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O mistério das luzes lunares

Matéria publicada em 13 de junho de 2019, 09:45 horas

 


Telescópio alemão instalado na Espanha vai estudar o fenômeno

Um novo observatório, instalado a 100 quilômetros ao norte de Sevilha, na Espanha, vai se dedicar unicamente ao estudo dos misteriosos Transientes Lunares. São luzes e névoas que aparecem dentro de algumas crateras lunares, duram apenas alguns minutos e desaparecem. Relatos desse tipo de fenômeno têm sido feitos há pelo menos mil anos, mas ninguém sabe exatamente do que se trata. E como a NASA pretende voltar a mandar pessoas para a Lua, a partir de 2024, os cientistas querem saber se o fenômeno pode representar uma ameaça para os astronautas que vão andar por lá.

Existem dois tipos de transientes lunares, os luminosos e os escuros. As luzes misteriosas costumam ter de dois a três quilômetros de diâmetro e se apagam depois de uns vinte minutos. Mas já houve transientes que duraram horas. Já os transientes escuros são mudanças de coloração onde o fundo de uma cratera pode ficar com uma cor rosada ou avermelhada. Ou então ser coberto por uma onda fluida de escuridão súbita.

Uma teoria diz que o fenômeno é provocado por gases que brotam do interior da Lua. Sabe-se que os transientes não deixam nenhuma marca no lugar onde aparecem. Depois que somem tudo volta ao normal. Em apoio a essa teoria o espectrômetro da sonda Lunar Prospector detectou emanações do gás radioativo Radônio nas vizinhanças das crateras Aristarco e Kepler. Aristarco, uma das crateras mais brilhantes, é um dos locais onde as luzes misteriosas aparecem com frequência. Onde teoria liga a mudança de cor ou o escurecimento das crateras a fenômenos eletrostáticos que provocariam uma suspensão da poeira lunar em determinados locais. O que serviu de inspiração para pelo menos um conto de ficção científica, o clássico “Pano de pó” do escritor Hal Clement.

Em1969, durante a viagem dos astronautas da Apollo 11, a NASA organizou uma vigília para a detecção desses fenômenos. O Projeto Moon Blink. O astrônomo brasileiro Ronaldo Mourão, do Observatório Nacional do Rio de Janeiro participou do projeto e observou uma luminosidade esverdeada na região de Aristarco. Que foi imediatamente comunicada aos tripulantes da Apollo 11, que orbitavam a Lua naquela ocasião.

Os telescópios instalados ao norte de Sevilha serão equipados com duas câmeras que vão registrar os fenômenos em vídeos e fotos. O projeto é dirigido pela universidade alemã da Bavária. O pesquisador chefe do projeto, Hakan Kayal disse ao site Space.com que o fenômeno pode ser provocado pela atividade sísmica. Quando ocorre um lunamoto (terremoto lunar) gases que refletem a luz do sol podem escapar do interior da Lua. Ele acha que os planos atuais de instalar bases tripuladas na superfície lunar tornam a pesquisa atual. “Precisamos saber o que esta acontecendo para que as pessoas na base se preparem para esta mudança no ambiente”.

Antes de pousar astronautas, de novo, na Lua, a NASA pretende enviar naves não tripuladas. Versões muito mais sofisticadas dos robôs Surveyor que desceram na Lua em 1966. As empresas que ganharam a concorrência para construir os novos veículos de pouso foram a Astrobotic, a Intuitive Machines e a Orbit Beyond. As naves devem descer na Lua entre 2020 e 2021 levando equipamentos e preparando o terreno para a chegada dos novos exploradores lunares.

A primeira missão, da Orbit Beyond será lançada em setembro de 2020. A Estação Espacial Internacional também será aberta a exploração comercial. Empresas particulares poderão enviar seus técnicos para fabricarem produtos ou realizar experiências espaço. A ISS foi construída entre 1998 e 2012 e os americanos pretendiam abandona-la em 2024. Mas no lugar de simplesmente desativa-la eles vão entrega-la para as empresas interessadas na exploração comercial.

Por: Jorge Calife


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