terça-feira, 11 de maio de 2021 - 20:34 h

TEMPO REAL

 

Capa / Região / MST desocupa fazenda de Ricardo Teixeira, em Piraí

MST desocupa fazenda de Ricardo Teixeira, em Piraí

Matéria publicada em 26 de julho de 2017, 12:17 horas

 


Desocupação foi acompanhada por policiais militares, oficiais de justiça e conselheiros tutelares

Piraí – Pouco mais de 36 horas após a ocupação, integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) deixaram nesta quarta-feira (26), pacificamente, as terras da Fazenda Santa Rosa, do ex-presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Ricardo Teixeira, em Piraí. À tarde, seis ônibus fretados chegaram de diversas localidades do país para levar integrantes do movimento, que partiram com destino aos estados de Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo e Rio de Janeiro.

A desocupação das terras foi acompanhada de perto por 28 policiais militares, do 10º BPM (Batalhão de Polícia Militar), de Barra do Piraí, oficiais de justiça e representante do Conselho Tutelar de Piraí. A presença desses profissionais se tornou necessária em cumprimento da lei, que diz que em caso de existência de crianças em ocupações de terra, a retirada de posseiros somente pode ocorrer com a presença de representantes do órgão infantil. A medida, segundo explicou a conselheira tutelar Letícia Santos, visou assegurar a integridade física dos menores de idade. Ela foi ao local para acompanhar a ação.

O acampamento do MST, na Fazenda Santa Rosa, contava com cerca de 350 pessoas, sendo que dessas 78 eram crianças, com idades entre um a 13 anos.

– A lei é muito clara e havendo menores não podemos deixar o local sem a presença de membros do Conselho Tutelar – disse a advogada do MST, Fernanda Vieira, ressaltando que este foi, inclusive, um dos itens que lideranças do movimento questionaram em relação à decisão da desapropriação de terra, expedida no final da tarde de terça-feira, dia 25, pela juíza da comarca de Piraí, Anna Luiza Lopes Soares.

Além do Conselho Tutelar, o MST exigia a presença de representantes da Secretaria de Agricultura e do ITERJ (Instituto de Terras e Cartografia do Estado do Rio de Janeiro).

– A nosso ver, vários itens que protegem a integridade das pessoas que participam dessa ocupação não foram levados em consideração pela juíza local – ressaltou a advogada, afirmando que o movimento deixaria o local ainda esta quarta-feira, como vinha ocorrendo em diversas localidades do país.

MST invadiu fazenda em Piraí (foto: Lilian Silva)

MST invadiu fazenda em Piraí (Foto: Lilian Silva)

Dever cumprido

As ocupações, na avaliação de membros do MST em Piraí, cumpriram seu papel, que segundos os próprios era: “atrair atenção da imprensa e da população em relação às pessoas, consideradas pelo movimento, como corruptos e que teriam adquirido terras de forma ilícita como a lavagem de dinheiro”. De acordo com o líder do MST, que se identificou apenas como Pedro Paulo, as invasões de terras realizadas na terça-feira, em comemoração ao Dia do Trabalhador – 25 de julho – e como parte da Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária, se tornaram o terceiro assunto mais comentado pelas redes sociais nas últimas horas.

– Vamos embora com a sensação de dever cumprido, pois nosso objetivo foi chamar atenção do nosso povo sobre corruptos, como o senhor Ricardo Teixeira, que vem sendo procurado pelas polícias da Espanha e Estados Unidos – ressaltou Pedro Paulo, lembrando que deixavam o local em comemoração ao Dia da Revolução Cubana, celebrado nesta quarta-feira (26).

Além da Fazenda Santa Rosa, em Piraí, as ocupações foram realizadas pelo MST, na fazenda do ministro Blairo Maggi, no Mato Grosso e na fazenda do Coronel Lima, amigo do presidente Michel Temer, na localidade de Duartina (SP). Ricardo Teixeira se tornou alvo do MST por ser acusado pela justiça da Espanha, de lavagem de dinheiro obtido por meio de comissões ilícitas recebidas na venda de amistosos da seleção brasileira.

Teixeira teria formado uma “organização criminosa” com o ex-presidente do Barcelona Sandro Rosell, preso há quase dois meses. Nos Estados Unidos, o ex-presidente sofre acusação, no “caso FIFA”, de fraude, lavagem de dinheiro e de receber milhões de dólares em propinas para beneficiar empresas de marketing esportivo.

