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FAO alerta para desafio mundial de enfrentar o desmatamento

Matéria publicada em 8 de julho de 2018, 08:18 horas

 


Enfrentar a proliferação de espécies exóticas e a expansão urbana é desafio do Parque da Tijuca

No meio: Parque da Tijuca é uma das preciosidades naturais do Rio de Janeiro
(Fernando Frazão/Agência Brasil)

Rio –¬†O desmatamento √© um dos principais desafios da Am√©rica Latina, segundo a publica√ß√£o O Estado das Florestas no Mundo de 2018, divulgado pela Organiza√ß√£o das Na√ß√Ķes Unidas para Alimenta√ß√£o e Agricultura (FAO).
De acordo com o estudo, √© fundamental conservar as √°reas urbanas protegidas. No caso do Brasil, o destaque √© para o Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro. Com 4 mil hectares, o parque foi declarado paisagem cultural Patrim√īnio da Humanidade pelo Unesco em 2012.
A FAO, no documento, ressalta que, para enfrentar a prolifera√ß√£o de esp√©cies ex√≥ticas e a expans√£o urbana, o parque foi reflorestado com √°rvores nativas e foram constru√≠das infraestruturas recreativas para envolver a comunidade local e aumentar a conscientiza√ß√£o sobre a import√Ęncia da prote√ß√£o das florestas urbanas.
Desde 1999, o parque √© administrado conjuntamente pela Prefeitura do Rio de Janeiro e pelo Minist√©rio do Meio Ambiente. Cerca de 2,5 milh√Ķes de pessoas visitam o parque todo ano. A Mata Atl√Ęntica foi restaurada e transformada em santu√°rio para uma diversidade de esp√©cies end√™micas.

Redução

Ao lado da queima de combust√≠veis f√≥sseis, o desmatamento est√° entre as principais causas das mudan√ßas clim√°ticas, representando quase 20% das emiss√Ķes de gases de efeito estufa. Pelo estudo, no per√≠odo de 1990 e 2015, a √°rea florestal mundial diminuiu de 31,6% da √°rea terrestre do mundo para 30,6%.
O aspecto positivo √© que o ritmo de perda foi abrandado nos √ļltimos anos. A maior parte desta perda ocorreu na √Āfrica subsaariana, na Am√©rica Latina e no sudeste da √Āsia.
Nos lugares em que a demanda de carv√£o vegetal √© alta, sobretudo na √Āfrica Subsaariana, Sudeste da √Āsia e Am√©rica do Sul, sua produ√ß√£o exerce press√£o nos recursos florestais e contribui para a degrada√ß√£o e desmatamento, especialmente quando o acesso √†s florestas n√£o est√° regulamentado.

An√°lise

O estudo da FAO informa que a propor√ß√£o de pessoas que depende de lenha varia de 63% na √Āfrica a 38% na √Āsia, e 16% na Am√©rica Latina. Apenas 9% da √°rea florestal da Am√©rica do Sul √© manejada com o objetivo de proteger o solo e a √°gua, bem abaixo da m√©dia global de 25%.
De acordo com o relat√≥rio, as florestas manejadas para a conserva√ß√£o dos solos e das √°guas t√™m aumentado em todo o mundo nos √ļltimos 25 anos, com exce√ß√£o da √Āfrica e da Am√©rica do Sul.
As florestas e as árvores fornecem cerca de 20% da renda das famílias rurais nos países em desenvolvimento. No entanto, de acordo com o relatório, existe uma forte relação entre as áreas de cobertura florestal extensiva e as altas taxas de pobreza: no Brasil, por exemplo, pouco mais de 70% das áreas de florestas fechadas (densas, com grande cobertura de copa) apresentavam taxas de pobreza elevadas.

Pobreza

O estudo menciona ainda que, na Am√©rica Latina, 8 milh√Ķes de pessoas sobrevivem com menos de 1,25 d√≥lares por dia nas florestas tropicais, savanas e seus arredores. Mundialmente, mais de 250 milh√Ķes vivem abaixo da linha de pobreza extrema nessas √°reas: 63% est√£o na √Āfrica, 34% na √Āsia e apenas 3% na Am√©rica Latina.
Apesar de a participação da América Latina no total global ser baixa, cabe destacar que a grande maioria (82%) das pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza nas áreas rurais da América Latina vivem em florestas tropicais, savanas e seus arredores.
Com um total de 85 milh√Ķes de pessoas vivendo em florestas tropicais, savanas e em seus arredores na Am√©rica Latina, cuidar das florestas ser√° um fator-chave para avan√ßar rumo aos Objetivos de Desenvolvimento Sustent√°vel (ODS).
As informa√ß√Ķes s√£o da Ag√™ncia Brasil.

Falta apoio: Preservar o meio ambiente é uma das metas dos países latinos РFoto: Paulo Dimas

Latinos usam criatividade para preservação ambiental

A Organiza√ß√£o das Na√ß√Ķes Unidas para Alimenta√ß√£o e Agricultura (FAO), no estudo O Estado das Florestas no Mundo de 2018, cita al√©m do Brasil, Guatemala, M√©xico e Costa Rica como exemplos de pa√≠ses que buscam alternativas para conscientizar a sociedade sobre a necessidade de preserva√ß√£o ambiental e combate ao desmatamento;
O relatório da FAO informa que na Guatemala, em que 70% das terras florestais estão sob algum tipo de proteção, as empresas florestais comunitárias gerenciam mais de 420 mil hectares dentro da Reserva da Biosfera Maia.
A Guatemala concedeu a essas empresas concess√Ķes florestais. Em um ano (2006 a 2007), estas institui√ß√Ķes obtiveram receitas de 4,75 milh√Ķes de d√≥lares pelas vendas de madeira certificada e 150 mil para a venda de produtos florestais n√£o-madeireiros.
Segundo o estudo, as empresas guatemaltecas geraram mais de 10 mil empregos diretos e uns 60 mil indiretos. Além disso, pagavam aos trabalhadores mais que o dobro do salário normal (Instituo de Recursos Mundiais, 2008).

Comunidades

A partir de 1997, no México começou um programa destinado às comunidades com o objetivo de incentivar a criação de empresa florestais. Atualmente há mais de 2.300 grupos comunitários manejam suas florestas para a extração de madeira, o que gera importantes rendas para as comunidades e as famílias.
As autoridades da Costa Rica investiram no ecoturismo. S√≥ 2016, 2,9 milh√Ķes de turistas estrangeiros visitaram o pa√≠s, dos quais 66% disseram ter ido em busca de passeios e atividades ligadas √† natureza.
No caso da Costa Rica, os turistas gastaram em m√©dia US$ 1.309 por pessoa, gerando para o pa√≠s de US$ 2,5 bilh√Ķes, apenas com atividades ligadas ao turismo de natureza. Este tipo de atividade √© equivalente a 4,4% do Produto Interno Bruto (PIB) da Costa Rica.

 

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