Pó preto da CSN: Parlamentares defendem intervenção no Instituto Estadual do Ambiente

Sugestão foi proposta durante audiência pública sobre o tema nesta terça-feira (9), na Câmara dos Deputados

by Agatha Amorim

Brasília – Uma proposta que surgiu durante a audiência pública promovida pela Comissão de Legislação Participativa (CLP) na Câmara dos Deputados – realizada nesta terça-feira (9), com o tema ‘CSN: Poluição do solo e do ar em Volta Redonda’ –, pode dar um xeque-mate no Governo Federal em relação ao problema.

No decorrer do evento, que contou com a presença de representantes de diversos setores da sociedade civil, foi sugerida uma intervenção federal no Inea (Instituto Estadual do Ambiente), a ser realizada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) nos mesmos moldes da intervenção federal da Segurança Pública decretada sobre o Estado do Rio de Janeiro, em 2018.

Na época, a intervenção teve o objetivo de recuperar a capacidade operativa dos órgãos de Segurança Pública do estado do Rio, mantendo contato com a secretarias relacionadas para alinhar estratégias de fortalecimento de cada área. No entender de alguns parlamentares, no que tange à questão ambiental, a situação na cidade do aço já exige interferência do Poder Executivo nacional.

 

Argumentos

“Em Volta Redonda, a biodiversidade é prejudicada. A poluição atinge as poucas matas que temos na cidade”, disse José Arimathea Oliveira, do Comitê de Bacias do Médio Paraíba do Sul, acrescentando que a implantação de bosques urbanos ajudaria a minimizar o problema.

Ele também disse que o poluente sedimentado expelido pela siderúrgica tem gerado prejuízos financeiros à população.

“Tutores estão tendo mais gastos com veterinários devido aos problemas respiratórios de seus cães e gatos”, exemplificou Arimathea, chamando a atenção para outro problema raramente discutido: o impacto do pó preto sobre os sistemas de drenagem de águas pluviais da cidade.

“Existe uma intensificação de carga poluidora nos rios. O pó preto pode ser levado da CSN para o rio Paraíba do Sul, afetando a segurança hídrica, a flora e a fauna aquáticas. Não há dados sobre isso. Quanto ao impacto sobre a rede de drenagem de águas pluviais, podemos ver através das enchentes e alagamentos”, resumiu.

Arimathea destacou em sua fala que até a economia do município pode estar sendo prejudicada pelo problema. “Quem investe em energia fotovoltaica é prejudicado. Em Volta Redonda, as placas solares têm que ser limpas três ou quatro vezes mais do que o normal devido ao acúmulo de pó”, completou.

Diante desses fatos, Arimathea acredita que talvez seja o momento de medidas mais drásticas. “Que a gente possa tratar essa situação, por exemplo, como foi tratada a questão da segurança pública: por que não uma intervenção federal, uma lei, uma iniciativa que possa garantir que técnicos que estejam sem as amarras da política estadual façam a devida avaliação do funcionamento da siderúrgica?”, propôs.

A coordenadora-geral de Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Cayssa Marcondes, rebateu. E disse que fazer a intervenção não é assim tão simples. Ela destacou a ausência do Inea na audiência, afirmando que seria interessante que o órgão se manifestasse. “A CSN é licenciada pelo Inea, do Rio de Janeiro”, justificou Cayssa, lembrando que a esfera de atuação, neste caso, é estadual.

“Para que a gente, do nível federal, possa intervir numa situação estadual, temos que declarar incompetência do órgão estadual e isso sempre gera bastante ruído e confusão”, afirmou, destacando que a postura do MMA é mais ‘conciliatória’, por assim dizer. “Tentamos fazer uma articulação mais próxima, prestar apoio, ir até lá, fazer reunião, mandar ofício. A gente fica à disposição para tirar dúvidas do órgão estadual, mas a gente diretamente atuar, só se fosse licenciador”, completou.

Para o deputado Luiz Lima (PL-RJ), também presente à audiência, é preciso que se defenda a intervenção do MMA de forma excepcional. “Se o Inea (Instituto Estadual do Ambiente) está inoperante, tem que haver intervenção. O Poder Executivo, se quiser resolver, resolve”, afirmou.

Já o deputado Lindbergh Farias (PT), que já esteve em Volta Redonda algumas vezes para tratar do assunto, disparou: “A situação em Volta Redonda é desesperadora. E o desrespeito dessa empresa passa dos limites. É desrespeito com a população. Estamos falando de saúde, de vidas”. Lindbergh afirmou, ainda, que o Inea – a seu ver – não está tendo a postura que a situação, crítica, exige. “Eu disse à ministra [Marina Silva, do MMA]: esse é um caso nacional. Não é uma situação do Rio de Janeiro apenas, é nacional. O impacto chega a cidades vizinhas, como Barra Mansa, Pinheiral, até Barra do Piraí. Alguém tem que colocar limite”, concluiu.

Também participaram da audiência a presidente da Associação de Moradores de Volta Redonda, Maria de Fátima Passos, e representantes do Instituto Arayara e do Observatório do Carvão Mineral, dentre outros.

You may also like

3 comments

Jorge Neto 10 de julho de 2024, 23:21h - 23:21

Grande AriPateta, só na defesa do que lhe rende um extra na contratação de projetos de cartas marcadas. Parabéns aos políticos que o deixam nessa posição.

Reply
guto 10 de julho de 2024, 12:54h - 12:54

A CSN trouxe técnicas e engenharias de outros estados que estão nesse momento instalando os novos equipamentos!

Reply
Alguém 10 de julho de 2024, 11:51h - 11:51

Bosques urbanos , árvores nos bairros ajudam amenizar a poluição, enchentes e calor .
Solos selados provocam enchentes e mais calor .
Uma cidade verde !

Reply

Leave a Comment

diário do vale

Rua Simão da Cunha Gago, n° 145
Edifício Maximum – Salas 713 e 714
Aterrado – Volta Redonda – RJ

 (24) 3212-1812 – Atendimento

(24) 99926-5051 – Jornalismo

(24) 99234-8846 – Comercial

(24) 99234-8846 – Assinaturas
.

Image partner – depositphotos

Canal diário do vale

colunas

© 2024 – DIARIO DO VALE. Todos os direitos reservados à Empresa Jornalística Vale do Aço Ltda. –  Jornal fundado em 5 de outubro de 1992 | Site: desde 1996