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No Rio, produtos da Amazônia despertam interesse de empresas estrangeiras

Matéria publicada em 4 de maio de 2015, 14:51 horas

 


Empresas estrangeiras virão ao Rio de Janeiro nos dias 20 e 21 de maio para fechar negócios com produtores orgânicos do Brasil no evento Green Rio. Os representantes importam produtos para a Escandinávia, Colômbia e o Peru e, segundo a organização da feira, eles estão interessados em frutas exóticas, cosméticos da Amazônia e versões orgânicas de produtos tradicionais, como o café. As informações são da Agencia Brasil.

“Eles também estão muito interessados em parcerias”, disse Maria Beatriz Costa, da organização não governamental Planeta Orgânico, que está à frente do evento há quatro anos, quando começou em paralelo à Conferência Global Rio+20. “São oportunidades não só para o Rio, mas para  todo o Brasil. Esses compradores estão muito interessados em produtos da Amazônia. Estou muito feliz, porque  é a primeira vez que esses compradores vêm ao Brasil.”

Para a coordenadora de alimentos e bebidas do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) Rio, Mariângela Rossetto, os produtores de orgânicos interessados em atingir o mercado internacional devem pensar em agregar valor aos seus produtos por meio da qualidade: “O Brasil, e também o Rio de Janeiro, podem se destacar nesse mercado olhando para a qualidade, para o produto gourmet, para a identificação do produto e a produção local. Vejo grandes oportunidades para aqueles produtores que estão cada vez mais adequando a qualidade do produto, se certificando e trabalhando a origem do produto, porque isso para o mercado é muito importante”.

Mariângela sugere que os pequenos produtores busquem formas de associação para facilitar a logística de distribuição, seja entre eles próprios ou com produtores maiores. Apesar das oportunidades no mercado externo, na visão dela, é preciso não perder de vista a demanda local: “o produtor deve ter um olhar para várias oportunidades que tem na região. Não é só o supermercado e a feirinha, há os restaurantes, as cozinhas industriais, os hotéis.

Segundo o chefe da divisão de Política e Produção Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento no Rio de Janeiro, Celso Merola, ainda é preciso incrementar a produção de orgânicos para atender ao mercado local. Ele destaca que esse fortalecimento pode se inserir na meta de fornecer 30% dos alimentos comprados para a merenda escolar, que, segundo o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), devem vir de agricultura familiar. “A atividade orgânica dá um pouco mais de trabalho para o produtor. Tem que montar um sistema de produção integrado e estar muito atento para a reciclagem, rotação de cultura, fertilizantes orgânicos”, explica ele, acrescentando que cerca de 380 produtores orgânicos certificados pelo ministério no estado do Rio, a maior parte deles são procedentes da região serrana e um número crescente no noroeste Fluminense, que já tem quase 100 produtores.

Celso vê um mercado promissor nas feiras de orgânicos da capital: “temos 14 feiras regularmente, e tem feira que, às 10h, não tem mais nada. Já compraram tudo”, diz ele, que reconhece que essas vendas ocorrem na zona sul e na Tijuca, áreas de classe média, onde há maior disponibilidade para pagar preços mais altos: “O produto orgânico ainda está com o preço um pouco acima dos de mercado, o que assusta o consumidor.”

Para incentivar os municípios a comprarem mais orgânicos para a merenda escolar, o evento Green Rio terá o lançamento do Prêmio Alimentação Escolar Saudável, que vai premiar uma cidade por práticas saudáveis na merenda escolar. Serão elaborados indicadores que vão levar em conta o consumo de alimentos orgânicos, a compra de produtos locais, a presença de frutas na merenda e a existência de horta na escola.


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