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Mulheres e monstros: Sandra Bullock e Natalie Portman enfrentam criaturas de outro mundo

Matéria publicada em 14 de janeiro de 2019, 08:20 horas

 


Coitada: O bicho quer pegar ela

Sandra Bullock, a eterna sofredora de Hollywood, esteve no Brasil no mês passado. Ela foi a Comiccom de São Paulo para divulgar o filme de terror Caixa de Pássaros (Bird box), do qual ela é protagonista. Caixa de Pássaros faz parte de uma série de filmes de horror com atrizes famosas como protagonistas e que estão sendo produzidos para a televisão. O primeiro foi “Aniquilação” com a Natalie Portman, do diretor Alex Garland, que é bem melhor do que este Bird Box da Sandra Bullock.

Os dois filmes tem vários elementos em comum. Foram exibidos em plataforma de streaming, contam com uma produção relativamente barata, com filmagens ao ar livre, e copiam ideias de filmes mais antigos e pouco conhecidos. “Aniquilação” é uma espécie de versão ocidental do clássico russo “Stalker”, do Andrei Tarkovski. Já Caixa de Pássaros copia muita coisa do filme “O fim dos tempos”, do diretor indo-americano M.Night Shyamalan, que passou nos cinemas há exatamente dez anos.

Como em “O fim dos tempos”, em “Caixa de Pássaros” temos uma força misteriosa que leva as pessoas ao suicídio. E assim mata a maior parte da população do planeta. No “Fim dos tempos” este apocalipse suicida era provocado por um gás que as plantas produziam para exterminar a humanidade. A revolta da natureza contra o desmatamento. Já no filme da Sandra Bullock, a humanidade é atacada por entidades misteriosas que enlouquecem todas as pessoas que olham para elas. O roteiro não explica se esses seres vieram do espaço ou de outro mundo, o importante é que eles cumprem a sua função de eliminar a maior parte do elenco e deixar a mocinha fugindo, de olhos vendados com duas crianças.

Sandra Bullock faz aquilo que a tornou famosa. Bancar a coitada e fazer aquela cara de sofredora o filme inteiro. Ela ficou famosa há mais de vinte anos, com um filme onde ela era motorista de um ônibus com uma bomba dentro e fazia cara de sofredora do começo ao fim. Depois ela fez cara de sofredora no navio desgovernado da “Velocidade máxima 2” no meio do furacão de “Forças do destino” e a bordo da nave espacial de “Gravidade”. Agora ela tem que atravessar uma floresta cheia de bichos papões, de olhos vendados e com duas crianças. E o público torce para ver se ela vai conseguir. Afinal com aquela mesma cara de piedade ela já escapou do ônibus, do navio e da cápsula espacial.

Natalie Portman: De AR-15 contra o sobrenatural

Natalie Portman não faz cara de piedade, ela é mais uma mulher de ação que pega um fuzil AR-15 e sai disposta a detonar a oposição. Em “Aniquilação”, Portman é uma bióloga cujo marido voltou estranhamente alterado depois de uma expedição a uma área de desastre ambiental. Tentando descobrir o que aconteceu com ele, nossa heroína se apresenta como voluntária para entrar na região misteriosa com um time de cinco mulheres e tentar descobrir o que aconteceu. Como no caso da Sandra Bullock, ela vai encontrar uma floresta cheia de monstros.

Ao longo do filme ficamos sabendo que uma misteriosa força extraterrestre desceu naquela floresta e alterou o código genético de todas as criaturas vivas, produzindo monstros mutantes. O governo isolou a área e chama essa força misteriosa de “O brilho”. Eles não sabem se “o brilho” é uma inteligência alienígena que esta tentando se comunicar conosco. A primeira expedição, formada por cinco homens foi dizimada. Só escapou o marido da Natalie Portman. Agora eles querem fazer uma nova tentativa, desta vez com um grupo de cinco mulheres.

É uma ideia meio idiota, afinal se cinco homens foram derrotados pela coisa, porque com cinco mulheres vai ser diferente? Não vai e logo a expedição feminina começa a ser consumida pelas forças misteriosas de outro mundo. Apesar de seus defeitos, tanto Caixa de Pássaros como Aniquilação são filmes interessantes, para se ver em casa num fim de semana chuvoso. Só não merecem essa badalação toda.

Jorge Luiz Calife
jorge.calife@diariodovale.com.br

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