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Gargalo da Serra das Araras sem prazo para ser resolvido

Matéria publicada em 25 de agosto de 2019, 10:00 horas

 


TCU recomenda que obra somente seja feita após novo processo de licitação da Via Dutra

Carga de vergalhões caiu de caminhão e deixou a Via Dutra interditada (Foto: Cedida pela PRF)

Sul Fluminense – Mais do que nunca a semana que passou foi marcada por acidentes no trecho da Via Dutra que corta a Serra das Araras, no Sul Fluminense. Pelo menos três registros da Polícia Rodoviária Federal indicam que a rodovia teve de ser totalmente fechada ou colocada para operar em meia pista entre a segunda e a quinta-feira. Além de exigir paciência de quem vai trafegar pelo local, estes casos causam prejuízos materiais, humanos e ambientais. Cargas ficaram espalhadas, ao menos uma vítima ficou presa na ferragem e houve risco iminente de material contaminado atingir mananciais de água. O pior: não há prazo para esse caos acabar.

O DIÁRIO DO VALE entrou em contato durante a semana com a assessoria da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), para saber como andava o projeto de duplicação do trecho da serra. A resposta é desalentadora para quem precisa passar pelo local, pois trouxe duas informações que ainda eram tratadas apenas informalmente. A primeira é que a NovaDutra nunca teve obrigação de fazer a tão sonhada obra, ao contrário do que foi ventilado diversas vezes. “Primeiramente, cabe enfatizar que a obra da Serra das Araras NÃO é uma obrigação contratual, pois não está prevista no contrato de concessão da NovaDutra”, disse a agência, logo no início da nota enviada ao jornal.

A segunda é ainda mais desanimadora para quem sonha em andar em uma pista mais larga, com risco menor de acidente. De acordo com a ANTT, há uma recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU) para que a obra não seja iniciada até que se encerre o contrato atual de concessão com a NovaDutra. Isso ocorrerá somente em 2021, quando há previsão de uma nova licitação. Até lá, o TCU pediu que a realização da obra seja incluída oficialmente no futuro acordo de privatização da Via Dutra.

A ANTT explicou que a possibilidade das obras acontecerem ganharam força em 2016, mas que a burocracia e a falta de acordo sobre como a NovaDutra seria compensada pelos serviços emperraram as negociações. “Em 2016 foram feitas duas audiências públicas, no Rio de Janeiro e São Paulo, onde foram apresentados cinco cenários de novos investimentos para inclusão das obras da Serra das Araras no contrato de concessão da Concessionária NovaDutra. Os estudos técnicos realizados apontaram pela necessidade das obras, e os respectivos impactos tarifários”, destaca a nota.

A agência ainda frisou na nota quais foram as opções apresentadas para que a duplicação pudesse ser iniciada. “De acordo com o contrato de concessão firmado com a NovaDutra, caso fosse incluída a nova obrigação das obras da Serra das Araras, a recomposição do equilíbrio econômico-financeiro poderia ser realizada por aumento na tarifa de pedágio, extensão de prazo ou aporte de recursos. No caso da Dutra, a forma mais indicada, na visão técnica da Agência, seria a extensão de prazo”.

Se começasse hoje, obra ficaria pronta em 2023

Ou seja, a opção mais viável tecnicamente na visão da ANTT é que a NovaDutra ganhasse um prazo maior de concessão para que as obras fossem enfim realizadas. E realmente teria de ser, pois o estudo técnico da CCR NovaDutra (concessionária que atualmente administra a rodovia) aponta que se a construção das novas pistas fosse autorizada hoje, a obra estaria concluída em 44 meses. As obras, neste caso, ficariam prontas somente perto de 2023, com tudo correndo dentro da normalidade e sem nenhum imprevisto. Como o contrato da NovaDutra se encerra em 2012, a situação está mais parada que engarrafamento na serra.

Algo difícil de imaginar pelo tamanho do projeto e pelo histórico climático da Serra das Araras. A proposta apresentada pela CCR NovaDutra à ANTT para remodelação da Serra das Araras saiu de 17 opções feitas por técnicos e especialistas. A versão escolhida prevê a construção de uma nova pista de subida e a transformação da atual pista de subida em pista de descida. O traçado seria melhorado, diz a concessionária, com a eliminação de curvas perigosas. O projeto prevê 17 viadutos e pontes, totalizando pouco mais de seis quilômetros, além de um túnel de 430 metros de extensão.

No entanto, a nota enviada pela ANTT ao DIÁRIO DO VALE praticamente descarta que as obras comecem neste momento. “Depois das audiências, com as contribuições de todos os grupos de interesse (sociedade, autoridades, políticos, população, etc) a ANTT elaborou um parecer final. Com isso, a Agência concluiu todas as fases que são de sua responsabilidade. No entanto, segundo orientações do TCU, esta obra deve ser incluída apenas na nova licitação (em 2021, que é quando encerra o contrato atual com a CCR)”.

 

Trafegar pela Serra é como entrar no filme ‘De Volta Para o Futuro’

A Rodovia Presidente Dutra tem 433 quilômetros entre o Rio e São Paulo. É apontada pela Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) como a rodovia com maior número de acidentes por km no estado. E o trecho mais propício a acidentes é justamente o que corta a Serra das Araras, que tem apenas oito quilômetros.

