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Mangueira leva o Carnaval embalada por trio de Volta Redonda

Matéria publicada em 6 de março de 2019, 18:07 horas

 


Rio – A Mangueira é a grande campeã do Carnaval 2019. A Estação Primeira foi para a Avenida com o enredo “História para ninar gente grande”, com samba composto por Ronie Oliveira, Sílvio Mama e Márcio Bola. O trio de Volta Redonda marca história na cultura regional ao trazer um título tanto histórico quanto emblemático. Além deles, mais três compositores cariocas assinaram o samba que embalou a Marquês de Sapucaí.

Mesmo antes do resultado sair, os sambistas já se diziam realizado. O que dizer agora, que foram campeões. Ronie lembrou um pouco da trajetória no mundo do Carnaval, ainda nos bairros de Volta Redonda. O compositor afirma ainda que a emoção de ver seu samba cantado em uma escola do Grupo Especial do Rio é a maior pela qual já passou desde que começou a compor para o bloco carnavalesco do bairro Santa Cruz.

– De lá para cá, foi uma longa trajetória. Esta foi a minha terceira tentativa de emplacar um samba na Mangueira. Já o Silvio Mama tenta há dez anos – conta.

O processo de escolha do samba enredo começou em agosto do ano passado, com dezesseis composições, que foram sendo eliminadas até a escolha da composição dos três voltarredondenses. A escolha foi feita por um júri da escola de samba, mas um dos quesitos da escolha era a empolgação que a música gerasse na pista. Para contribuir com isso, Ronie e seus parceiros contaram com o apoio de amigos de Volta Redonda, que lotaram ônibus para demonstrar entusiasmo com a música deles.

Festa de campeã

A “Mangueira foi Mangueira” é uma expressão usada por especialistas em desfiles de escolas de samba para dizer que a Estação Primeira desfilou mantendo a tradição à história e suas raízes. Ao final do desfile, no segundo dia, foi saudada com gritos de é campeã vindos das arquibancadas populares da apoteose, a área de dispersão.

“Um enredo completamente emocionante. A Mangueira tem essa responsabilidade”, disse a cantora Alcione ao analisar o enredo “História para ninar gente grande”, criado pelo carnavalesco Leandro Vieira. No enredo, Alcione representou Dandara, a mulher de Zumbi dos Palmares. “Foi uma honra representar Dandara, uma líder das pessoas escravizadas”, afirmou.

A intenção do enredo foi mostrar a participação de líderes populares que influenciaram a história do Brasil e não têm suas realizações contadas nos livros. Neles, personagens negros, índios, com destaque também para mulheres como a vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), Maria Felipe Oliveira, que liderou a resistência aos portugueses na Bahia e Luiza Mahin, líder do levante dos Malês, de pessoas escravizadas.

Emoções

A cantora Leci Brandão, que é mangueirense, disse ter sido tomada por um misto de sentimentos durante o desfile, pois foi homenageada e citada na letra do samba-enredo. “A gente entra para a ala dos compositores nos anos de 1970 e, em 2018, ter o nome no samba é pra gente chorar, uma emoção muito grande mesmo, principalmente porque vim representando Luiza Mahin”, afirmou a artista.

Mônica Benício, viúva da vereadora Marielle Franco, morta em março do ano passado, disse que foi um enredo urgente e atual. “Fala de representatividade, de resistência, e a Marielle sendo homenageada, ter ela hoje como símbolo de esperança é, sobretudo, uma emoção muito grande”, disse.

Para a jornalista Hildegard Angel, que passou na avenida no alto da alegoria a História que a História não conta, o desfile também foi uma emoção forte. O irmão dela Stuart Angel desapareceu em 1971, quando atuava na militância política. “Enorme, enorme. Além da expectativa”, reagiu a jornalista.

O carnavalesco Leandro Vieira afirmou estar com sentimento de dever cumprido. “Com certeza, não sei se bem, mas cumprido. Mexeu com o público e eu me diverti pra caramba”, disse.


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7 comentários

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    E volta Redonda Carnaval só os blocos

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    Qualquer letra com nome de Mariele e com lacração, ganharia esse ano. Lixo.

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    Marielle está morta, como um monte de mulheres vítimas de homens violentos, como essa mãe que morreu em barra mansa espancada e não teve oportunidade de ver sua filha. Chega de Marielle, pq não defender todas as mulheres que sofrem quaisquer tipo de agressão?

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      Sem contar as policiais mortas. Ninguém defende elas… São mulheres e seres humanos como todas as outras. Porque não tem ninguém levantando bandeira por elas? A esquerda é hipócrita ao extremo. Dá nojo?

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    Agr só escuto os vizinhos gritarem MANGUEIRA MANGUEIRA sei não eim kkkk
    Parabéns a verde e rosa…

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    Parabéns aos compositores de Volta Redonda.

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    carnaval tá ficando chato ,muita lacração promovida por bicheiros ,milicia, traficantes , dinheiro publico…. . para ser “herói (a)” não depende das suas atitudes ,mas sim do ‘lado” que vc está . nada como uma boa propaganda pra promover ou destruir alguém .

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