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Felinos infectados por doença contagiosa preocupam moradores

Matéria publicada em 11 de novembro de 2018, 13:25 horas

 


Vigilância em Saúde Ambiental em Barra Mansa realiza exame em laboratório quando solicitado pelo dono do animal

Animais doentes estão sendo abandonados em bairros de Barra Mansa (Foto: Roze Martins)

Barra Mansa – Uma doença considerada terrível por quem tem pets em casa, a esporotricose está preocupando moradores dos bairros Nova Esperança e Roselândia por conta da presença de gatos em situação de abandono e infectados pela doença. Causada pelo fungo Sporotrix Schenkii, a esperotricose pode afetar diversos animais, incluindo cachorros e gatos e também pode ser transmitida ao ser humano. Nos últimos dias a permanência de uma gata com a doença se tornou uma preocupação para a família da dona de casa Luiza Terra, que mora no Nova Esperança. De acordo com ela, o animal apareceu em seu quintal há alguns dias, com muitas feridas no rosto e aparentando sentir muita dor. Ao entrar em contato com uma clínica veterinária, ela foi informada de que o animal estaria infectado pela esporotricose e que o recomendável, no estágio da doença em que a gata se encontra, seria sacrificá-la.

-Não tenho animais, mas acho uma covardia as pessoas soltarem na rua o bichinho quando ele adoece. Essa gata apareceu no meu quintal, com muita dor, tem dificuldade para respirar e para enxergar. É de cortar o coração. A doença já está avançada e na clínica veterinária para onde liguei me informaram que o ideal é sacrificá-la e cremar, já que não pode ser enterrada pois a doença contamina o solo – contou a dona de casa, ao informar que o valor cobrado pelo serviço é de R$ 350,00 pela clínica, que é particular.

De acordo com Luiza, por ser uma doença contagiosa, tanto para humanos como outros animais, a preocupação da família era de que a gata permanecesse por muito tempo no quintal, onde além de crianças também tem pessoas idosas como sua mãe, de 88 anos. Por não ser a dona do animal, ela explica que buscou ajuda nas redes sociais para solucionar o problema e foi surpreendida por uma amiga que mora fora do país, mas que fez questão de custear o sacrifício da gata por se solidarizar com o sofrimento do animal.

-A gata não é nossa e está passando todas as noites com a cachorra da minha mãe. Nosso medo é ela arranhar e contaminar a cachorrinha e também as outras pessoas que moram no quintal. Não podemos nos comprometer com o tratamento de um animal que não é nosso e que está com uma doença avançada, então a saída vai será recorrer ao indicado pela veterinária – disse.

Morador do bairro Roselândia, o autônomo Alexandre Corrêa também está preocupado com um gato nas mesmas condições e que, segundo ele, tem ficado próximo a sua casa. Ele conta que o animal está com o rosto desfigurado por conta da doença e que, ao que tudo indica, foi abandonado no local. Ele, que tem dois cachorros, diz que tem evitado passear com os animais na rua, temendo que os mesmo sejam infectados pela esporotricose. Outro cuidado, segundo ele, tem sido com as crianças, que ele vem orientando para não se aproximarem do felino.

-Pelo que pesquisei parece que a transmissão dos gatos para os humanos é mais comum do que de cachorros para humanos. Meu medo é as crianças chegarem perto dele e ele arranhá-las, já que está bem arisco. O mesmo acontece com os cachorros. Tenho evitado sair com eles na rua para impedir qualquer tipo de contato. Com certeza, esse gato tem dono, mas infelizmente está nessas condições de abandono e colocando em risco a saúde de outros animais e humanos por pura negligência e falta de interesse de buscar um tratamento – lamenta Alexandre.

Doença tem cura

Conforme explica o veterinário Rômulo Guimarães da Fonseca, a esporotricose é um fungo também conhecido como doença da “Roseira” porque, além do arranhão e mordida do gato, pode ser transmitida por espinhos de roseiras e por contato com vegetais ou alguma matéria orgânica em decomposição. Ele explica que realmente é uma doença que merece cuidado, no entanto que tem tratamento e que pode ser curada.

