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Capa / Ciência – Por Jorge Calife / Os diamantes de Mercúrio

Os diamantes de Mercúrio

Matéria publicada em 5 de agosto de 2022, 18:04 horas

 


Planeta mais próximo do Sol pode ser uma rica mina de pedras preciosas

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Mercúrio é o planeta mais próximo do Sol. E sua superfície desolada pode conter 16 quatrilhões de toneladas de diamantes. É o que conclui um estudo apresentado pelo geólogo Kevin Cannon, da Escola de Minas do Colorado, durante a última Conferência sobre ciências lunares e planetárias, realizada em Houston, no Texas, em março deste ano. Pesquisas feitas com telescópios e sondas espaciais mostraram que a superfície de Mercúrio é rica em grafite, que é uma forma de carbono. E o planeta foi bombardeado por meteoros e asteroides durante milhares de anos. É o que revela a sua superfície repleta de crateras deixadas por esses impactos. De acordo com os modelos de computador feitos por Cannon, as pressões e temperaturas geradas pelos impactos dos asteroides devem ter transformado de 30 a 60% dessa crosta de grafite em diamantes brutos.

Mas não se trata daqueles diamantes enormes usados em colares e joias. Os diamantes de Mercúrio devem ser pequenos, como aqueles diamantes industriais usados em brocas e ferramentas de corte. E além de pequenos devem estar espalhados pela superfície do planeta, enterrados em meio às camadas de poeira cósmica. Estudos feitos com meteoritos que caíram aqui na Terra apoiam as teorias de Cannon. O meteorito Almahata Sitta, encontrado no Sudão em 2008, continha minúsculos diamantes produzidos pelas pressões do choque entre asteroides. E antes que algum visionário pense em embarcar num foguete, em busca dos diamantes de Mercúrio, é bom lembrar que não seria uma tarefa fácil.

Mercúrio dá uma volta em torno do Sol a cada 88 dias, que é o seu ano. E o dia lá dura 59 dos nossos dias. Como não tem atmosfera e fica muito perto do Sol, a temperatura na superfície, durante o dia chega a 800 graus centígrados. Mas quando a noite cai esfria rapidamente e no meio da noite mercuriana o termômetro registra 290 graus abaixo de zero. Qualquer explorador espacial em busca das riquezas mercurianas teria que pousar na zona do crepúsculo, com o Sol ainda oculto pelo horizonte e o solo ainda morno pelas temperaturas do dia.

Mas chegar lá também não seria fácil. Mercúrio se encontra bem dentro do poço gravitacional do Sol. Uma nave precisa perder velocidade para ser puxada pela gravidade do Sol e então mudar rapidamente de velocidade para fazer um encontro com o planeta. A agência espacial europeia enviou uma grande sonda espacial para Mercúrio no dia 20 de outubro de 2018. Mas ela vai levar sete anos para chegar lá, por volta de dezembro de 2025. As mudanças de velocidade e trajetória são tão complexas que a nave terá que usar a força da gravidade dos planetas Terra e Vênus, além de um motor de propulsão iônica para alcançar a órbita de Mercúrio no dia 5 de dezembro de 2025. Embora os diamantes de Mercúrio sejam pequenos e difíceis de coletar eles são uma amostra das riquezas espalhadas pelo espaço sideral. Estima-se que só no asteroide 16 Psyche existe ouro e platina no valor de dez quadrilhões de dólares.

Para conferir toda essa fortuna a agência espacial americana Nasa firmou um acordo com a empresa Space X, do bilionário Elon Musk para enviar uma sonda até o asteroide em 2026. A Lua também é rica em titânio, alumínio e Hélio 3. Que pode ser o combustível do futuro. É por isso que as maiores economia do planeta, como a China e os Estados Unidos, e os homens mais ricos como Elon Musk e Jeff Bezos estão investindo pesado na conquista e exploração do espaço.

 

Jorge Luiz Calife

 

 


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