Expandindo as fronteiras do Universo

by Diário do Vale

Universo: Galáxias como grãos de areia

Vivemos num Universo tão vasto que nem dá para imaginar sua extensão. O conhecimento deste Cosmos imenso foi uma das grandes conquistas da humanidade. Mas não aconteceu de uma hora para outra. Houve uma época, há dois mil anos atrás, em que os seres humanos acreditavam que o mundo era um pizza chata, coberto por um domo de cristal onde ficavam as estrelas. Existe uma gravura medieval, muito interessante, que mostra um viajante chegando nas fronteiras do mundo plano. E observando os mecanismos de relojoeiro que faziam a lua e o Sol se movimentarem no céu.

A primeira mudança aconteceu na época renascentista. Há uns quinhentos anos atrás. Quando cientistas como Galileu usaram uma nova invenção, o telescópio, para observar aqueles pontinhos de luz no céu estrelado. E descobriram que eles eram mundos cercados por sistemas de luas semelhantes >a Lua da Terra. Acabaram perseguidos pelas autoridades religiosas ao afirmarem que a Terra e os planetas giravam ao redor do Sol e não o contrário.

Por volta do século dezenove, há pouco mais de 150 anos, o aperfeiçoamento dos telescópios tinha revelado a existência de novos planetas, como Urano e Netuno. E mostrara que vivíamos dentro de um imenso aglomerado de estrelas, chamado galáxia, onde o Sol era apenas uma entre milhões de outras estrelas.

Foi mais ou menos nesta época que os astrônomos perceberam umas nuvens circulares que pareciam feitas de gases esbranquiçados. Algumas tinham formas de elipse, outras pareciam lentes achatadas. Uma delas era a Nebulosa de Andrômeda, que o leitor poderá observar a olho nu se for para um lugar escuro, longe das luzes ofuscantes das nossas cidades. Para a maioria dos astrônomos essas  nebulosas eram nuvens de gás situadas dentro da nossa galáxia, a Via Láctea. Nossa galáxia, diziam eles, ainda era única, o centro do Universo.

A coisa começou a mudar em 1912, quando o astrônomo Vesto Slipher estudou essas nebulosas com o espectrógrafo. E descobriu que todas elas tinham um alto desvio para o vermelho, mostrando que se afastavam velozmente de nós.

Em 1917 outro astrônomo, Heber Curtis, observou várias explosões de estrelas em Andrômeda. E percebeu que elas eram 10 vezes mais apagadas do que as explosões observadas em nossa galáxia. Com base disso ele deduziu que Andrômeda estava muito longe, a 150 mil parsecs de distancia. E propôs que se tratava de outra galáxia semelhante a nossa. A novidade provocou um grande debate em 1920, com o astrônomo Harlow Shapley defendendo a teoria antiga, de que as galáxias eram pequenas nuvens de gás dentro da Via Lactea. Enquanto seu oponente, Heber Curtis dizia que eram outras galáxias como a nossa, num universo muito mais vasto, com milhões de anos-luz de extensão.

A disputa terminou na década de 1930, quando o famoso Edwin Hubble usou o grande telescópio de 100 polegadas de Monte Wilson, na Califórnia, para mostrar que Andrômeda e outras galáxias eram nuvens de estrelas e não de gás. E com bases nas estrelas variáveis, as famosas Cefeidas, existentes nessas galáxias, ele determinou que elas estavam a milhões de anos luz da Terra.

Hoje, com os telescópios espaciais, como o Hubble e o James Webb sabemos que o Universo tem mais de 60 bilhões de anos luz de extensão. Com duzentos bilhões de galáxias e mais estrelas do que todos os grãos de areia em todas as praias do mundo. Para muitos seres humanos isso é uma ideia assustadora. E eles se refugiam no velho cosmos da antiguidade, negando a realidade e acreditando numa Terra pequena e plana. Onde os homens continuam a se matar, disputando pedacinhos de um grão de pó.

 

 

Jorge Luiz Calife

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