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Perdidos no espaço

Matéria publicada em 28 de março de 2019, 08:28 horas

 


Nossa galáxia pode ter 50 bilhões de planetas desgarrados

Paisagem: A galáxia vista de uma estrela fugitiva

Nossa galáxia, a Via Láctea, tem 200 bilhões de estrelas. A maioria delas possui conjuntos de planetas girando ao seu redor. São os sistemas solares. Um deles é o nosso sistema, que inclui planetas como a Terra, Marte, Júpiter e Saturno. Mas nem todos os planetas orbitam estrelas. Um estudo recente, feito pela universidade de Leiden, na Holanda, sugere que podem existir até 50 bilhões de planetas flutuando livremente no espaço interestelar, desgarrados de suas estrelas. Até agora os astrônomos já detectaram uma dúzia desses mundos solitários, que deslizam pela escuridão do espaço interestelar. Mas simulações em computadores indicam um número muito maior, literalmente astronômico.
A equipe de Leiden usou como exemplo as 1500 estrelas que formam o aglomerado estelar do Trapézio, situado na nebulosa de Orion, a 1500 anos-luz da Terra. Trata-se de uma região conhecida como um berçário de estrelas, onde novas estrelas e planetas nascem do colapso de nuvens de gás interestelar.
Na simulação do computador a equipe colocou 2522 planetas orbitando essas estrelas e o resultado foi que 357 escaparam do campo gravitacional de seus sóis nos primeiros 11 milhões de anos de evolução. Segundo o astrofísico Simon Zwart, que liderou o estudo, se esse número de planetas fugiu numa simulação envolvendo 2522 planetas, extrapolando esse número para as 200 bilhões de estrelas da Via Láctea a simulação sugere que podem existir 50 bilhões de planetas rebeldes, andando desgarrados por aí.
Entrevistado pela revista Forbes, Zwart disse que nosso próprio sistema solar pode ter perdido uns dois ou três planetas durante a fase inicial de sua formação. E alertou que existe o risco desses planetas perdidos colidirem com estrelas ou com planetas orbitando estrelas. Uma possibilidade que já foi explorada no filme “O fim do mundo”, que ganhou o Oscar de efeitos especiais em 1952. No filme um planeta errante entra no nosso sistema solar e acaba colidindo com a Terra.
Mas não são apenas os planetas que escapam de suas estrelas. Recentemente foi descoberta uma estrela hiper veloz que escapou da nossa galáxia. Se ela tem planetas como o nosso, seus habitantes foram arrastados, involuntariamente, para uma jornada pelo espaço intergaláctico. Mas eles estão numa situação bem melhor do que um possível habitante de um planeta desgarrado. Quando um planeta perde seu Sol ele congela no frio do espaço interestelar e se torna um mundo gelado, mergulhado em uma noite eterna.
Já no caso da estrela hiper veloz ela continua a brilhar, mesmo no espaço intergaláctico e se houver vida nos mundos que a orbitam ela não será afetada. A estrela fugitiva é a LAMOST-HVS-1 que foi detectada pela astrônoma Monica Valluri da universidade de Michigan, nos Estados Unidos. Observando a direção seguida pela estrela, quando deixou a Via Láctea, os astrônomos perceberam que ela partiu do disco principal da galáxia.
Anteriormente os pesquisadores acreditavam que só a gravidade um buraco negro gigante poderia acelerar uma estrela para fora de nossa galáxia. Um desses buracos negros gigantes é o Sagitário A, que fica no centro da Via Láctea. Mas a LAMOST-HVS-1 não veio de lá, ela veio de uma região relativamente próxima do nosso sistema solar, a apenas 42 mil anos-luz da Terra. O disco galáctico, que circunda o buraco negro central tem 100 mil anos-luz de largura.
Atualmente a LAMOST-HVS-1 esta viajando com uma velocidade de 1,6 milhões de quilômetros por hora. O que foi que deu a ela essa velocidade ainda não se sabe. Talvez ela tenha passado muito perto de um buraco negro desconhecido, escondido dentro de um dos aglomerados globulares de estrelas que envolvem a Via Láctea.
Se a LAMOST-HVS-1 tiver um planeta a vista será espetacular. E seus habitantes poderão ver toda a Via Láctea no céu, como na concepção artística aí ao lado.

Por: Jorge Luiz Calife – jorge.calife@diariodovale.com.br


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