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Obama inicia viagem histórica a Cuba

Matéria publicada em 20 de março de 2016, 19:03 horas

 


Encontro entre presidentes dos dois países coloca fim ao que restou da guerra fria no continente

Aliando: Obama e Raúl Castro terão um novo encontro mas desta vez em solo cubano

Aliando: Obama e Raúl Castro terão um novo encontro mas desta vez em solo cubano

Washington – O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, iniciou neste domingo viagem histórica para Cuba. A agenda do presidente norte-americano inclui, após o desembarque na capital cubana, visita cultural a Havana Velha e um encontro com o cardeal Jaime Ortega, líder católico que trabalhou com o papa Francisco no esforço para trazer os dois países à mesa de negociações visando ao restabelecimento das relações diplomáticas.

A viagem do presidente Obama é uma “boa notícia” porque encerra, no âmbito das Américas, o último capítulo da guerra fria na política externa dos Estados Unidos, disse à Agência Brasil o diretor do Instituto Brasil, Paulo Sotero. O Instituto Brasil é ligado ao Centro Internacional de Woodrow Wilson, sediado em Washington, entidade que realiza estudos sobre a democracia e o desenvolvimento econômico em vários países.

Segundo Paulo Sotero, a viagem do presidente Barack Obama desafia as forças norte-americanas que ainda se opõem à suspensão do embargo econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos, em 1962, com o objetivo de isolar Cuba do mundo. “No lugar de isolar Cuba, a política isolou os Estados Unidos na região”, disse Sotero.

De acordo com Sotero, a aproximação norte-americana com Havana (capital cubana) pode também trazer benefícios para o Brasil, que sempre teve uma política externa de normalidade com Cuba.

O professor da Universidade do Texas, em Austin, James Galbraith, disse à Agência Brasil que a viagem do presidente Obama “coloca um ponto final a um período longo, totalmente desnecessário, de hostilidade” dos Estados Unidos em relação a Cuba. “É correto dizer que, fora de um pequeno segmento da classe política, a população norte-americana está totalmente favorável a Obama na ideia de que o melhor caminho a seguir é ter relações normais com Cuba.”

Raúl Castro

O presidente Obama, que viajou com a esposa Michelle, e com as filhas Malia e Sasha, terá um encontro nesta segunda-feira (21) com o presidente Raúl Castro. Entre os temas a serem discutidos estão os direitos humanos, o estímulo ao comércio entre Cuba e Estados Unidos e o desenvolvimento da iniciativa privada em solo cubano.

A viagem – a primeira de um presidente norte-americano à ilha cubana em quase 90 anos – prosseguirá na terça-feira. Nesse dia, o presidente Obama fará um discurso dirigido ao povo cubano. Em seguida, participará de reunião com integrantes da sociedade civil cubana, incluindo ativistas de direitos humanos e representantes da oposição.

Depois desses encontros, o presidente Obama vai participar do jogo de beisebol entre o Tampa Bay Rays e a equipe nacional cubana. O beisebol é um esporte muito popular tanto nos Estados Unidos quanto em Cuba. O Tampa Bay Rays é um time de beisebol da Florida, que joga na liga profissional norte-americana.

Dissidentes

A polícia de Cuba deteve dezenas de militantes do movimento dissidente Damas de Branco após o desfile que tentam realizar todos os domingos em Havana, horas antes do início da visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

A polícia recolheu dezenas de militantes e de simpatizantes em frente à igreja em que costumam reunir-se em protesto aos domingos. O movimento Damas de Branco foi criado por mulheres de opositores ao regime comunista.

As detenções foram anunciadas quase à mesma hora em que Obama partiu da base aérea de Andrews, nos Estados Unidos, pouco depois das 14h30 no horário de Brasília, para Cuba.


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