Lady Gaga e as eleições no Brasil

by Diário do Vale

As pessoas mais informadas sabem muito bem quem é a lady Gaga. Uma cantora pop muito bem sucedida e atriz do filme “Nasce uma estrela”. Mas nas redes de fake news que circulam neste Brasil pós-eleições a cantora virou uma ministra do Tribunal Internacional de Haia que teria descoberto uma fraude nas eleições brasileiras. O vídeo, que circulou na internet, mostra a cantora muito bem vestida, conversando com o presidente Bolsonaro através de uma teleconferência. E dá o nome verdadeiro da cantora americana, Stefani Angelina Germanotta. E teve gente que acreditou.

Depois circulou no Youtube um outro vídeo onde a cantora sueca Agneta Faltskog, do grupo ABBA, também seria uma jurista investigando fraude nas eleições brasileiras. Não demorou a ser ridicularizado pelas pessoas mais bem informadas. Esse tipo de fake news prolifera dentro das bolhas de fanáticos, que suspeitam do noticiário dos jornais, agências de notícias e tvs e vivem num universo paralelo de teorias de conspiração. Não é um fenômeno novo, mas que ganhou força e dimensões mundiais graças a popularização da internet e dos telefones celulares, no início do século 21.

Eu tinha dezessete anos em julho de 1969, quando os astronautas da missão Apollo 11 pousaram na Lua pela primeira vez. Na época não existia internet nem televisão via satélite. Mas mesmo assim a tv brasileira mandou correspondentes para o Cabo Canaveral, na Flórida, de onde decolaria o foguete. E conseguiu uma ligação de satélite improvisada para mostrar as imagens em preto e branco na televisão. Minha avó não acreditou em nada daquilo. Ela achava que São Jorge e o dragão moravam na Lua e não ia permitir que dois americanos invadissem seus domínios.

Heron Domingues era o principal repórter destacado pela Rede Globo para cobrir o evento histórico. Em suas memórias ele conta que terminou a transmissão e saiu para tomar um café no botequim da esquina. Foi recebido pelo balconista indignado, que, de dedo em riste, disse: “O senhor é um mentiroso, o homem não foi na Lua coisa nenhuma”. Depois da Apollo 11 os astronautas voltaram a passear na superfície lunar mais cinco vezes. E levaram até um carrinho elétrico, o buggie lunar, para percorrerem distancia maiores. Mas isso não convenceu os incrédulos.

Hoje temos homens e mulheres vivendo no espaço em duas estações espaciais. A Tiangong chinesa e a ISS multinacional. Mas os defensores das teorias terraplanistas se recusam a acreditar. Eles acham que todas as imagens de astronautas e naves orbitando a Terra são efeitos especiais criados em estúdios de cinema. Para eles existe uma conspiração internacional envolvendo Estados Unidos, China, Rússia, Japão, Canadá e União Europeia para enganar a humanidade com vídeos falsos. Com que propósito eles não explicam. Para eles todos os lançamentos de foguetes e todas as imagens vindas do espaço são efeitos de computação gráfica. Feitos para esconder que vivemos em uma terra plana coberta por um domo de cristal.

É o oposto da turma que vibrou com o vídeo da lady Gaga. Esses acham o contrário, que um vídeo falso é verdadeiro. Mas nesse caso a ilusão durou muito pouco.  O problema também reside no costume brasileiro de copiar os norte-americanos naquilo que eles tem de pior. No caso o trumpismo e suas teorias de conspiração. E assim eles vão vivendo no mundo das redes sociais, onde segue-se um pensamento único e é proibido discordar. Novos tempos, velhas ideias.

Lady Gaga virou ministra da corte de Haia

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