Muito por culpa do traçado, que foi inaugurado em 1928 por ordem do então presidente Washington Luís para compor a antiga estrada Rio-São Paulo. Desde então, quase nada mudou neste pequeno pedaço da estrada. Trafegar pela serra é como entrar numa máquina do tempo, como no filme adolescente “De Volta Para o Futuro”.

Na trama, um jovem está no presente, em 1985, e a volta ao passado, na década de 60, onde fica preso com uma máquina do tempo, um carro. E tem de voltar para sua vida normal. Daí o nome, De Volta para o Futuro.

Em uma comparação simples, quem segue por Piraí e vê as melhorias feitas na estrada ao longo dos anos está no presente, mas rapidamente se vê no “passado” ao iniciar a descida da serra, onde quase tudo é como na década de 20. A volta para o “futuro” só acontece quando o motorista está chegando em Paracambi, entrando na Baixada Fluminense, onde as obras da NovaDutra surtiram algum efeito nas melhorias do tráfego. Isso, claro, se o motorista não ficar “preso no passado”. Como Marty McFly no filme.

 

A semana de acidentes na Serra das Araras

Acidente 1 – Acidente com vítima

Segunda-feira – 19/08

Colisão traseira entre caminhões

KM 223, na pista de descida

Vítima presa às ferragens

Meia pista entre 06:40  até início da tarde

Oito quilômetros de congestionamento (a Serra tem oito quilômetros)

Acidente 2 – Prejuízo material

Quarta-feira – 21/08

Carga de vergalhões espalhada na pista

KM 228, pista de subida

Sem vítima

Tráfego em mão dupla entre 8 horas e 15:30

Congestionamento ao longo do período em toda pista

 

Acidente 3 – Risco ambiental

Quinta-feira – 22/08

Tombamento de carreta com carga perigosa

Final da descida da serra

risco de água residual contaminada com óleo atingir mananciais de água

 

Por Rafael de Paiva


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(O Diário do Vale não se responsabiliza pelos comentários postados via Facebook)

11 comentários

  1. Avatar

    Infelizmente o amigo acima está errado, tenho 50 anos, e as grandes obras no RJ foram feitas pelos milicos mesmo. Depois deles só tapa buraco.

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    estranho..governo passado nao rolou alguns emprestimos pra sair essa obra? nao foi feito audiencia pra tirar os moradores dessa regiao?

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    Resumindo, só quanto aumentar bastante o pedágio, no próximo contrato de concessão da Dutra, é que a pista de descida da Serra das Araras vai deixar de ser aquele esboço de um mega projeto em arquivo de computador.
    Se o governo fizesse um projeto mais simples para a descida de veículos pesados talvez a obra já estivesse em andamento.

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    Então tô achando que temos que ser incorporados ao ESTADO DE SÃO PAULO i icms ,ipva, comida ,roupas,e respeito que o estado do rio não tem.Pronto falei!

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    A solução a curto prazo seria limitar e monitorar, de forma proativa, a velocidade dos caminhões que descem a serra. Estabelece-se uma velocidade máxima abaixo da que existe hoje, principalmente para carretas… Medida simples mas que certamente surtiria efeito…

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    Se fosse para aumentar impostos, tarifas, pedágios, etc, isso seria resolvido em uma canetada só, mas aquilo que pode beneficiar o usuário, isso é insolúvel! Vou viver os anos que me restam descendo naquele desfiladeiro asfaltado, espremido por carretas gigantescas e convivendo com os engarrafamentos.

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    Muito estranho a posição da ANTT. Há muitos anos foi dito nos jornais que seria obrigação da Nova Dutra fazer as obras na descida. Agora de uns tempos para cá dissem que não é mais obrigação da concessionária. Gostaria que o Jornal conseguisse o contrato original da época sem falcatruas e divulgasse, o início, término e obrigações.
    Para mim tinha que acabar com ANTT, DNIT, cabide de empregos, turma que não rodam pelas estradas brasileiras para ver o sofrimento do pivô. Só viajam de avião.
    Estranho também no início da descida tem um posto da PRF que podia interceptar os caminhões em más condições, mas não faz.

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    Alfredo Magalhães

    Excelente matéria Diário do Vale!! Pena q o TCU não enxergue a dificuldade e sofrimento de quem passa nessa estrada a 35 anos todas as semanas. Acidentesve acidentes, vitimas fatais com vitimas fatais, muitas perdas de vidas e muitos prejuízos materiais e profissionais. A ANTT é um órgão criminoso e assassinos!!!

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      Não me espanta que as grandes obras do Rio de Janeiro e do Brasil foram feitas pelo governos militares, enquanto os politicos corruptos que arrotan a democracia e a constituição só fizeram ROUBAR o povo brasileiro e fluminense.

      Avante prwsudente Bolsonaro, entegue o País aos militares.

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      Apareceu o primeiro retardado pra lamber bota de miliciano em notícia onde não existe relação alguma com aquele verme

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      Tem que ser muito ingênuo pra achar que em governo militar não há corrupção simplesmente por ser militar. A única coisa que tenho visto é um esforço para acabar com a transparência das coisas, isso sim típico de ditadura.

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