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Obras de profissionais

Matéria publicada em 15 de agosto de 2018, 09:00 horas

 


Trabalhos desenvolvidos por alunos do Colégio Paulo Basílio, em Barra Mansa, chamam a atenção

Obras são produzidas por alunos do sétimo ano, com idades entre 12 e 13 anos (Foto: Paulo Dimas)

Quem chega ao Colégio Paulo Basílio, no bairro Vila Nova em Barra Mansa, se depara com corredores que parecem mais uma galeria de arte. As obras chamam tanto a atenção, que muitos acham que são feitos por artistas profissionais, mas são trabalhos desenvolvidos dentro da unidade de ensino pelos alunos sob os cuidados do professor Rosenberg da Silva Sardinha.
– Hoje nós temos em exposição os trabalhos de mosaicos, que foram realizados pelas turmas do sétimo ano deste ano e os feitos em lã, que estão expostos aqui no colégio há alguns anos, desenvolvidos por turmas de alunos que passaram pelo colégio há mais ou menos cinco anos – destaca Rosenberg.
O professor conta que para a elaboração dos mosaicos, os alunos realizaram pesquisas e cada um dos grupos apresentou obras de arte de grandes artistas espalhados pelo mundo.
– Costumo brincar com eles que a aula é uma viagem 0800, nessa aula, por exemplo, nós viajamos até a Itália. Originalmente os mosaicos são desenvolvidos com pedra e vidros, mas como se trata de trabalhos de alunos, que tem entre 12 e 13 anos, os materiais precisaram ser adaptados por conta do perigo no manuseio e até com questão do custo – explica.
Para essa tarefa específica dos mosaicos os alunos usaram papel silhueta brilhoso, papel 40 quilos, tesoura e cola. Reunidos em grupos, eles finalizaram em cerca de três semanas.
– Nós procuramos adaptar o trabalho de acordo com a realidade, já que estamos tratando de uma escola pública, onde os recursos são limitados. Os alunos são divididos em grupo, onde eles fazem a divisão dos afazeres e dos materiais. Durante as aulas observo aqueles que têm mais habilidades, outros que têm tendência a gostar mais da parte teórica e misturo eles para haver um equilíbrio no trabalho – lembra.
O professor explica ainda que com o passar dos anos as mudanças na grade curricular trouxe para as aulas de artes um leque maior para trabalhar com os alunos.
– Há uns anos atrás as aulas eram bem diferentes, atualmente nós trazemos para o contexto do dia a dia, fazendo o aluno vivenciar o estudo. Trabalhamos em conjunto com outras disciplinas, entre elas a história. Esse trabalho de mosaicos está inserido no estudo da idade média por volta do século XII, eles viram o conteúdo histórico, político e social na aula de história e quando chegamos para a aula de artes eles estudam e colocam em prática o parte cultural e artística do estudo – explica.
Rosenberg lembra ainda que no início há uma certa resistência dos alunos, mas ter as obras expostas traz orgulho e motivação a todos.
– No início eles reclamam da dificuldade, já que eu passo a técnica e a execução é feita por eles. Reunidos em grupos, eles montam um sistema de produção, onde um fica responsável pelo esboço do desenho, outro por recortar, montar e colar. Dessa forma conseguimos despertar neles também a responsabilidade, já que não temos tempo hábil para desenvolver tudo em sala de aula, então eles levam pra casa e cada um deve cuidar do seu trabalho. No fim, quando eles veem o resultado e, principalmente, a exposição há entre eles a sensação de orgulho e dever cumprido. Assim que vai para o mural eles já correm para tirar fotos e mostrar aos colegas de outras turmas – lembra.
O orgulho pelas obras não vem apenas dos alunos e do professor, a diretora Isabel Cristina conta que os funcionários e os estudantes de outras turmas também fazem parte desse ciclo.
– Nós percebemos o olhar de cada funcionário quando se depara com os trabalhos. Há um cuidado com as obras, principalmente com o pessoal que realiza a limpeza, eles tiram a poeira e limpam com muito zelo. Já os alunos de outras turmas traz uma motivação, de ter seus futuros trabalhos expostos, cria neles um desejo de estar ali também – destaca.
Isabel lembra ainda que as obras em lã, feitas pelos alunos de turmas anteriores, já tiveram destaque fora dos muros do colégio.
– Os quadros foram expostos na antiga Câmara Municipal, com o sucesso da mostra fomos convidados a expor na prefeitura. As obras chamaram tanto a atenção que houve até um pedido de compra, porém por se tratar de trabalhos desenvolvidos pelos alunos nós não poderíamos vender. Esse ano teremos ainda uma nova oportunidade de mostrar a arte desenvolvida pelos nossos estudantes, vamos separar algumas obras para um evento educacional que teremos aqui na cidade – conta.
Sobre os trabalhos em lã, o professor explica que eles foram realizados também por alunos do sétimo ano durante os estudos das civilizações Maia, Inca e Asteca.
– Esses foram trabalhos que demandaram mais tempo, empenho dos alunos e custo, pois levou cerca de um mês para ficar pronto e cada uma das obras usou em média cinco novelos de lã e alguns tubos de cola de isopor. Foi mais trabalhoso também pelo fato de depois do desenho traçado eles tiveram que contornar tudo com a lã preta, para só então depois entrar com a lã colorida, para então dar forma – lembra.
O professor finaliza falando da importância das aulas e os benefícios que ela traz para o dia a dia do colégio.
– É uma experiência muito boa. A escola tem que ser viva e esses trabalhos trazem isso. Conseguimos passar uma vivência diferente para os alunos, mostrar a diversidade cultural e trazemos uma educação mais completa, com as disciplinas se misturando – encerra.

Um comentário

  1. Pagador de impostos

    Parabéns a todos os professores envolvidos no projeto.

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