O Nobel da Física e o mistério do entrelaçamento quântico

by Diário do Vale

Mistério: Mundo quântico assombrava Einstein

O mês de outubro sempre foi uma época de festa na ciência devido ao anuncio dos prêmios Nobel de Física, Química e Medicina pela Academia Sueca. Este ano o Nobel de Física foi para três cientistas que pesquisam um fenômeno da física quântica conhecido como entrelaçamento quântico, ou quantum entanglement. Basicamente ele ocorre quando duas partículas subatômicas, geralmente fótons de luz, são criadas simultaneamente e depois separadas por uma certa distancia. Embora separadas essas partículas parecem continuar ligadas por uma força misteriosa. E o que acontece com uma afeta a outra. Um fenômeno que assustou o genial Albert Einstein que achava que o entrelaçamento quântico tinha características sobrenaturais.

Agora, mais de meio século depois de Einstein, o Nobel de Física de 2022 vai para um trio de cientistas que pesquisaram este mesmo fenômeno. O americano John F.Clauser, de 79 anos, o francês Alain Aspect 75 e o austríaco Anton Zeilinger, 77 anos, da universidade de Viena. Embora o entrelaçamento quântico pareça um fenômeno obscuro, que poucos entendem, ele pode ter importantes aplicações tecnológicas, dando origem a computadores quânticos que tornariam os computadores atuais tão obsoletos quanto aquelas máquinas de fita magnética e cartões perfurados do século passado.

A tecnologia quântica também é importante para a criptografia, a ciência dos códigos. Hoje em dia é comum os hackers, da internet, quebrarem os códigos de acesso para invadirem computadores de empresas e do governo. Com a tecnologia quântica será possível criar códigos inquebráveis permitindo a troca de mensagens e informações de modo absolutamente seguro. A China esta investindo muito neste campo e já lançou um satélite militar, de comunicações que usa a tecnologia quântica.

Mas pesquisar este ramo misterioso de física não foi fácil. Entrevistado pelo jornal The New York Times, o cientista americano John Clauser contou que precisou improvisar os equipamentos, vasculhando o campus da universidade de Berkeley na Califórnia em busca de peças e sobras de metal para criar seus aparelhos. Com o material que conseguiu ele construiu uma máquina de 9 metros de largura que criava fótons e os disparava em direções opostas. Onde as medições feitas sobre um dos fótons alterava o estado de seu irmão gêmeo do outro lado da máquina.

E os resultados surpreenderam os cientistas. “Albert Einstein achava que a natureza era formada por matéria distribuída através do espaço, incluindo fragmentos de informação. A Teoria da Relatividade Geral é baseada nisso. Mas nossas experiências mostram que isso não é verdade. Não é possível localizar fragmentos de informação num espaço pequeno e finito” Explicou Clauser. Mas é bom lembrar que a Relatividade Geral continua a funcionar perfeitamente no mundo infinitamente grande do espaço sideral. É no mundo microscópico das partículas atômicas que ela entra em pane.

Os fãs do seriado Jornada nas Estrelas (Star Trek), acham que a tecnologia quântica pode nos levar ao teletransporte dos filmes de ficção científica. Mas o outro ganhador do Nobel, o austríaco Zeilinger, acha que isso não é possível. E acrescentou: “Eu não entraria num teletransporte quântico”.

 

 

Jorge Luiz Calife

 

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