quinta-feira, 6 de agosto de 2020

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Hospital Regional mostra potencial em meio à pior crise da saúde fluminense

Matéria publicada em 2 de junho de 2020, 08:08 horas

 


Unidade tem 229 leitos e se mostrou o mais estruturado em todo estado diante da pandemia do coronavírus

Hospital é referência para tratamento do coronavírus (Foto: Arquivo)

Sul Fluminense – O Hospital Regional Zilda Arns é referência em tratamento com pacientes com a Covid-19 e atende não só a região, como também a capital carioca e a Baixada Fluminense. Com 229 leitos, foi o único a manter vagas abertas para atender pacientes com problemas respiratórios graves decorrentes da doença.  Com a Baixada Fluminense e o Grande Rio à beira de um colapso na rede pública hospitalar, principalmente entre março e o meio de maio, o Zilda Arns tem servido para aliviar a pressão.

A unidade teve suas obras físicas entregues em dezembro de 2016. Concebido para atender aos municípios que compõem o Cismepa (Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paraíba), acabou tendo essa finalidade alterada depois de pronto, quando foi entregue ao Governo do Estado, que por sua vez terceirizou a gestão para uma Organização Social.

Idealizador do hospital e um dos principais articuladores para construção da unidade, o ex-prefeito de Volta Redonda Antônio Francisco Neto ressaltou que o hospital foi concebido para desafogar a rede hospitalar pública do Médio Paraíba.

– Não foi uma discussão fácil, pois era necessário alinhar custeio e perfil do hospital de maneira a atender todas as cidades, cada uma com sua realidade. O mais importante foi que todos os prefeitos tiveram dimensão da importância da obra, da iniciativa. Havia diferenças, mas principalmente um sentimento de que era necessário fazer. Todos os prefeitos da região, do início da obra até aqui, devem ser para sempre lembrados por esta obra – disse Neto.

Para o futuro, Neto ressaltou que é necessária uma rediscussão entre os próximos prefeitos que assumirem as cidades do Médio Paraíba.

“Acredito que seja necessário um olhar mais atencioso ao Hospital Regional. Todos viram bem o potencial que essa unidade tem. É hoje, sem dúvida, o melhor hospital público do estado do Rio em operação. Gostaria muito de ver esse hospital atendendo seus projetos originais, ajudando a desafogar rede pública de saúde da região, funcionando e parceria com universidades de medicina. Isso é possível, basta vontade e união”, disse Neto.

A ideia inicial

O Hospital Regional Zilda Arns foi pensado como uma unidade de média e alta complexidade, com 26.400 metros quadrados de área construída, sendo o maior hospital da região Médio Paraíba. A capacidade de atendimento ambulatorial é 7,5 mil pessoas por mês e tem ainda capacidade cirúrgica de sete mil procedimentos por ano, dentro do planejamento inicial. A unidade possui dois centros cirúrgicos com três salas para pequenas cirurgias e seis salas para cirurgias de média e alta complexidade, sendo uma sala equipada para transplantes, além de 229 leitos (132 de internação e 97 de UTI e UCI).

Engenheiro e administrador hospitalar responsável pelo empreendimento, Sebastião Faria afirmou que o  momento agora é de olhar para frente e pensar como a unidade poderá ser útil no processo pós-pandemia. “O Hospital deve ser aproveitado até se último recurso. É impensável ter problemas d eleito na região, com um hospital deste tamanho ao dispor das cidades”, disse Faria.

O engenheiro ressaltou que será preciso novamente convergir os pensamentos de todos os prefeitos da região no mesmo objetivo.

Ex-prefeito de Resende, José Rechuan foi escolhido pelo Governo do Estado para colocar o hospital em funcionamento logo após a conclusão das obras físicas e da inauguração. Foi um dos responsáveis por idealizar uma gestão compartilhada entre o Cismepa e universidades da área de saúde, que ganhou a simpatia de todos na época. No entanto, a partir das eleições municipais houve uma grande mudança de plano e o hospital acabou com a administração terceirizada, a cargo de uma Organização Social licitada pelo governo estadual.

Recursos

Ao relembrar a construção do Hospital Regional, Neto disse que a obra contou com recursos vindos das mais diversas esferas governamentais. “Tem recurso das prefeituras e muita coisa do governo do estado e da Alerj. Se eu fosse agradecer nominalmente todos, ficaria mais de uma semana falando nomes sem parar”, disse.

Neto recordou que havia duas grandes frentes de ação.

– Eu pedia muito. Era chato, mesmo. Eu fazia questão de levar os ministros, governadores, secretários de estado e deputados lá no canteiro de obras. Aí todos tinham a dimensão do que estava sendo feito e isso facilitava, pois havia uma equipe extremamente competente trabalhando no local. As pessoas conseguiam ver que o dinheiro público estava sendo bem empregado – destacou.

