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Moro retira sigilo do depoimento de Palocci dado à Justiça em abril

Matéria publicada em 1 de outubro de 2018, 18:41 horas

 


Antonio Palocci teria denunciado os antigos companheiros de partido

Brasília – O juiz federal Sergio Moro retirou nesta segunda-feira (1º) o sigilo de parte dos autos de delação premiada do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci nas investigações da Operação Lava Jato. No documento, de 12 páginas, datado de 13 de abril de 2018, Palocci afirma que as campanhas do PT em 2010 e 2014 custaram R$ 1,4 bilhão e teriam sido financiadas majoritariamente com recursos ilícitos.

Também detalha um processo de atuação não lícita por trás das negociações do governo, da Petrobras e do Congresso. “Houve desonestidade em toda a estrutura do PT e em todas as suas lideranças”, afirmou. O ex-ministro acrescenta ainda que, ao longo dos quatro governos do Partido dos Trabalhadores, houve negociações “corriqueiras” de emendas legislativas em troca de propinas. Ele estima que das mil medidas provisórias editadas, neste período, em pelo menos 900 teria havido o que chamou de “tradução de emendas exóticas em propina”.

Palocci detalha ainda a reunião, no início de 2010, entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ex-presidente Dilma Rousseff, então ministra, e o então presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli. Conforme ele, na conversa, Lula teria orientado Gabrielli a encomendar “a construção de 40 sondas para garantir o futuro político do país e do Partidos dos Trabalhadores com a eleição de Dilma Rousseff, produzindo-se os navios para exploração do pré-sal e recursos para a campanha que se aproximava”. Antonio Palocci disse que, como a descoberta do pré-sal, “Lula passou a ter ideias mirabolantes”.

Nomeações

Em outro trecho da delação, na página 6, o ex-ministro destaca que a nomeação de Jorge Zelada para a diretoria de Internacional da Petrobras foi resultado de um suposto acordo entre o MDB de Minas Gerais, comandado pelo deputado federal Fernando Diniz, já falecido, com apoio do presidente, Michel Temer, então presidente do PMDB (hoje MDB),  o ex-ministro Henrique Eduardo Alves e ex-deputado federal Eduardo Cunha.

Segundo Palocci, na reunião foi promovida “a celebração de um contrato de SMS na área internacional com a Odebrecht”, estabelecendo uma “larga margem para propina”. De acordo com ele, o acordo previa cerca de 5% do valor total de US$ 800 milhões, o equivalente a US$ 40 milhões.O ex-ministro disse que os valores foram considerados tão elevados que, logo depois, o contrato foi reduzido de US$ 800 milhões para 300 milhões.

Indicações na Petrobras

Segundo Pallocci, as notícias de que Paulo Roberto Costa, então diretor de Abastecimento da Petrobras, e Renato Duque, diretor de Serviços da estatal, “estavam envolvidos em diversos crimes no âmbito de sua diretorias” provocaram uma reunião, em fevereiro de 2007, entre Lula e Palocci no Palácio da Alvorada. De acordo com o ex-ministro, Lula indagou quem era o responsável pelas nomeações de ambos. Palocci disse que respondeu que “ele [Lula] mesmo tinha indicado”.

O ex-ministro disse que era hábito do ex-presidente cobrar explicações sobre decisões que ele próprio havia determinado. “Era comum Lula, em ambientes restritos, reclamar e até esbravejar sobre assuntos ilícitos que chegavam a ele e que tinham ocorrido por sua decisão”, diz o relato. “A intenção de Lula era clara no sentido de testar os interlocutores sobre seu grau de conhecimento e o impacto de sua negativa.”

Palocci encerra este trecho da delação, na página 5, informando que, apesar de ciente das irregularidades e dos ilícitos, o ex-presidente não tomou providências para demitir os suspeitos de corrupção. Anteriormente, no início da delação, Palocci havia informado que o governo petista não se preocupava e não se interessava em saber “do ganho pessoal” dos diretores da Petrobras, desde que “houvesse abastecimento financeiro dos partidos políticos”.

Mensalão

O esquema do “mensalão”, apontado como o maior escândalo do governo Lula, segundo Palocci, começou a partir do rompimento do acordo entre PT e PTB. O ex-ministro disse que o “compromisso” de repassar R$ 20 milhões para o PTB não foi preservado, que recebeu do Pt apenas  R$ 4 milhões.

