O céu que nos ameaça

by Diário do Vale

Enquanto escrevo esta coluna o governo do Paquistão continua a contar os seus mortos. As enchentes que atingiram aquele país, depois de uma onda de calor mortal, já mataram 1700 pessoas. Aldeias inteiras desapareceram debaixo da enxurrada. O fenômeno foi provocado por uma conjugação entre a chegada das chuvas intensas, provocadas pelas monções e o derretimento das geleiras causado pelo calor. As monções são um fenômeno anual, que sempre aconteceu naquela região da Ásia, mas nunca com a intensidade registrada este ano. E os climatologistas são unânimes em afirmar que a mudança foi provocada pelo aquecimento global, que este ano gerou um verão escaldante nos países do hemisfério norte.

No caso do Paquistão, o país foi arrasado pelo transbordamento dos rios e pelas chuvas intensas. Além dos 1700 mortos temos centenas de milhares de desabrigados. Gente que viu os vilarejos onde morava serem simplesmente riscados do mapa. Há pelo menos três décadas que os estudiosos do clima alertam para os perigos da mudança climática global. Provocada pela queima dos combustíveis fósseis (Carvão, petróleo e gás) e pelo desmatamento. Os governos do mundo preferiram ignorar os avisos e o resultado esta aí. Já estamos vivendo uma época de catástrofes climáticas. Durante os meses de junho e julho a Europa e os Estados Unidos enfrentaram um calor extremo. Só em Portugal e na Espanha mais de mil pessoas morreram em consequência do calor. Na costa oeste dos Estados Unidos os bombeiros tiveram que enfrentar incêndios florestais de grande intensidade. Agora o inverno esta chegando, para eles lá em cima, e o resultado são as tempestades violentas. Este ano, a temporada de furacões no hemisfério norte aconteceu com um mês de atraso, mas com fúria renovada. O furacão Ian devastou a península da Flórida e obrigou a agência espacial Nasa a adiar para novembro o lançamento do seu foguete lunar Artemis.

Esta semana  o furacão Julia atingiu a América Central matando cerca de 70 pessoas. Aqui embaixo, no hemisfério sul, também experimentamos um clima atípico nesta primavera. O mês de setembro foi marcado por uma série de ciclones extra-tropicais que provocaram um recorde de chuva e tempo nublado aqui no sudeste do Brasil. Esses ciclones, que ocorrem no oceano Atlântico, não são um fenômeno novo. Mas se tornaram mais comuns, em tempos recentes. Eles jogam a umidade do oceano para o continente e o resultado são as chuvas e o frio anormal que experimentamos nesta primavera.

Países inteiros, situados em ilhas oceânicas correm o risco de desaparecer com a elevação do nível dos mares. O quadro exige uma união dos governos e das nações do planeta para enfrentar esta ameaça. Mas infelizmente não é isso o que ocorre. Ditadores sedentos de poder, como Kim Jon Um na Coréia do Norte e Vladimir Putin na Rússia, ameaçam o mundo com uma guerra nuclear. Na Europa e crise de energia, provocada pela guerra dos russos contra os ucranianos aumentou o consumo de carvão e gás altamente poluidores. Como disse aquele personagem do filme “Planeta dos macacos”, que já citei aqui nesta coluna: “A inteligência do homem caminha lado a lado com sua estupidez.”

Aqui no Brasil a nossa contribuição para aumentar a catástrofe climática vem na forma do desmatamento, das queimadas e na transformação de vastas regiões em fazendas para a criação de gado. Gado que emite gás metano, um dos componentes mais fortes do efeito estufa. É o preço que pagamos pela carne que comemos. Como diz o ditado: O homem morre pela boca.

Furacão: O Ian visto da Estação Espacial Internacional

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