O Hospital recebeu a visita de diversas autoridades federais e estaduais. Após as visitas guiadas pelo engenheiro Sebastião Faria, havia sempre uma prestação de contas minuciosa de onde os recursos eram aplicados. E o “pulo do gato” vinha no que faltava para a conclusão.

– Nesta hora entrava o Neto, que já deixava encaminhado um almoço com comida árabe preparado pela dona Munira. Depois de ver tudo e conhecer tudo, os visitantes ainda iriam se sentar para comer um verdadeiro banquete. Ao final, depois da sobremesa, vinha a ‘conta’. Um pedido de recurso para ajudar na conclusão do hospital. Deu certo – disse Faria.


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12 comentários

  1. Avatar

    Politicagem de lado, é um ótimo projeto que deve ser gerido por pessoas capacitadas e ter um atendimento de excelência para a população da região.

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    Hospital de “referencia” com 328 óbitos ???? Me explica isso .. kkkk

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      Hospital trata, não faz milagres. Se só quem está no bico do urubu está indo para lá, é óbvio que vai ter mais casos de mortes.

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      Ministro, pra vc aprender, ser referencia é ter equipe especializada, medicamentos, estrutura e principalmente equipamentos para combater determinada doença. Isso o hospital tem.

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      Todo hospital tem mortes e muitas. Porém o COVID19 está matando muitas pessoas no mundo não sei se você sabe. Infelizmente muitas pessoas perderam parentes e amigos. Na verdade todos perdemos amigos ou conhecidos com COVID. Mas o Hospital, assim como toda equipe de saúde que lá trabalham aínda não fazem milagre. Que o HOSPITAL REGIONAL, fique a cada dia melhor para
      poder receber quem precisa tratar da Saúde. Que sejamos além de críticos, torcedores, para que as coisas mudem, para que todos tenhamos uma qualidade de vida melhor..

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    “Gostaria muito de ver esse hospital atendendo seus projetos originais, ajudando a desafogar rede pública de saúde da região, funcionando e parceria com universidades de medicina. Isso é possível, basta vontade e união”… A concepção do Neto é coerente, mas os demais prefeitos da região sempre pensaram que VR deveria bancar o hospital, simplesmente por estar em seu território. Ninguém quer levar o refrigerante, mas todos querem comer o bolo… Falta a universidade pública de medicina que se utilizaria do complexo e o tornaria viável na plenitude. Está na hora do Samuca cobrar isso do Witzel, já que VR tem contribuído muito com o estado mas recebido em troca nada além de casas de custódia e projetos de presídio. A UFF, que já tem um grande pólo na cidade, com dois campis e diversos cursos, poderia ser a mantenedora do curso de medicina. É uma área que sempre teve alta demanda de profissionais e agora ainda mais, o momento é mais que oportuno para se cobrar a vinda dessa faculdade pública de medicina…

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    Excelente matéria, ótima reportagem! O HR acabou ficando com a má fama de “pé frio” devido ao alto índice de letalidade entre seus pacientes, mas as pessoas se esquecem que todos os hospitais públicos da capital e da Baixada mandavam (e ainda mandam) para ali seus pacientes em estado mais grave, como quem quer se livrar de um “pepino”. O resultado disso é óbvio… Cidades da região com estrutura de saúde pública deficitária, como Barra Mansa, Pinheiral, Piraí e Barra do Piraí, têm no HR sua referência máxima, para onde enviam a maioria de seus pacientes mais graves… Volta Redonda, apesar de sediar a unidade, a utiliza muito pouco, assim como Resende, por serem as cidades do Sul Fluminense com a melhor rede de saúde, tanto pública quanto privada…

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    Tinha tudo para ser uma otima materia, mas comecou o puxa saquismo intenso e politicagem.

    Em vez de ficar falando de Politico X ou Y porque nao simplesmente mostrar o Hospital como ele eh e como ele deveria ficar e os planos para o futuro.

    Porque a palavra `Hospital Regional` aparece a mesma quantidade de vezes do que `Neto`, 11 vezes???
    Isto eh uma materia do hospital regional ou do Neto??????

    Ta ficando dificil esconder as intensoes hein diario do vale

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      Marcelo Albuquerque

      Tente falar do jogo final da última libertadores sem falar do Gabigol.

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      Então você foi lá e fez um prédio lindo (exemplo) ai um monte de gente para em frente ao prédio e começa a elogiar a estrutura, a fechada etc menos quem fez a obra, no caso você. O que você me diz?

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