Na página 7 da delação, o ex-ministro diz: “A existência dos compromissos e a ausência do cumprimento integrais das avenças foi o principal motivo pelo qual se desencadeou o mensalão”. De acordo com ele, a corrupção “é baixa em partidos políticos” que nunca ocuparam a base governista.

Palocci é categórico ao afirmar sobre o que norteou as relações políticas no período investigado pela Lava Jato, envolvendo pagamentos de propinas e loteamento de cargos políticos para sustentação da base partidária no Congresso. “Os ilícitos permearam todas essas relações.”

Delação e prisão

Os depoimentos dados por Antonio Palocci à Polícia Federal (PF)  estavam em segredo de Justiça, mas o juiz Sérgio Moro decidiu dar publicidade a alguns trechos por entender que não há risco às investigações da ação penal a que o ex-ministro responde na Operação Lava Jato.

O ex-ministro da Fazenda está preso desde setembro de 2016. Ele se coloca como executor dessa rede de propinas apenas no governo Lula, e nomeia outros petistas, como ex- ministros José Dirceu e Guido Mantega, além dos ex-tesoureiros Delúbio Soares, Paulo Ferreira e Joao Vaccari – todos já presos ou investigados pela Lava Jato – , como responsáveis por tratar de “doações de grande porte”.

Palocci foi condenado pelo juiz Sérgio Moro a 12 anos, dois meses e 20 dias de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em um dos processos da operação.

O ex-ministro fechou os termos da delação com delegados responsáveis pelas investigações da Lava Jato após os procuradores do Ministério Público Federal (MPF) rejeitarem o acordo. A decisão foi tomada após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que, nesta semana, validou autorização legal para que delegados das polícias Civil e Federal possam negociar delações premiadas, conforme previsto na Lei de Organizações Criminosas.

 

Lula diz que decisão tem motivações políticas

Segundo a defesa do ex-presidente Lula, o juiz Sérgio Moro juntou ao processo, por iniciativa própria, o depoimento prestado por Antônio Palocci na condição de delator “com o nítido objetivo de tentar causar efeitos políticos para Lula e seus aliados, até porque o próprio juiz reconhece que não poderá levar tal depoimento em consideração no julgamento da ação penal. Soma-se a isso o fato de que a delação foi recusada pelo Ministério Público.” A defesa alega ainda que a hipótese acusatória foi destruída pelas provas constituídas nos autos, inclusive por laudos periciais.

Para defesa de Lula, Palocci mentiu para obter benefícios que vão da redução de sua pena, com a possibilidade de “perdão judicial” – e da manutenção de parte substancial dos valores encontrados em suas contas bancárias.

Por meio de nota, o Partido dos Trabalhadores disse que não comenta “delações mentirosas, sem credibilidade e negociadas em troca de benefícios penais e financeiros”.

O Palácio do Planalto informou que “conforme esclarecido anteriormente, a indicação de Jorge Zelada foi do PMDB de Minas Gerais, e não houve participação do presidente na escolha do nome.


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7 comentários

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    Meu nome é Zé PEqueno!

    Muito conveniente faltando apenas uma semana para a próxima eleição…

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    É claro que fiquei indignado com essas informações! É um projeto de enriquecimento pessoal, essa foi a pobreza que acabou na era petista, eles acabaram com a classe média do PT, pois todos ficaram ricos!
    O Lula, hoje, é um homem rico! Você pega as declarações de bens dele, mas é claro que não inclue muita coisa (tanto que deu cadeia o que ele escondeu!)… O José Dirceu é um homem rico! O Palocci é rico!
    Essa estória de nacionalizar, manter sob a tutela do Estado empresas como a Petrobrás que o PT defende, é para não passar a chave do cofre para outrem, quer dizer, você mantêm toda a estrutura estatal e controla o Estado e fica como extensão de seu próprio patrimônio! É normal no Brasil, os governantes: presidente, governador e prefeitos confudirem o que é seu orçamento familiar e pessoal com o que é o Orçamento da União!

    Como diria o ex-Senador Mão Santa: “A gente faz apenas uma vez na vida: nasce, morrer e votar no PT!”…

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      Eles não confundem nada. Eles acham que a Administração Pública e a administração pessoal é a mesma coisa. Essa prática é muito bem conhecida pelos Administradores Públicos.

