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Políticas públicas podem mudar perfil de jovem infrator no Rio 

Matéria publicada em 9 de abril de 2019, 11:31 horas

 


Rio de Janeiro – A criação de políticas públicas integradas com ofertas de planejamento familiar, ensino integral nas escolas públicas de base, destinação de vagas ao Programa Jovem Aprendiz e capacitação de professores para inserção efetiva do adolescente no meio escolar pode ser aliada a criação de mais mil vagas no sistema socioeducativo, mudando o perfil do jovem infrator no Estado do Rio de Janeiro.

A avaliação é da juíza titular da Vara de da Infância e da Juventude do Rio, Vanessa Cavalieri, que apresentou as medidas no seminário ‘Adolescentes em Conflito com a Lei: Verdades e Falácias do Sistema Educativo’, realizado nesta segunda-feira (8), na Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (EMERJ) .

Durante o evento, a Vara da Infância e da Juventude do Rio apresentou o resultado de estudo feito em 2017 e 2018, que definiu o perfil desses adolescentes. De acordo com a pesquisa, a maioria tem entre 16 e 18 anos com histórico de evasão escolar e pertence, em muitos dos casos, as famílias numerosas e de baixa renda, chefiadas por mulheres, em geral mãe ou a avó, sem a presença do pai.

No período acompanhado 4.842 jovens foram apreendidos em flagrante no Rio de Janeiro, sendo 95% do total meninos. Desse contingente masculino, 68% tinham idades entre 16 e 18 anos e 32% de 12 a 15 anos.

Segundo a juíza Vanessa Cavalieri, as unidades socioeducativas estão superlotadas com população superior aos dos adultos encarcerados nos presídios do Rio. Numa comparação com São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Porto Alegre, o Rio é o estado que menos oferece vagas para a internação de jovens. São 350 vagas, número inferior ao oferecido em Porto Alegre, que tem 375, e muito menor do que em São Paulo, com 3.954.

A magistrada aponta que também faltam unidades do Departamento Geral de Ações Sócio Educativas (Degase), no Norte do Estado, na Região Serrana e no Médio Paraíba, decorrente da falta de aplicação efetiva da verba destinada ao Degase. A solução tem sido a transferência dos infratores para as unidades do município do Rio. Segundo Vanessa Cavalieri, R$ 39 milhões do Degase foram desviados para outras secretarias nos dois últimos governos do Estado do Rio.

A juíza citou a evasão escolar como um componente que contribui para levar o adolescente a cometer atos infracionais. A pesquisa aponta que a maioria dos casos de evasão escolar ocorre no 6º ano do Ensino Fundamental. Ela também criticou sistemas de aprovação automática nas escolas, que levam, “o jovem a chegar ao 6º ano sem ter aprendido a ler e escrever”.

Em outra observação, a magistrada chamou a atenção sobre a falta de especialização dos professores e dirigentes escolares para lidar com o adolescente que apresenta um quadro de rebeldia. De acordo com ela, é preciso haver um esforço para manter o aluno no meio escolar no qual ele está inserido, assim evitando sua transferência para unidades que lhe tragam transtornos e o façam desistir dos estudos.

Composto por diversos painéis, o seminário foi aberto pela desembargadora Maria Angélica Guerra Guedes, representando o presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), desembargador Claudio de Mello Tavares. A solenidade de abertura teve a participação do desembargador Flávio Horta; do secretário estadual de Educação, Pedro Fernandes; da procuradora estadual de Justiça Flávia Ferrer; do subprocurador–geral de Justiça, Eduardo da Silva Lima Neto; da secretária estadual de Direitos Humanos e Assistência Social, Fabiana Bentes; da defensora pública Rosângela Zagaglia, e da presidente do Conselho Estadual dos Direitos das Crianças e Adolescentes, Marcia Elizabeth Gatto Brito. O diretor-geral da Emerj, desembargador André Gustavo Corrêa de Andrade, fez o encerramento do seminário.


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Um comentário

  1. Avatar

    finalmente alguém usando cérebro … parece até um sonho

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