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Júpiter, o senhor dos céus

Matéria publicada em 9 de maio de 2019, 09:00 horas

 


Planeta gigante brilha intensamente nas noites do outono

Olhe para o céu na direção do leste, onde o Sol nasce, aí por volta das nove horas da noite. Se não estiver nublado é impossível não notar uma grande estrela amarelada, de brilho intenso. É Júpiter, o maior dos planetas, que se encontra atualmente ao lado da constelação do Escorpião, mais precisamente na Libra (Balança) que é outro signo do zodíaco. Mesmo para quem não tem um telescópio ou um binóculo potente, o planeta gigante é um espetáculo inspirador. Só Vênus brilha mais do que ele, mas Vênus não está visível no céu noturno atualmente, só nas primeiras horas da manhã.

Além de ser o maior planeta do nosso sistema solar, Júpiter teve um papel importante no desenvolvimento da ciência e da visão moderna do mundo. Foi olhando para Júpiter, através da primeira luneta, que o físico italiano Galileu Galilei descobriu, em 1610, que a concepção medieval, da Terra como centro do Universo estava errada. Mesmo com sua luneta primitiva, Galileu conseguiu ver as grandes luas de Júpiter, Ganimedes, Calisto e Europa girando em torno do planeta.

Se existiam luas girando em torno de Júpiter, então a ideia de que tudo girava em torno da Terra estava errada. O problema foi convencer o resto do mundo. Alguns clérigos se recusaram a olhar na luneta do Galileu. Hoje em dia qualquer um pode repetir a experiência que mudou o mundo, basta ter um binóculo potente e apontar para aquela estrela brilhante no céu. Júpiter vai aparecer como uma bola listrada, com vários tons de marrom, branco e bege e as luas serão vistas como pontinhos brilhantes girando em torno dele.

Júpiter é inimaginavelmente grande, dentro de seu volume caberiam 1321 planetas iguais a Terra. A massa de Júpiter é duas vezes e meia maior do que todos os outros planetas do sistema solar juntos. Feito de gases como o hidrogênio e o hélio Júpiter tem uma composição semelhante a do Sol. Ele é uma estrela que não teve massa suficiente para se acender. Mesmo assim ele irradia mais energia do que recebe do Sol.

Quem olha para Júpiter usando uma luneta, com 12 cm de abertura ou mais, vê uma mancha oval no hemisfério sul. É a Grande Mancha Vermelha, um furacão gigantesco que rodopia há mais de três séculos. No nosso planeta, a Terra, os furacões se formam acima dos oceanos e perdem energia e se dissipam quando atingem os continentes. Mas Júpiter não têm continentes e lá os furacões duram séculos. Atualmente esse anticiclone colossal tem um diâmetro igual ao do planeta Terra. Mas ele já foi maior. No século IXX  tinha três vezes o diâmetro da Terra, nos últimos cem anos foi diminuindo e pode desaparecer dentro de vinte anos.

Mesmo no século 21, na era das sondas espaciais, Júpiter ainda guarda mistérios. Não se sabe exatamente como a mancha vermelha se formou. O campo magnético de Júpiter é outro fenômeno fantástico, ele é 14 vezes mais forte do que o campo magnético da Terra. Capturando partículas atômicas expelidas pelo Sol e envolvendo o planeta gigante numa rosca de radiação mortal. Perto do planeta a radiação é tão intensa que até os robôs ficam lentos e sofrem panes em seus computadores.

Toda blindada, a sonda Juno conseguiu sobreviver ao ambiente Joviano e enviou imagens espetaculares das nuvens de amônia e dos ciclones que rodopiam neste mundo tempestuoso. Algumas das formações são tão bonitas que parecem obra de um pintor abstrato. Uma das luas de Júpiter é Europa, que tem um oceano de água líquida coberto por uma camada de gelo. Talvez exista vida embaixo de gelo mas a comprovação deste hipótese terá que ser feita pelos robôs. Porque a radiação na superfície de Europa tem uma vez e meia e intensidade necessária para matar um ser humano.

Por: Jorge Luiz Calife – jorge.calife@diariodovale.com.br


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