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PM é preso com mais de 3 mil munições em acesso ao Alemão

Matéria publicada em 5 de maio de 2017, 18:48 horas

 


Rio – Policiais civis prenderam dois suspeitos de fornecer armas e munições para facções criminosas do Rio de Janeiro, entre eles um policial militar. Os dois estavam dentro de um carro, com 3.500 munições de pistola, em um dos acessos ao Complexo do Alemão, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro.

O carro estava sendo dirigido por um policial da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Vila Cruzeiro, uma das favelas que integram o maciço dos complexos do Alemão e da Penha. Junto com ele, foi preso um suspeito de ser um dos principais fornecedores de armas e munições para as quadrilhas armadas que atuam no Rio de Janeiro.

O caso está sendo investigado pela Delegacia da Pavuna (39ª DP). De acordo com a assessoria de imprensa das UPPs, o policial preso foi ouvido na 8ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM) e já está preso na Unidade Prisional da Polícia Militar, em Niterói. Ele também responderá a um processo administrativo disciplinar na PM.

O Complexo do Alemão tem sido palco de intensos tiroteios entre criminosos armados e policiais militares. Desde que a Polícia Militar decidiu implantar uma nova cabine blindada dentro do conjunto de favelas, os confrontos se intensificaram, d]eixando várias vítimas. Ontem, cinco pessoas morreram.

Milhares sem aulas

Cerca de 5,2 mil crianças de comunidades que vivenciaram confrontos durante o dia de ontem estão sem aula. No total, cinco escolas, seis creches e quatro Espaços de Desenvolvimento Infantil no Complexo do Alemão, na Penha, e na comunidade do Caju, na zona portuária do Rio, estão sem atendimento nesta sexta, segundo a Secretaria Municipal de Educação, Esportes e Lazer.

A Secretaria Estadual de Educação informou que duas escolas – uma no Complexo do Alemão e outra no Caju – também interromperam as aulas na manhã de hoje, mas não informou o número de alunos que ficaram sem aulas.

A Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) informou que não há operações nestas duas regiões da cidade. Houve um intenso confronto entre o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar e criminosos que atuam nessas regiões. No Complexo Alemão, cinco homens morreram, um ficou ferido e foram apreendidos dois fuzis, duas pistolas e drogas.

Segundo o comando da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Caju, um homem foi preso e foram apreendidos um fuzil, uma escopeta e drogas. Depois da operação, criminosos ameaçaram atacar uma das bases da UPP e, por isso, o policiamento foi reforçado por outras equipes, batalhões da área e pelo Bope. Durante a madrugada e manhã desta sexta-feira (5), não foram registrados confrontos na região.

PM não atende Justiça

A Defensoria Pública do Rio de Janeiro pediu à Justiça que intime o comandante-geral da Polícia Militar, o secretário de Segurança Pública e o comandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Nova Brasília, no Complexo do Alemão, para que desocupem os imóveis na comunidade no prazo máximo de 24 horas.

A medida foi tomada diante do descumprimento da decisão judicial, que determinou a desocupação dos imóveis localizados na região pela PM.

Na petição, a defensoria pede o fim da ocupação de residências para realização de operações militares, sob pena de multa pessoal às três autoridades, no valor de R$ 10mil, por cada um dos imóveis invadidos, além das sanções pelo crime de desobediência da ordem judicial.

A coordenadora do Núcleo Contra a Desigualdade Racial, Livia Casseres, informou que, “em vistoria realizada na comunidade, não restou qualquer dúvida de que é uma praxe dos policiais militares que atuam no Complexo do Alemão utilizarem os imóveis privados, violando o domicílio e o direito à posse e colocando em risco a integridade física dos cidadãos que ali residem”.

Em nota, o comando da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Nova Brasília, no Complexo do Alemão, informou que nenhuma casa na comunidade está ocupada por policiais militares.

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