Acampamento

Durante a ocupação das terras do ex-presidente da CBF, integrantes do MST, se concentraram em atividades de lazer e ações justificando o movimento. Músicas com letras sobre reforma agrária eram intercaladas com palavras de ordem, pedindo a cassação do presidente Michel Temer (PMDB), além da prisão de citados em operações realizadas pela Polícia Federal, dentro do processo da Lava Jato, que investiga envolvimento de políticos em esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, entre outros crimes na Justiça Federal.

Um grupo de pagode e capoeira também animou o acampamento do MST. Já as crianças foram envolvidas em atividades artísticas, onde confeccionaram um amplo cartaz pedindo reforma agrária e paz. Apesar do clima pacífico, todas as ações foram acompanhadas por integrantes armados com facões e facas, que estavam expostas na cintura. Alguns optaram, inclusive, por deixar o rosto encoberto. Policiais do Setor de Inteligência da Polícia Militar (P-2) também ficaram atentos a movimentação dos integrantes do movimento.

Adesão

A trabalhadora rural Creuza Machado, de 43 anos, veio do interior de Minas Gerais para participar do movimento liderado pelo MST. Ela, no entanto, disse que desconhecia o local do destino quando entrou no ônibus e somente soube que se tratava de terras do ex-presidente da CBF, quando chegou ao local, na madrugada de terça-feira. Creuza explicou que estava ansiosa para retornar à sua casa, um acampamento de posse, em terras do Incra (Instituto de Reforma Agrária), no interior de Minas Gerais.

– A gente precisa se ajudar e vim porque me garantiram que após esta ação teríamos o “nosso papel” – falou a trabalhadora, acreditando que o tal papel prometido seria o documento de posse definitiva da terra onde ela mora há vários meses. “Vivemos em uma barraca, passamos frio e quero a posse dessa terra para construir uma casinha”, enfatizou a trabalhadora rural garantindo não possuir recursos para pagar aluguel.

A ação do MST em Piraí chamou ainda atenção de famílias do estado. Algumas deixaram suas cidades em busca de um pedaço de terra na Fazenda Santa Rosa. Uma delas foi a dona de casa Eliza Silva, que saiu de Seropédica, no Rio de Janeiro, em busca de uma posse. A família, no entanto, saiu frustrada quando soube que o movimento tratava apenas de uma ocupação para atrair as atenções da população para ações de pessoas citadas pela Justiça em crimes de enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, entre outros.

– Se soubesse não teria viajado tantas horas em busca de uma terra, mas enfim, vamos voltar para casa, e aguardar uma nova oportunidade – disse ela, frustrada com a ação.


Comente com Facebook
(O Diário do Vale não se responsabiliza pelos comentários postados via Facebook)

12 comentários

  1. Avatar

    Segungo o raciocínio dos filhos do Lula,quem é pobre tem que,defender menor bandido, aborto,maconha,invasão de terras,não respeitar a constituição,ensinar crianças nas escolas que ser homossexual é normal,isso é que é saber ser pobre ,pensar diferente disso é coisa de capitalista rico,o pobre o pobre que assim pensa,é burro

  2. Avatar

    Eu gostaria de fazer parte do MST: um dia estão visitando o Rio de Janeiro; na outra semana estão visitando o Pará; no mês seguinte estão passeando em Brasília; daqui a dois meses vão para o Rio Grande do Sul, e tudo com ônibus com ar condicionado e direito a tubaína e sanduíches com mortadelas de primeira qualidade!
    Tem muitos companheiros de Maduro, que estão saindo da Venezuela só para se juntar ao MST brasileiro!!!

    • Avatar

      Sujeito se aperta num puxadinho construído nas coxas no quintal dos pais e tenta posar de latifundiário do Mato Grosso. Pobre de direita é um fenômeno.

  3. Avatar
    Creuza, doméstia de carro

    A chapa ainda vai esquentar mais , aguardem.

  4. Avatar

    E não sai pra ver o que aconteçe !!!!!

  5. Avatar
    Socialista de Rayban

    Acabou a festa esquerdopatas, já deram o showzinho de vocês.
    É melhor ir embora para o barraco e pensar na próxima baderna, porque essa já deu.

  6. Avatar

    Tem um triplex no Guarujá é um sítio em Atibaia pra eles ocuparem….

  7. Avatar

    Se fosse o meu terreninho no Perequê (em “Angras”) a justiça levaria uns 20 anos para tomar uma decisão.

  8. Avatar

    Gente pobre vai se meter com gente rica é isso que dá.

Untitled Document