      Quem são os eleitos? Qualquer profissional acha que é capaz de atuar no Setor Público. Mas são os eleitores, os VERDADEIROS DONOS DA CHAVE do cargo público quem colocam eles no lugar.

      Só um exemplo: Samuca acha que é dono da cidade e quer privatizar a saúde e o SAAE. Se ele fala isso antes com certeza não seria eleito. Agora no posto quer tratar a coisa pública como se fosse dele. Um hospital que levamos décadas construindo tirando recursos até da própria saúde, INSTRUÇÃO, segurança, etc para, de um dia para o outro, o governante destruir.

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      Mirian Leitão do DV, fiquei imaginando quem poderia acreditar nesse movimento do juizeco de Curitiba na véspera da eleição. Bingo!!! Foi feita para sujeitos como você, que o preconceito cega e as vezes se torna um completo t.o.l.o em acreditar numa delação que fala no partido vermelho mas esconde os bancos e o financiamento que salvou a rede globo. Tudo mantendo o padrão das delações sem provas e aliviando bandidos e sonegadores. Aproveite a bala de prata vinda de Curitiba mas temo que apenas confirmará o caminho padrão da lava jato, que é seletivo e político.

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      Todos os petistas tem o argumento de que Moro divulga para a imprensa parte da delação de Palocci e que isso seria uma ação para tentar destruir Lula, tudo o que os petistas conseguem é a auto-destruição!
      O advogado de Lula disse que a medida reforça o caráter político dos processos e que o ex-Ministro do presidiário mentiu mais uma vez, referindo-se a Antônio Palocci, o que ele e você “Marcelo Bretas” ignoram foi que a decisão do Sérgio Moro de incluir e dar publicidade ao anexo I da delação de Antônio Palocci foi tomada em pedido apresentado pela própria defesa do Lula, que tentava suspender a ação penal até depois das eleições! Então vocês vejam o interesse eleitoral da própria defesa do Lula, que acusa o Moro de interesse eleitoral, e o Moro indeferiu o pedido, mas entendeu necessária a inclusão das peças para permitir o amplo exercício do contraditório por parte dos advogados, como o processo está na reta final, as partes precisam apresentar alegações finais, e os investigados tem que saber o conteúdo da delação de Palocci que tem haver com essa ação penal!
      Obviamente, qualquer explicação técnica que se de a respeito disso para os petistas como “Marcelo Bretas” não vai adiantar nada, porque eles precisam explorar e disseminar a narrativa política de que o Lula é o perseguido, que o Sérgio Moro é o grande algoz do PT, no sentido de ter interesse eleitoral e sempre aparecer para tentar mudar a trajetória política do país!

      Por que os petistas não tentam desmoralizar o Palocci?! Por que não dizem que não é verdade o que o Lula fazia sobre o que o Palocci disse!? Não, os petistas vão para cima do Moro, cujo único crime é ser honesto e incorruptível num País, que aos olhos do PT fazem qualquer negócio por dinheiro!
      Agora, nós eleitores, temos mais informações sobre o PT, isso é bom, isso é democrático, contra a Democracia é esconder as informações!
      E essas informações da delação de Palocci são importantes demais, pois mesmo fora do sigilo da delação premiada, Antônio Palocci já vem dizendo claramente, em todos os depoimentos, que ele está disposto a colaborar! A dificuldade do Palocci em fechar um acordo seria em devolver dinheiro que o MP queria!
      Como diria o ex-Senador Mão Santa: “A gente faz apenas uma vez na vida: nascer, morrer e votar no PT!”…

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    Por que essa delação não foi divulgada em abril e não é informado o que o Ministério Público definiu sobre ela?

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    Chega de tanta roubalheira por parte deste partido maligno à real democracia, o PT. Temos de evitar que seus comparsas voltem a comandar este país, e a hora é agora, nestas eleições. O Lula é um verdadeiro hipócrita; deveria ele estar encarcerado em uma prisão de segurança máxima e impedido de falar. É um demagogo profissional, viciado em mentiras. ATENÇÃO, VAMOS APROVEITAR A OPORTUNIDADE E JOGAR ESSA CORJA MALDITA NO LIXO, é o que eles merecem.

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