemanha, conseguiu reconstituir a trajetória do visitante das estrelas e determinar sua possível origem. Eles encontraram quatro estrelas distantes na trajetória do Oumuamua. Uma delas é um pequeno sol vermelho conhecido como HIP 3757, a outra origem possível é um sol mais parecido com o nosso, o HD 292249. Em qualquer dos dois casos o asteroide levou milhões de anos cruzando o espaço entre essas estrelas e o nosso Sol.

Assim relaxe. Se o cenário político anda muito estressante olhe para o céu e aprecie a beleza das estrelas cadentes.

 

Por: Jorge Luiz Calife
jorge.calife@diariodovale.com.br


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