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Justiça investiga detenções motivadas por racismo na Califórnia

Matéria publicada em 8 de maio de 2015, 08:05 horas

 


O procurador de Justiça de São Francisco, no estado da Califórnia, George Gascón, anunciou nessa quinta-feira (7) que investiga a ocorrência de detenções policiais motivadas por racismo. Em entrevista coletiva de imprensa, ele disse que estão sendo investigados 3 mil casos, dos quais 1,4 mil resultaram em condenações. Os afro-americanos representam 5% da população da cidade, mas constituem metade dos detidos e encarcerados. Além disso, mais de 60% dos menores detidos são negros. As informações são da Agência Brasil.

“Queremos investigar a relação existente entre detenções e condenações com a cultura racista sistemática da polícia”, declarou o procurador, que é ex-chefe da polícia de São Francisco. De acordo com ele, uma equipe comandada por três juízes deverá constatar a existência de uma cultura de discriminação por motivos raciais entre os 1,2 mil policiais da cidade.

Em março, mensagens de textos racistas escritas por membros da polícia foram divulgadas pela mídia e repercutiram nas redes sociais e entre os movimentos antirracismo no país. Após a publicação das mensagens, os 14 policiais estão sob investigação da procuradoria.

As mensagens trocadas entre os policiais falavam do linchamento de negros e propunham “esterilizar afro-americanos”. Outros trechos dos textos continham comentários que ridicularizavam homossexuais, mexicanos e filipinos, que representam uma porcentagem substancial da população de São Francisco.

O anúncio do procurador de São Francisco ocorre duas semanas depois da morte do jovem negro Freddie Gray, em Baltimore, vítima de um golpe na coluna, supostamente por policiais que o mantinham sob custódia.

A cidade sediou várias manifestações por justiça, algumas pacíficas e outras violentas que levaram o governo do estado da Virgínia a decretar situação de emergência e toque de recolher. Na última sexta-feira (1º), a procuradoria da cidade decidiu indiciar seis policiais pela morte do jovem.

Depois dos protestos em Baltimore, o tom do presidente Barack Obama também foi crítico. Ele disse que a polícia norte-americana deve “examinar a consciência” e afirmou que há vários relatos de casos e abusos cometidos que revelam racismo de policiais brancos com negros, especialmente entre as comunidades mais pobres.


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