Famílias de jovens assassinados fazem manifestação neste sábado

Primeira audiência do caso Lorenzo acontece na próxima terça, no Fórum de Barra Mansa; principal suspeito continua preso e deve ir a Júri Popular

by Agatha Amorim

Lorenzo Eduardo e Maria Júlia serão lembrados na manifestação deste sábado. (Foto: Reprodução Redes Sociais)

Barra Mansa – A Praça da Matriz, no Centro de Barra Mansa, vai ser palco na manhã deste sábado (11), a partir das 10h30, de uma manifestação contra a violência, a favor da paz e em memória de jovens que foram tirados de suas famílias abruptamente. Organizado por Milton Leonardo Avelino, o evento contará com a presença de pais que perderam seus filhos de forma violenta e criminosa. Ele mesmo, por exemplo, perdeu seu único filho, de apenas 19 anos, no dia 31 de março deste ano. Lorenzo Eduardo Terra Avelino foi encontrado morto dentro de sua casa, no bairro Nova Esperança.

Vítima de agressão feita por objeto contundente e de forma cruel, o jovem trabalhava para realizar um de seus grandes sonhos: viajar ao exterior. Apesar de muito novo, o rapaz já acumulava as profissões de técnico em administração de empresas, torneiro mecânico, eletricista industrial e soldador. De acordo com Milton Avelino, Lorenzo trabalhava por conta própria desde os 15 anos de idade, gostava de ir à igreja e tinha um louvor predileto.

“Ele estava na melhor fase da vida. Foi vítima da inocência”, disse o pai do rapaz em entrevista ao DIÁRIO DO VALE na noite desta quinta-feira (9).

De acordo com as investigações tornadas públicas à época, Lorenzo foi morto por uma pessoa conhecida, próxima a ele e em quem confiava a ponto de abrir a porta de casa. O suspeito está preso desde o dia 14 de abril. Inicialmente, foi indiciado por latrocínio – roubo seguido de morte. Com o andamento das investigações, porém, a tipificação criminal foi alterada para homicídio qualificado – crime pelo qual responderá diante da Justiça nesta terça-feira (14), no Fórum de Barra Mansa.

O temor de Milton Avelino é que as leis acabem, de alguma forma, beneficiando o suspeito de ter matado seu filho. “A pessoa estupra uma criança, queima, e a sentença dela é o quê? Vinte, vinte e dois anos”, disse, citando o caso de Elize Matsunaga, que em 2012 matou e esquartejou o próprio marido. “Ela foi condenada a 20 anos e foi solta em condicional porque a defesa conseguiu derrubar as qualificadoras do homicídio que cometeu”, recordou Milton, acrescentando que, em sua opinião, as leis para quem comete crimes deveriam ser mais duras. “Precisamos de leis mais eficientes. Estamos falando de vidas que foram interrompidas pela violência. Hoje, você liga a televisão e vê um pai chorando, uma mãe chorando. O que temos são leis que favorecem gente que causa uma dor permanente nas famílias”, completou.

 

Solidariedade na dor

Lorenzo Eduardo e Maria Júlia serão lembrados na manifestação deste sábado. (Foto: Reprodução Redes Sociais)

Outra jovem a ser lembrada na manifestação deste sábado é Maria Júlia Oliveira, de 16 anos. Ela foi assassinada dentro de casa, no bairro Piteiras, em outubro de 2019. O suspeito do crime era seu vizinho, de 22 anos, conhecido por ser uma pessoa agressiva. Ele foi preso em dezembro daquele ano, em Angra dos Reis, e indiciado por homicídio qualificado. Maju, como era conhecida, foi estrangulada dentro da casa em que vivia com os pais e o irmãos.
Destroçada, a família reuniu forças para continuar a vida. E encontraram sentido ao expressar solidariedade a outros pais que passam pela mesma dor. Foi o caso de Milton, que recebeu dos pais de Maria Júlia apoio e ombro amigo quando Lorenzo foi morto.

No sábado, ambas as famílias estarão na Praça da Matriz lembrando seus filhos queridos e pedindo paz. Milton reforça que a manifestação é aberta a todos os pais que sofreram esta perda.

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1 comment

guto 10 de novembro de 2023, 14:07h - 14:07

As leis no Brasil servem para satisfazer os bandidos, o pobre policial prende um assassino e depois de alguns meses ele está solto.

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