-Sou obrigado a concordar que se houver um ou mais gatos nas ruas com a doença aumenta o risco e a facilidade de outros pegarem, no entanto, o mais indicado é o tratamento e não o sacrifício, por se tratar de uma vida. É uma doença que precisa ser curada com um acompanhamento regrado, com muito cuidado e paciência, como toda doença de pele, e que pode durar dois, três, quatro e até oitos meses – esclareceu o veterinário, ao indicar que em casos de animais abandonados, o ideal seria os moradores se organizarem na comunidade para buscar o tratamento veterinário para o animal.

Esse tratamento, de acordo com Fonseca, requer cuidados especiais por parte do profissional que, além de luvas especiais, deve se prevenir para que não seja arranhado pelo gato e também desinfetar todo o local onde o animal foi atendido, como forma de evitar a contaminação de outros pets. Ele explica ainda sobre a importância do diferencial no diagnóstico da doença, uma vez que os sintomas da esporotricose podem ser confundidos com a Leishmaniose e Herpes.

-O diagnóstico correto deve ser feito com raspagem de pele, citologia em laboratório e até por biopsia, se necessário, separando o fungo encontrado para se ter a certeza do que realmente é. É válido lembrar que as lesões desse tipo de doença possuem diferentes aspectos, podendo ser lesões cutâneas, que só aparecem uma ferida pequena com risco de se agravar, virando o estágio em que as úlceras ficam visíveis na orelha, no dorso e em volta dos olhos. Tem ainda as modulares, que afetam o sistema linfático, e o último estágio que é a disseminação dos fungos pelo corpo todo – finalizou o veterinário

Vigilância Ambiental afirma que a doença é grave

Por meio de nota enviada pela assessoria de comunicação da prefeitura, a Vigilância em Saúde Ambiental de Barra Mansa confirmou que a esporotricose é uma grave micose que ataca várias espécies animais, mas principalmente os gatos, e pode ser transmitida para os humanos.  O órgão explicou que a infecção geralmente ocorre através de feridas com materiais contaminados pelo fungo, como espinhos ou outros corpos estranhos penetrantes, ou por vetores, como pulgas e formigas.

O órgão reafirmou que a doença é grave, mas que tem cura se o animal receber o tratamento adequado logo que aparecer os sintomas. A Vigilância em Saúde Ambiental também explicou que realiza o exame em seu laboratório quando solicitado pelo dono, no entanto, quando detectada a doença o tratamento é feito pelo mesmo. O órgão informou ainda que se animal vir a óbito a orientação é para que um veterinário faça incineração dos animais para que os fungos não se espalhem.

A Vigilância em Saúde Ambiental funciona na Rua Getúlio Borges Rodrigues, 210, bairro Boa Sorte, de segunda a sexta-feira das 8 às 17 horas. O telefone da unidade para dúvidas e informações é o (24) 3326-258.


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5 comentários

  1. Oh cambada de fdp essa doença tem cura e se trata de uma vida por o animal em um gaiolao faz uma vaquinha e leva ao menos em uma consulta … o tratamento é simples porém requer paciência pois é demorado …. acho engraçado pq como o animal ñ é de vcs ngm.quer ter a responsabilidade de salvar uma vida, quer jogar nas costas das ONGs etc… agora.para pra pensar se fosse um animalzinho querido de vcs ? Iriam soltar na rua ?

  2. VR não acontece nada de ruim. Dá uma passeada no Santa Cruz, que teve mulher assassinada e outra no hospital, Açude, Vila Brasília, Vale Verde, etc etc etc.

  3. Amigos de Barra Mansa, prepare uma comidinha e coloque nela Paracetamol, moa o comprimido, mistura lá. Logo estarão colhendo os frutos, ou melhor, enterrando.

  4. Barra mansa e Angra, dois locais que são imãs de coisas ruins.

    • Concordo. Bom mesmo é Volta Redonda, onde os homens saem para trabalhar e as mulheres são papadas pelo resto da região. Cornolândia, a melhor!

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