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Euclides da Cunha é o homenageado da Flip 2019

Matéria publicada em 22 de maio de 2019, 09:00 horas

 


17ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty acontece de 10 à 14 julho

Programação terá novo palco e opções de mesas mais curtas – Foto: Arquivo/Agência Brasil

No mês de julho acontece a tradicional Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), mas a preparação está a todo vapor. Como de costume, todos os anos o evento homenageia um nome importante da literatura e esta edição o escolhido foi Euclides da Cunha, autor de uma das obras fundamentais sobre o Brasil – Os sertões.
A Flip 2019 terá como curadora das mesas literárias do Programa Principal a jornalista e editora Fernanda Diamant. O arquiteto Mauro Munhoz, como nos anos anteriores, será o responsável pela direção geral e artística do Programa Principal.
Fernanda Diamant é formada em Filosofia pela Universidade de Paulo (USP). Trabalhou como jornalista e editora de livros na Publifolha e na editora 34. Atualmente é editora da revista 451, especializada em livros.
– A curadoria da Fernanda Diamant estabelecerá uma relação com as conquistas da Flip nos últimos anos e as novas demandas que estão surgindo no atual cenário político e cultural do Brasil e do mundo. No contexto de hoje, o papel da literatura como um espaço público, um espaço de inovação e mediação de diferentes ideias, faz-se ainda mais necessário. É isso que queremos reforçar nas mesas literárias da Flip e na ocupação dos espaços de Paraty com os nossos conteúdos – diz Mauro Munhoz.
Em seu primeiro ano à frente do Programa Principal da Flip, Diamant pretende ampliar a diversidade da Festa Literária, trazendo autoras e autores de diferentes gêneros – na ficção e na não-ficção – e buscar novos formatos de mesas literárias.
– Pretendo trabalhar o conceito de diversidade de maneira ampliada, trazendo, sobretudo, ideias divergentes, autores que ajudem a expandir o debate em sua área de atuação – afirma a curadora.
Desde 2014, a Flip tem inovado, ao trazer nomes da cena independente e, a partir de 2016, ampliado a participação de mulheres para 50% dos convidados. Nos últimos dois anos, a Flip tem apresentando ao público brasileiro nomes que não se circunscrevem a determinado país ou etnia, mas, sim que refletem o novo cenário multicultural da literatura contemporânea.
– Nós tivemos, em 2017 e 2018, com a curadoria da Joselia Aguiar, uma série de inovações na Flip, apresentando novos autores ao leitor brasileiro e reforçando o caráter artístico da Flip, uma de nossas premissas desde a primeira edição – conta Mauro Munhoz.
Durante a Flip 2019 a ocupação dos espaços públicos se estenderá por todo o território de Paraty. Depois de 2018, quando a Festa Literária teve um grande aumento de casas parceiras – batendo um recorde –, novas parcerias foram articuladas e essas programações se tornaram um eixo importante de conteúdo. Nesse sentido, um dos grandes investimentos para a 17ª edição foi a criação de uma comunicação integrada de todos os espaços por meio deste novo site, que informará as ações da programação paralela de forma inédita. Até o momento, estão confirmadas 22 casas parceiras, mesmo número de 2018.
As casas e programações parceiras confirmadas são Barco Holandês; Barco Flipei; BiblioSesc; Caminhão EDP; Casa CMPC; Casa da Literatura; Casa das Mulheres Negras Insubmissas; Casa de Não Ficção; Casa dos Povos; Casa Europa; Casa Folha; Casa Helvetia; Casa IMS; Casa Libre & Santa Rita da Cássia; Casa PANC para TI; Casa PublishNews; Casa Submarino; Casa TAG; Casa Tyiwaras Tikunas; Edições Sesc; Sesc Caborê; e Sesc Santa Rita. A programação completa das casas parceiras será divulgada ao longo dos próximos meses.
A edição deste ano contará com a presença de 33 escritores de 10 nacionalidades diferentes. A programação terá 21 mesas, algumas delas com duração de 1h15, outras com 45 minutos e poderão ser no formato conferência, performance ou entrevista. O título das mesas faz referência ao livro Os Sertões e seus cenários.
A conferência de abertura da Flip 2019 ficará a cargo de Walnice Nogueira Galvão, especialista na obra de Euclides da Cunha e que ganhou o título de Canudos. Entre as presenças já confirmadas estão a escritora e cordelista Jarid Arraes; o dramaturgo Zé Celso Martinez Corrêa; a cantora Adriana Calcanhotto; o quadrinista Marcelo D’Salete; o rapper e romancista nascido no Burundi e radicado na França, Gaël Faye; a autora venezuelana radicada em Madri, Karina Sainz Borgo; entre outros.
Os ingressos para a Flip começam a ser vendidos em 3 de junho e devem custar R$ 55, mas haverá uma série de eventos gratuitos.

