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Moradores da região se preparam para ‘encarar’ o Coronavírus na Europa

Matéria publicada em 8 de março de 2020, 09:40 horas

 


Por turismo ou a trabalho, moradores do Sul Fluminense falam sobre ida ao Velho Continente

Viagens internacionais são analisadas com maior cuidado por turistas e agências-Foto: Pública

Sul Fluminense- Moradores da região que estão com viagem marcada para a Europa estão em compasso de espera diante do alastramento do coronavírus. Por motivo de trabalho ou por lazer, o DIÁRIO DO VALE encontrou pessoas que podem entrar em contato com países mais afetados pelo vírus que o Brasil. A desistência está em pauta para o grupo que vai por turismo, mas não é uma opção para quem precisa de trabalhar.

Um grupo com 12 pessoas estava de malas prontas para a Itália, com partida programada para o dia 16 de abril. O país tinha até sábado 148 mortos para 3.858 casos. A viagem vinha sendo estudada há algum tempo e os planos podem ser alterados. Um encontro na semana que vem vai determinar se o passeio está mantido ou será adiado.

“Estamos acompanhando o noticiário e nossa agência de turismo tem enviado relatórios periódicos sobre o caso. Da mesma forma, há contato direto com o correspondente na Itália. Vamos tomar todos os cuidados”, afirmou Sebastião Moreira.

Em solo italiano, o grupo vai passar por Roma e Florença, duas cidades que não estão entre as mais afetadas pelo vírus. O que o grupo procura saber é se os locais a serem visitados estarão abertos. “Essa é uma preocupação, pois queremos ir e ver o programado. Queremos saber se vamos poder fazer nosso roteiro”, disse. Além disso, a maior ressalva vem com a continuidade da viagem, uma vez que depois da Itália o grupo segue para a Bélgica.

– Essa é a maior de todas as preocupações. Não queremos chegar na Bélgica e ter um membro do grupo colocado em quarentena. Temos de ver todas as possibilidades – comentou.

Sebastião Moreira também comentou o primeiro caso da doença registrado na região, em Barra Mansa. “O vírus vai chegar. Vai andar e chegar até as pessoas. É uma gripe e mata quem está vulnerável, mas não vejo como ele (vírus) não se espalhar”, afirmou. Como a desistência está em pauta, pesará na decisão a questão do reembolso.

– Algumas despesas são reembolsáveis e outras, não. Já estamos pesando isso tudo na decisão – contou ele.

O programador Márcio Vitor não terá a opção de escolher se vai ou não para a Europa. Por força do trabalho, terá de passar dois meses no Velho Continente, onde ficará baseado na Hungria. O país do Leste Europeu não vive um grande problema com o Coronavírus, em situação hoje semelhante ao Brasil. No entanto, a proximidade com países mais afetados preocupa. Tanto que o presidente da República, Jair Bolsonaro, desmarcou uma viagem para Hungria nesta quinta-feira, dia 05. “Minha viagem é a trabalho, na segunda quinzena de março. Serão dois meses em Budapeste, na Hungria”, disse ele.

O programador não acredita que o compromisso será descartado. “Inicialmente, não. Porém, meu visto de trabalho ainda está em progresso. Mas a viagem está mantida pela empresa”. Márcio Vitor afirmou ainda que está acompanhando atentamente o noticiário. “Inclusive, na empresa em que trabalho tem sido recomendado que as viagens a trabalho sejam feitas apenas em casos de real necessidade e que seja dada preferência a vídeos-conferências e sessões remotas”, contou.

Em solo estrangeiro, ele contou que tomará os mesmos cuidados que já são feitos em casa: higiene básica e controle da imunidade. Além disso, ele contou que assustou com a velocidade com que a doença chegou na região Sul Fluminense. “Chegou mais rápido do que eu esperava”.

Agências na região também se
preparam para os próximos meses

O panorama do grupo de viagens e do programador é refletido nas agências de viagem da região. Uma agente, que trabalha no Vila Shopping, ressaltou que que as reservas não estão sendo confirmadas e só quem já pagou está se arriscando. “Até pacotes rodoviários estão sendo adiados. Já tive uma excursão para Itaguaí que foi adiada devido a preocupação com o novo vírus”, lamentou ela. A agente confirmou que para qualquer destino houve uma redução na conclusão dos pacotes de viagens, mas com uma incidência maior para a Itália. Por outro lado, ela confirma que aumentou a procura por pacotes dentro do Brasil.

