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Livraria se reinventa para enfrentar a crise no ramo

Matéria publicada em 6 de janeiro de 2019, 15:33 horas

 


Volta Redonda – “A leitura é uma fonte inesgotável de prazer, mas por incrível que pareça, a quase totalidade, não sente esta sede”. A frase é de Carlos Drummond de Andrade, considerado um dos maiores escritores do Brasil, e retrata bem as dificuldades que as livrarias enfrentam no país atualmente. Principalmente no que tange ao desinteresse, sentido em todo o país com reflexos no mercado de livros do Sul Fluminense.

Os números mostram que o cenário atual é declinante para o setor. Cerca de 100 livrarias fecharam no ano passado em todo o território nacional. De acordo com a Câmara Brasileira do Livro (CBL), 44% dos brasileiros não leem e 30% nunca compraram um livro. Os dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontam para outro fato preocupante: o número de livrarias e papelarias encolheu 29% em 10 anos.

Em Volta Redonda, por exemplo, a realidade preocupante da redução das livrarias tem feito uma delas – localizada na Vila Santa Cecília – se reinventar. Além de oferecer diversos títulos de livros, há espaço para degustação de café e até venda de acessórios como bolsas e almofadas. Mais: apresentações e exposições artísticas culturais estão no roteiro.

A livraria ainda possui um espaço dedicado aos livros de autores regionais e é a pioneira no ramo livreiro na cidade. Segundo a proprietária, Solange Whehaibe, as livrarias no Brasil foram afetadas pelo avanço tecnológico e o comércio eletrônico. Ela citou a crise nas grandes redes – como Cultura e Saraiva – que fecharam várias lojas no Brasil.

– A internet facilitou a compra e acabou retirando um pouco a venda das livrarias com uma cultura predatória, principalmente pela forte concorrência da Amazon. Essa crise no ramo já acontece há algum tempo e nós estamos nos reinventando, oferecendo outros atrativos. A implantação da cafeteria aconteceu há 10 anos e é um ponto de encontro entre professores, alunos e ótimo para reuniões. Privilegiamos os autores da região com uma estante exclusiva, além de promover lançamentos de livros e autógrafos – comentou, acrescentando a diferença da compra física e online.

– No livro há a variedade das capas, o cheiro, que a gente gosta. Na livraria temos um expositor oval, que chamo de navio, onde estão as novidades, e o cliente vai olhando, circulando. O que não existe com o livro digital – disse.
Mesmo diante da crise no ramo, as vendas seguem na livraria, de acordo com Solange, os temas mais procurados são romances e religiosos, os lançamentos continuam em alta, assim como livros de youtubers e dos filósofos contemporâneos: Mario Sergio Cortella e Leandro Karnal. Para este ano, ela destacou, que as apresentações culturais serão intensificadas no local.

A livraria existe há 37 anos em Volta Redonda sendo referencia na cultura regional. O local já foi ponto de debates e aberturas políticas, um dos primeiros debates foi sobre a consciência negra. O nome da livraria também tem origem literária, Solange comentou que foi baseado do livro “Grande Sertão Veredas”, de Guimarães Rosa.
– A livraria é referência na região isso foi se consolidando com os anos e com os eventos que promovíamos de debates. Resolvi abrir a livraria devido à dificuldade de comprar livros na cidade – comentou.

Segundo a CBL, 44% dos brasileiros não leem e 30% nunca compraram um livro (Foto: Franciele Bueno)

Indo na contramão da crise

Em outra livraria localizada no mesmo bairro, ao contrário dos dados das associações, o gerente Iago Parmezani citou que a crise não impactou a loja e que a cada ano há um aumento gradativo na venda de livros, através de um público variado, desde crianças a adultos.

– Não fomos impactados pela crise, a cada ano registramos um pequeno aumento, no ano passado aumentamos as vendas em relação a 2017. Na livraria, os consumidores são bem variados temos criança, adolescente, adulto e até idoso, um público bem fidedigno não só de Volta Redonda, mas de outras cidades da região compram na nossa loja – disse.

O gerente acredita que as pessoas estão ficando mais conscientes sobre temas históricos e políticos, temas que estão entre os mais procurados na livraria.

– Acredito que as pessoas estão ficando mais conscientizadas e procurando ler com frequência temas históricos e políticos que são um dos mais vendidos, além de romance, filosofia, religiosos, lançamentos e os clássicos da literatura brasileira – mencionou.

A livraria é composta por mais de 90 mil livros, um espaço cheio de história acessível tanto para a imaginação quanto para o bolso, existem livros por apenas R$ 9,90, e os professores ganham desconto na compra. Iago destacou que livros com temas bem específicos e mais antigos não encontrados na loja podem ser encomendados pessoalmente ou nas redes sociais.

– Os livros encomendados chegam para o cliente em uma semana, temos um distribuidor que atende as demandas não encontradas na livraria – disse.

Neste ano, a livraria fará um pequeno espaço, aérea de leitura, onde os consumidores poderão sentar, folhear e ler o livro escolhido antes da compra.


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Um comentário

  1. Avatar

    O líder máximo desse país dizia que “Ler é pior que fazer exercício em esteira”…

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