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Inverno eleva incidência de doenças respiratórias

Matéria publicada em 23 de junho de 2019, 16:42 horas

 


Pneumologista diz que gripe H1N1/influenza é a que mais preocupa por causa dos riscos de complicações

Volta Redonda – A chegada do inverno aumenta a incidência de inúmeras doenças como resfriados, gripe, pneumonia, asma-brônquica, rinite alérgica, sinusites e exacerbações do enfisema pulmonar (doença pulmonar obstrutiva crônica), entre outras. Para o pneumologista Gilmar Alves Zonzin, presidente do Conselho Deliberativo de Pneumologia e Tisiologia do Estado do Rio de Janeiro (Sopterj) e professor do Unifoa, a doença que mais preocupa é a gripe H1N1/influenza, considerada altamente contagiosa e potencialmente letal.
-A gripe influenza nos causa muita preocupação, principalmente devido aos riscos de complicações e morte. A doença pode levar à pneumonia causada pelo próprio vírus, que é muito grave, além de facilitar o desenvolvimento de pneumonia por bactérias e, ainda, também agravar outras patologias crônicas que o paciente possa ser portador. Todas as pessoas devem se vacinar o quanto antes. Infelizmente, não é o que temos observado neste ano – alerta o médico, acrescentando que a vacina é a maneira mais eficaz e segura de prevenção contra a H1N1.
Embora a influenza seja a patologia mais temida do período, outras doenças também preocupam, já que são muitos os vírus e as bactérias que circulam neste período e que podem agravar as doenças respiratórias. É o caso, por exemplo, da pneumonia bacteriana, considerada uma das principais causas de morte no mundo. No Brasil, de acordo com dados do Ministério da Saúde, a doença é apontada como a principal causa de óbitos de crianças.
Os tratamentos para as doenças de inverno variam, dependendo do diagnóstico (doença viral, alérgica ou bacteriana). “Cada caso exige um tipo de tratamento ou cuidado específico. Mas é importante lembrar que, quando os sintomas são agudos e/ou persistentes, o paciente deve procurar pelo serviço médico imediatamente”, afirma o pneumologista.
Para Zonzin, além da vacina governamental contra o H1N1, outra forma eficaz de prevenir complicações e mortes provocadas pelas doenças de inverno é a vacina antipneumocócica. Ela previne e reduz infecções – especialmente as graves – causadas pela bactéria chamada “pneumococo” (Streptococcus pneumoniae), que provoca tanto a pneumonia quanto a otite média, sinusite bacteriana e meningite (pelo pneumococo).
Já no caso das doenças alérgicas crônicas, o pneumologista afirma que, quando os pacientes seguem os cuidados preventivos e tratamento adequados, há significativa redução do impacto dos sintomas na saúde deles. E, neste caso, consequentemente, há também expressiva diminuição na demanda de pacientes nas emergências hospitalares, por causas respiratórias, o que é tão comum nesta época do ano.
Segundo o pneumologista, alguns cuidados básicos com a saúde também devem ser reforçados nesse período para preservar o sistema imunológico, como ingerir bastante líquido, lavar as mãos com frequência, ter uma boa alimentação, praticar exercícios físicos regularmente e ter uma boa noite de sono.

Gilmar Alves Zonzin diz que vacina é a maneira mais eficaz e segura de prevenção contra a H1N1 – Foto: Arquivo

 

 

Doenças que costumam ser agravadas no inverno

Infecções virais:

Resfriado – tem duração máxima de duas semanas e os principais sintomas são coriza, febre baixa, obstrução das vias respiratórias, espirros e dor de garganta. Pode provocar complicação de natureza bacteriana (otite, sinusite e pneumonia); no entanto, com menos frequência que a gripe clássica.

Gripe – é a gripe clássica, causada pelo vírus influenza. Tem os mesmos sintomas do resfriado, mas de forma muito mais severa. Apresenta febre alta, dores no corpo e intensa fadiga. A doença é considerada extremamente contagiosa e com risco significativo de morte causada diretamente pelo vírus ou por complicações da doença, em especial a pneumonia bacteriana.

Doenças alérgicas:

Alergias – são causadas por reações do organismo a diversos elementos, como pelos de animas, mofo, poeira, perfumes etc. A maior exposição a esses elementos, bem como as infecções virais, são as principais responsáveis pelo aumento das crises. Os principais exemplos de doenças alérgicas são a asma brônquica e a rinite alérgica e os sintomas mais comuns são espirro, coceira nasal, chiado no peito, falta de ar e tosse.

Asma – ocorre com mais frequência em crianças, embora também acometa adultos. Os principais sintomas são falta de ar (cansaço excessivo), chiado no peito e tosse seca e frequente. As manifestações podem ser leves ou desencadeadas apenas após esforços físicos. Em alguns casos, pode passar despercebida, principalmente em crianças, que são naturalmente muito ativas. No extremo oposto, entretanto, a doença pode se apresentar na forma de crises de falta de ar muito graves, até mesmo fatais. No caso de sintomas persistentes, o tratamento é feito de forma preventiva durante o tempo estabelecido pelo médico para cada paciente.

Rinite – é uma das doenças alérgicas mais comuns. Provoca espirros, coceira, coriza e entupimento do nariz e, se não medicada adequadamente, aumenta a chance de evolução para sinusite bacteriana. O tratamento da rinite, em muitos casos, deve ser feito em longo prazo.

Infecções bacterianas:

Sinusite bacteriana – surge principalmente como complicação da rinite alérgica ou após virose respiratória. Apresenta como principais sintomas: nariz entupido, secreção nasal purulenta, dor nos olhos e também pode causar dor de cabeça ou a compressão dos seios paranasais, e pálpebras inchadas, além de febre. Normalmente, é tratada com a utilização de antibiótico. Nos casos mais graves, pode evoluir para pneumonia ou meningite.

Pneumonia bacteriana- infecção aguda dos pulmões, que pode ser provocada por vírus, fungos e outros agentes. Em sua forma clássica, a pneumonia é causada por bactérias, ou seja, quando falamos apenas “pneumonia” estamos nos referindo à doença bacteriana. No inverno, o aumento no número de casos da doença ocorre devido ao fato de que ela pode surgir após resfriado ou gripe, já que ambos reduzem a capacidade de defesa dos pulmões. Ela também pode ser relacionada ao agravamento de doenças alérgicas.


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