sexta-feira, 15 de novembro de 2019

TEMPO REAL

 

Capa / Região / Eucaliptal tem mutirão de arte na rua

Eucaliptal tem mutirão de arte na rua

Matéria publicada em 2 de setembro de 2018, 17:09 horas

 


Moradores e 30 artistas de Volta Redonda e outras cidades colorem muros de bairro com o apoio da prefeitura

Volta Redonda  – A ONG de Volta Redonda, “Criança Tem que Aprender”, promoveu no sábado (01), um mutirão de arte de rua, no bairro Eucaliptal, a fim de colorir o seu novo espaço, como também restaurar os muros do bairro. O fundador da ONG Geraldo Costa Gomides, conhecido como Juninho, foi quem teve a inciativa de convidar os artistas e comunicou à comunidade que abraçou a causa.

– Recebemos um espaço há cerca de dois anos, porém não temos dinheiro para pintá-lo, então resolvemos entrar em contato com alguns artistas da região e explicar a situação. Eles se disponibilizaram a ajudar e juntos desenvolvemos a ideia do mutirão, que foi abraçada pelos moradores e comerciantes da comunidade. Conseguimos patrocínios e artistas tanto da cidade, quanto de fora vieram para ajudar – explicou Junior

O evento contou com o apoio da prefeitura, através da Secretaria de Cultura e reuniu mais de 30 artistas locais e de outros estados, que deixaram seus desenhos pelos muros, que antes estavam deteriorados e coloriram a ONG, que há dez anos atende as crianças do bairro, oferecendo aulas de dança, capoeira, futebol, artesanato e inglês.
– Começou cedo a movimentação, fiquei curiosa e quando percebei os muros já estavam cobertos por tintas e desenhos. Achei lindo, vai dar um novo charme ao bairro e principalmente à rua onde moro. A prefeitura está de parabéns por apoiar os idealizadores deste projeto- disse a moradora Fernanda Soares

Sandra Plagrana, de 64 anos, que é professora de Biologia e grafita há 10 anos, usando a tag #OLI, trabalha numa ONG destinada à informar sobre o direito das mulheres e incentivar a arte de rua como uma maneira de expressar os sentimentos e esteve presente no mutirão.

– Meu filho viu o evento nas redes sociais e me chamou para participar com ele, viemos juntos, pois é algo que temos em comum, a paixão pelo grafite e por trabalhos voluntários. Eu peguei gosto pela arte de rua dentro da ONG em que trabalho e ele se tornou artista de rua por minha causa – contou Sandra

O filho de Sandra , André, é técnico de enfermagem, mas se descobriu artista através do trabalho que a mãe desenvolvia.

– Minha mãe começou com o grafite, eu sempre gostei de desenhar e depois que conheci o trabalho dela eu acabei me apaixonando pela arte de rua. É uma arte acessível para todos, pois fica exposta nas ruas- Explicou André

Sandra, artista carioca que assina como #OLI Credito: (Paulo Dimas)

O trabalho também mostra uma questão social e cultural. Deixando a céu aberto verdadeiras obras de arte para a comunidade. De acordo com Jeferson Arantes, idealizador do projeto, existe todo um contexto no grafite.

– Vieram artistas de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte para prestigiar esse evento. Nosso objetivo é deixar um legado para o bairro. É um movimento artístico permanente e que vai proporcionar um novo olhar para o grafite também – disse.
O Mineiro Higor Pagatin, conhecido como mosquito, 21 anos, também veio de longe para participar do mutirão. O jovem, grafita há 4 anos e participa de um coletivo chamado Integração, que trabalha com arte e educação, dando aulas de break e hip-hop, no qual a MC de Volta Redonda, Ju Doroteia, que participou da batalha realizada no evento,  contribuiu voluntariamente.

– Sou de Paraisópolis, Sul de minas, onde a arte de rua não é muito bem vista, pois é um lugar conservador, mas através do projeto em que participo conseguimos conquistar nosso espaço, principalmente com a ajuda de pessoas de fora, como foi com a Ju. Quando vi que teria esse evento, fiz questão de participar, porque o hip hop e a arte de rua são sinônimos de união, nós temos que somar com quem soma com a gente – ressaltou.

Higor Pagatin, conhecido como mosquito, artista de Paraisópolis, contribuindo com a sua arte em Volta Redonda. Credito: (Paulo Dimas)

Entre os desenhos realizados no mutirão, algumas artes são fáceis de reconhecer por quem circula pelas ruas de Volta Redonda, como é o caso dos personagens de Anderson de Souza, 40 anos, que trabalha há 20 anos com artes visuais e traz nos seus desenhos um conceito que é sua marca registrada.

– Meus personagens tem apenas um olho, pois fazem referência a uma câmera de segurança, trazendo o conceito de sociedade do controle. Comecei em galerias e museus !Eu comecei meu trabalho como cartunista e meu estilo vem daí: nas ruas pinto personagens inspirados no cartum há sete anos – disse Anderson.

O artista local, Anderson Souza, desenhando um de seus famosos personagens. Credito: (Paulo Dimas)

O designer e artista local, Leonardo Duarte também compareceu ao evento e contribuiu com a sua arte. Ele começou a pintar há 4 anos em uma oficina com os artistas Hayala e Tommy e além grafitar pelas ruas de Volta Redonda, Leonardo já levou seu trabalho pra João pessoa, Curitiba e São Paulo, afim de exaltar a filosofia ARNC, A Rua é Nossa Casa.

– Trago essa filosofia na minha arte, pois foi na rua, onde comece a andar de skate e onde descobri o que eu queria fazer da vida, a arte. Mesmo não sendo uma comunicação aberta, a arte de rua fala com as pessoas que andam pela cidade. Acho que não só Volta Redonda, como o Sul do estado é precário de cultura, então quando eventos assim acontecem na rua, levando uma cultura diferente e abrindo portas pra novos talentos, eu procuro participar e somar, porque assim mostramos a força da cultura de rua local. – explicou

O artista local Leonardo Duarte pintando o muro do bairro Eucaliptal Credito: ( Paulo Dimas)

A exposição das artes pelas ruas abre outras oportunidades para os artistas, como o caso do tatuador Rafael Abuti, 34 anos, que há 17 anos faz arte de rua na cidade e afirma que além dos moradores dos bairros elogiarem, empresas e lojas também se interessam pelo trabalho dele e contratam seus serviços.

– É uma exposição democrática, pois acontece a céu aberto, então as pessoas aceitam bem e gostam da arte. Os moradores elogiam e alguns procuram a gente para desenvolver outros trabalhos. Já trabalhei em lojas e empresas expondo meu trabalho – contou
Ainda segundo o fundador da ONG, Criança Tem Que Aprender, acima de tudo o evento tem um objetivo social e foi realizado por amor à arte e a mudança que ela pode proporcionar aqueles que precisam.

– Eu trabalho com o social e ver os artistas vindo de outras cidades, gastando gasolina, o tempo e às vezes a própria tinta, pra contribuir por amor. Isso é muito importante. Os moradores e comerciantes abraçaram a causa e adoramos. Em grandes centros o grafite é visto como ponto turístico e aqui no bairro tem alguns muros degradados, em péssima conservação, então com o mutirão vamos revitalizar a comunidade, tornando um lugar mais bonito e alegre.

 

Por: Isabelle Prado


Comente com Facebook
(O Diário do Vale não se responsabiliza pelos comentários postados via Facebook)
Untitled Document