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Força Tarefa vai criar a ‘Rede Mulher’ em VR

Matéria publicada em 2 de fevereiro de 2020, 11:50 horas

 


Prefeitura, delegacia, Ministério Público vão se unir para evitar que vítimas desistam de denúncias

Reuniões buscam maior integração entre forças de segurança em Volta Redonda-Foto: Divulgação

Volta Redonda- Em entrevista exclusiva ao DIÁRIO DO VALE, a nova titular da Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam) de Volta Redonda, Waleska Garcez, anunciou a criação da “Rede Mulher”. A força tarefa que vai compor a rede se reuniu recentemente para traçar as estratégias de trabalho, que vão contar com a Secretaria de Políticas para Mulheres, Idosos e Diretos Humanos (SMIDH), Ministério Público, e a Patrulha Maria da Penha da Polícia Militar. O objetivo é garantir que mulheres vítimas de violência doméstica tenham atendimento ainda mais especializado.

Segundo a delegada, dezenas de casos de violência doméstica chegam até a Deam diariamente, mas nem sempre são encaminhados para a Secretaria de Políticas para Mulheres. Waleska Garcez está à frente da Deam desde o dia 6 de janeiro e, desde então, tem feito levantamentos na unidade para tomar conhecimento sobre a quantidade de inquéritos abertos. Ela pretende que as denúncias sejam seguidas de atendimento, para baixar o número de desistências, quando a vítima retira a queixa.

Waleska Garcez afirmou que todos os envolvidos se comprometeram a trabalhar em conjunto, também através de um grupo fechado de aplicativo de conversas, onde receberão simultaneamente detalhes dos casos mais graves que chegam até a Deam.

– Descobri que os números de registros feitos na Deam não são os mesmos em relação aos casos que chegam à Casa da Mulher. Os números não estão batendo. Por exemplo: dez mulheres chegam à Deam para registrar uma denúncia e só duas são atendidas na Casa da Mulher. Por que elas não estão sendo encaminhadas? Os casos mais graves, em que a gente entende que essa mulher necessita de um atendimento diferenciado, seja por risco de morte ou assistência psicológica, serão imediatamente encaminhados para a Casa da Mulher da SMIDH. Com isso, a Casa da Mulher vai tomar conhecimento e ter todos os dados necessários para que esta mulher seja atendida da melhor forma possível, assim que fizer o registro na delegacia disse ela, para emendar:

– A Patrulha Maria da Penha da Polícia Militar vai agendar um atendimento e fazer uma vista na casa dessa família também. Nós fazemos o registro, mas não temos como fazer esse controle o tempo todo, mas a Casa da Mulher e a Patrulha Maria da Penha, sim. Eles podem fazer essa visita e acreditamos que dará certo – explicou.
A falta de apoio, disse a policial, muitas vezes acaba provocando a desistência de uma vítima que teve a coragem de denunciar.

– Muitas mulheres, após não suportarem os maus tratos que recebem de um companheiro ou ex-companheiro, tomam coragem e conseguem chegar até a Deam para registrar a violência. Infelizmente, muitas mudam de ideia, dizem que têm medo de serem mortas – disse.

De acordo com Waleska Garcez, após três meses, todos os órgãos envolvidos se encontrarão para um balanço. “Durante o encontro, foi decidido que daqui a três meses iremos nos reunir novamente e fazer um levantamento dos resultados após esse trabalho em conjunto. Estamos muito empenhados e acreditamos que será muito benéfico para a população”, completou.

Eventos também no alvo

Waleska Garcez também participou na tarde de quarta-feira, dia 29, de outra reunião, dessa vez na prefeitura de Volta Redonda, junto a representantes do Conselho Tutelar I e II. O secretário da (Sesp) Secretaria Extraordinária de Segurança Pública, coronel Goulart, também esteve presente, assim como representantes do 28º Batalhão da PM.
Segundo a delegada, durante o encontro, diversas pautas foram abordadas. Entre elas, a realização dos chamados ‘Isoporzinhos’, que serão monitorados mais de perto.

– A reunião foi produtiva. Conversamos sobre uma nova força tarefa, voltada para eventos no município. Um tema muito falado foi sobre um encontro que vem acontecendo no município, conhecido como “Isoporzinho”. Estamos atentos e trabalharemos em conjunto. Nessa força tarefa, estaremos acompanhando tudo de perto e nos comunicaremos através de um grupo em um aplicativo de conversa. Lá, discutiremos todas as demandas. Estamos nos organizando – disse ela.

A delegada explicou como será a tarefa de cada um: “O Conselho Tutelar tem como objetivo reprimir o consumo de bebidas alcoólicas e uso de drogas por menores. A Guarda Municipal se prepara para fazer o reboque de veículos estacionados em locais proibidos, além da postura. A PM vai agir em cima de possíveis infratores e irá conduzi-los até a delegacia. A Deam também faz parte dessa força tarefa. Ficamos na sede e a nossa atividade é a apuração após o fato. Como a PM atua ‘in loco’, se encontrar alguma situação em que uma mulher estiver em situação de vulnerabilidade, bebendo e com isso, correndo risco de agressão e estupro, estaremos acompanhando o caso e esse agressor será encaminhado para a Deam – explicou.

Por Pollyanna Moura


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