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Mortes por Aids tiveram queda de 50% em Barra Mansa

Matéria publicada em 2 de dezembro de 2018, 13:07 horas

 


Barra Mansa – “A cada ano surgem novos casos de pessoas infectadas pelo vírus da Aids, mas podemos afirmar que o de 2018 bateu um grande recorde”. Assim o médico Alberto Aldet, gerente do Programa de DST/Aids e Hepatites Virais avaliou o atual cenário da doença no município onde, atualmente, existem cerca de 650 pacientes em tratamento para manter o controle e evitar a transmissão do vírus HIV. Na semana em que se comemora o Dia Mundial de Combate à Aids (1º de dezembro), Aldet destaca que embora o município tenha alcançado uma queda significativa no número de óbitos pela doença – em 2018 foram cinco e em 2017 foram 10 – o índice de novos casos é muito preocupante.

“Seguindo o que foi divulgado recentemente pelo Ministério da Saúde, que apontou redução de 16% dos casos dos casos e óbitos por Aids, nós também podemos confirmar uma queda significante em nosso município. Mas é importante explicar que, embora as pessoas não estejam morrendo pela doença, uma vez que temos o tratamento por meio de medicamentos, a cada dia aumenta o número de pacientes infectados pelo vírus, ou seja, a população não está se prevenindo. Para se ter ideia, já chegamos a registrar, ao longo de 2018, seis casos novos pem apenas uma semana”, alertou o médico.

Conforme explicou Aldet, a orientação do Ministério da Saúde é para que, tão logo o paciente seja confirmado como soro positivo, ele inicie o tratamento por meio de coquetéis. Isso, segundo o médico, além de protegê-lo das doenças oportunistas da Aids, ainda contribui para que ele passe a ter uma carga viral indetectável, não transmitindo o vírus para outras pessoas.

“O Brasil tem um Programa de Combate á Aids que é destaque e elogiado no mundo inteiro, principalmente em função da distribuição gratuita dos remédios. Mas, ainda assim existem pacientes que não têm a consciência da importância de se fazer o uso correto e prova disso é que cerca de 15% não tomam como deveria para garantir uma melhor qualidade de vida”, alertou o médico.
De acordo com ele, hoje no Brasil há uma grande banalização em torno dos cuidados com relação ao vírus da Aids e, prova disso, é que o que mais ocorre no setor são pessoas, em sua maioria jovens, a procura de testes rápidos após terem se envolvido uma situação de sexo casual, através do qual não se priorizou à prevenção com o uso de camisinha.

“Temos que refletir sobre o quesito educação no combate e prevenção à Aids, uma vez que as campanhas públicas pelos meios de comunicação de massa já não existem mais, como há algum tempo. Apesar dos grandes avanços, é importante lembrar que a Aids foi uma doença devastadora no início da década de 80, com surgimento nos Estados Unido, tendo o Brasil seu primeiro caso em 1982. Hoje ela não é uma doença que deixa o paciente tão debilitado devido a eficácia dos medicamentos, mas é importante recordar que até descobrirem o coquetel, em Barra Mansa, por exemplo, o setor de DST registrava até dois óbitos, por semana, de pacientes com o vírus HIV”, destacou Aldet.

Valorizando a vida por meio do tratamento

Na última sexta-feira, dia 29, uma servidora pública de 53 anos esteve no Programa DST/Aids na companhia da filha de apenas seis anos, que é portadora do vírus HIV. A menina, que foi adotada pela mulher há cinco anos, faz uso dos medicamentos desde o nascimento e precisa fazer acompanhamento periódico no setor, onde inclusive é atendida por um pediatra. Consciente de que o que vai garantir uma vida saudável para a filha é manter o tratamento de forma correta, ela conta um pouco sobre a decisão de adotá-la e fala entusiasmada sobre o que espera para o futuro da menina.

Por Roze Martins – Especial para o DIÁRIO DO VALE


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