Segundo a gerente Rosana Francisco, funcionária de uma agência de viagens no edifício Cecisa I, na Vila, disse que já atendeu muitos clientes preocupados.

– No momento também não temos ninguém na Itália, pois os clientes que estavam lá já chegaram no início da semana. Coincidentemente, na segunda-feira viajaram cinco clientes para capitais ocidentais, iniciando um passeio em Lisboa e que terminará em Frankfurt, totalizando cinco capitais. Por outro lado, a companhia aérea LATAM decidiu suspender seus voos entre São Paulo e Milão diante de baixa demanda e em consequência da disseminação do coronavírus na Itália. No caso de desistência para destinos com alta incidência da doença, nós cancelaremos sem problema e reembolsaremos – esclareceu a gerente.

De acordo com a agente de viagens Beatriz Monte Negro, funcionária de uma agência de viagens e casa de câmbio na Vila Santa Cecília, ainda há muita desinformação. “Mesmo tendo clientes viajando para a Europa no momento, estamos recebendo muitos telefonemas de pessoas querendo informações para saber se o voo vai realmente sair ou sobre os riscos de viajar para determinado destino. No caso dos voos cancelados para Milão, não tínhamos passageiros da região e ninguém havia comprado conosco, por este motivo não tivemos cancelamento”, esclareceu.

Segundo Beatriz, além do coronavírus, outro fator que tem contribuído para a diminuição na procura por pacotes ao exterior é a alta do dólar.

– Com isso, houve um crescimento de 60% na procura por pacotes nacionais, onde o nordeste é o destino mais procurado. Acredito que a procura por pacotes para a Europa neste momento vai diminuir bastante até se estabilizar a situação. Estávamos sentindo uma melhora no início do ano, mas, com o aumento dos casos de coronavírus e a alta do dólar, a procura por pacotes para o exterior está diminuindo gradativamente – confirma.

Agências de viagens se preparam para desistências

A Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav) está repassando aos estabelecimentos do setor todas as informações oficiais relativas ao coronavírus, principalmente para que eles tenham dados para transmitir para seus clientes, disse a entidade, por meio de sua assessoria de imprensa. De acordo com a Abav, nenhuma localidade está com sua fronteira fechada e não há proibição para viajar para qualquer lugar.

Apesar disso, as agências estão atendendo os passageiros que, por conta própria, não querem correr riscos viajando para países onde há casos de coronavírus. A Abav explicou que as políticas de remarcação não são das agências de viagens e, sim, dos fornecedores, entre os quais se incluem companhias aéreas, hotéis, locadoras de automóveis.

A Abav tem pedido aos fornecedores que não estabeleçam multas para os casos de remarcação de viagem, tendo em vista os casos confirmados do novo coronavírus, inclusive um no Brasil, o primeiro na América Latina. A orientação dada pela entidade é que não imponham taxas nesse momento; que coloquem opções de novas datas e novos roteiros sem custo adicional para os clientes. As informações são da Agência Brasil.

Procon explica normas e medidas cabíveis

O Instituto Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) do Rio de Janeiro está orientando os brasileiros que têm passagens compradas para outros países e que decidam desistir da viagem com medo de contaminação pelo coronavírus que entrem em contato com a empresa aérea ou agência de viagem para pedir o cancelamento.

O presidente do Procon Carioca, Benedito Alves, orientou que se o surto da doença tiver sido confirmado na localidade de destino do viajante brasileiro, este tem duas opções. “Trocar, sem ônus, a passagem para outro dia e local ou obter o reembolso integral do valor que pagou”. Alves afirmou que o consumidor não deve pagar nenhuma taxa adicional por isso, porque o cancelamento se deu em razão de uma doença que, repentinamente, afetou a região.

Benedito Alves disse que se o consumidor não conseguir uma solução com a empresa aérea ou com a agência de viagem, ele deve procurar auxílio do Procon Carioca através do telefone 1746, do site; ou das redes sociais do órgão. As informações são da Agência Brasil.


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3 comentários

  1. Avatar

    Com esse dólar a 5 reais do bozo e o corona vírus é melhor passar as férias no Perequê e tirar aquela selfie na praia comendo um churrasquinho de gato e bebendo uma cerveja gelada.

  2. Avatar

    O governo não devia deixar voltar até que a vacina seja desenvolvida. Quer não quer? Então vai e arque com as consequências!

  3. Avatar
    Capeta da grota do Santa cruz

    Depois vem CONTAMINAR O POVAO no país. Depois que cair de cama não reclame

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