Sobre o Homenageado
Filho de um casal de agricultores, Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha ficou órfão de mãe aos três anos. Ao longo da infância e da adolescência viveu em casa de familiares até mudar-se para o Rio de Janeiro, então capital do Império. Teve aulas com Benjamin Constant, militar republicano que seria um dos artífices da proclamação da República.
Em 4 de novembro de 1888 tenta quebrara baioneta do ministro da Guerra, Tomás Coelho, em protesto contra a monarquia. Excluído do Exército, muda-se para São Paulo, onde começa a colaborar com A Província de São Paulo (hoje O Estado de S. Paulo), jornal criado em 1875 para defender as ideias republicanas.
Com a proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, Cunha é reconduzido ao Exército, promovido a alferes-estudante, e passa a colaborar na Gazeta de Notícias, jornal do Rio de Janeiro. Em janeiro de 1890 matricula-se na Escola Superior de Guerra e é promovido a Segundo Tenente. Em setembro, casa-se com Ana Ribeiro, filha do General Solon Ribeiro, militar atuante na proclamação da República.
Em 1893, como engenheiro, trabalha na construção da Estrada de Ferro Central do Brasil. Três anos depois, deixa o Exército e volta a viver em São Paulo. Em março de 1897 publica no O Estado de S. Paulo os artigos “A nossa Vendeia”, sobre a guerra em Canudos. Viaja como correspondente da guerra, onde testemunha os últimos momentos do conflito, escrevendo artigos e recolhendo observações.
O livro seria publicado pela primeira vez em 1902, com excelente recepção de crítica e de público. A obra valeu também o ingresso do autor na Academia Brasileira de Letras e no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.
Em 1904 é indicado para membro da Comissão de Reconhecimento do Alto Purus, que o nomeia chefe da Comissão. Em 13 de dezembro parte para o Amazonas. De volta ao Rio de Janeiro no início de 1906 toma posse na Academia Brasileira de Letras. Publica Contraste e confrontos, coletânea de artigos. Em setembro de 1907 publica Peru versus Bolívia. Termina a redação de À margem da história, que sairia como livro póstumo.
Sua mulher, Ana, com quem teve três filhos, aos 33 anos iniciou um romance com Dilermando de Assis(1888-1951), de dezessete anos, com quem tem dois filhos registrados pelo autor de Os sertões. Com o regresso de Cunha, em 1906, Dilermando parte para Porto Alegre, sua cidade natal, de onde retorna dois anos depois, como tenente e volta a encontrar-se com Ana. O casal é surpreendido por Euclides que, armado, tenta matá-los, mas acaba morto por Dilermando, em legítima defesa, aos 46 anos. Dilermando, absolvido por júri popular, apesar de massacrado pela imprensa da época, chega a general e publica obras como A tragédia de Piedade, sua versão sobre o crime. Ana e ele permanecem casados por 17 anos e têm quatro filhos.

Serviço:
A 17ª edição da Flip – Festa Literária Internacional de Paraty, que acontece de 10 a 14 de julho, irá homenagear Euclides da Cunha. A programação completa, ingressos, dicas sobre Paraty e mais informações sobre o evento podem ser encontrados no https://www.flip.org.br/.


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