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Poeira de estrelas

Matéria publicada em 18 de abril de 2019, 09:00 horas

 


Ciência desvenda os antigos mistérios do universo estrelado

A foto de um buraco negro, divulgada na semana passada, foi o ponto alto da moderna era de ouro da astrofísica. Com novos instrumentos na Terra e no espaço, os cientistas lançaram luz sobre muitos enigmas do Universo que se conectam com nosso passado e nosso futuro. Em apenas 50 anos o que era inexplicável e misterioso foi revelado com todos os detalhes, o Universo em que vivemos ficou ainda mais maravilhoso e inspirador. Revelando uma beleza que as gerações passadas mal conseguiram vislumbrar.

Um exemplo é a galáxia na primeira foto aí ao lado, a ‘‘Centaurus A’’. Um livro escrito em 1966, “O Universo”, da Life Science Library, cita a ‘‘Centaurus A’’ como um dos enigmas do Universo. Em 1966 já se sabia que esta galáxia é uma poderosa fonte de ondas de rádio, mas não se entendia como isso acontecia. Parecia que toda a matéria da ‘Centaurus A’, que contém milhões de estrelas, estava sendo transformada em ondas de rádio. Mas o aperfeiçoamento dos radiotelescópios e dos satélites científicos desvendou o seu segredo.

Hoje sabemos que aquilo que parece uma única galáxia na verdade são duas galáxias em colisão. Uma espiral e uma elíptica que se chocaram no espaço. E uma parte da energia de rádio é produzida pela colisão das nuvens de gás e poeira que fazem parte das duas imensas ilhas estelares. A outra parte vem de um gigantesco buraco negro, com a massa de 55 milhões de sóis, que se encontra ativo no centro da ‘Centaurus A’. Os buracos negros eram apenas uma teoria não comprovada em 1966, hoje são uma realidade vista e fotografada.

‘Centaurus A’ é uma das galáxias ativas mais próximas da Terra. Fica a “apenas” 16 milhões de anos-luz e pode ser observada por astrônomos amadores com instrumento caseiros. Como diz o nome fica na constelação do Centauro, que é vizinha do Cruzeiro do Sul, e se encontra bem visível acima do horizonte sul nesta época do ano.

Ainda mais misteriosa do que a ‘Centaurus A’ é a M-87 na constelação da Virgem. Que pertence ao zodíaco, aquela faixa de estrelas que os astrólogos acreditam influenciar a vida das pessoas. M-87 está bem mais distante, a 55 milhões de anos luz e é uma galáxia elíptica gigante. As galáxias podem ter três formas básicas, espirais, como a nossa Via Lactea, que são imensos redemoinhos de gás e estrelas; elípticas, que parecem enxames de estrelas em forma de bola; e irregulares, que não tem forma definida.

O que mais impressionava os astrônomos, em relação a M-87, é o raio de energia que parte do centro. Visível como uma faixa azulada na foto aí ao lado, feita pelo Telescópio Espacial Hubble. Ele tem cinco mil anos luz de comprimento e mais de 39 anos-luz de largura no meio. Comparado com isso aquele raio da Estrela da Morte, no filme Guerra nas Estrelas, não passa de um palito de fósforo. Mundos inteiros, que tenham a má sorte de entrar no raio de energia da M-87, são torrados.

Na década de 1960 o astrônomo soviético, Nikolai Kardashev, imaginou que civilizações avançadas do espaço poderiam controlar a energia de galáxias inteiras. E o escritor Arthur C.Clarke especulou que o raio de energia da M-87 poderia ser uma obra de engenharia cósmica, criada por seres superinteligentes do espaço. Mas os extraterrestres são inocentes. O responsável pelo “raio da morte” da M-87 é o buraco negro que está lá na página 4. Ele fica no centro da M-87 e é um dos maiores já encontrados. Com a massa de seis bilhões de sóis. O raio de energia é emitido dos polos desse buraco negro pela matéria acelerada em seu poço gravitacional.

Tudo isso parece muito distante de nós, mas na verdade está conectado. Ao contrário do que afirmam os textos religiosos, o homem não vem do barro, ele vem da poeira das estrelas. Todos os elementos que compõem nossos corpos foram sintetizados dentro de estrelas há milhões de anos. E quando olhamos para o céu estrelado, fitamos nossas origens.

Por: Jorge Luiz Calife – Jorge.calife@diariodovale.com.br


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2 comentários

  1. Avatar

    Já existem imagens da Lua tiradas pelo Hubble. Mas para uma imagem com o detalhamento que eu imagino que você quer, como os objetos deixados lá por astronautas, o telescópio precisaria ter um espelho de mais de 100 m de diâmetro – o do Hubble mede 2,4 m.
    E por quê ele consegue captar imagens tão mais distantes? São distantes mas são também gigantes.

  2. Avatar

    Só quero que o hubble mire suas lentes para a superfície da lua. É pedir muito para uma coisa que fotografa a distâncias descomunais? kkkkkkk

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