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Produtores orgânicos investem no ‘delivery’ e têm aumento nas vendas durante a pandemia

Matéria publicada em 15 de julho de 2020, 16:08 horas

 


Consumo de alimentos orgânicos está em alta, número de pedidos online aumentou em até 50% na quarentena

Produtor Romulo e sua esposa Evelyn na produção de orgânicos em Dorândia, distrito de Barra do Piraí
(Foto: Divulgação)

Sul Fluminense – A produção orgânica da região teve que se adaptar as novas formas de vendas para se manter em atividade. E foi apostando na tecnologia que alguns produtores encontraram o caminho para superar os impactos causados pela pandemia do novo coronavírus.

Para o produtor orgânico Romulo Arruda e sua esposa Evelyn Miranda, que possuem uma produção de orgânicos em Dorândia, distrito de Barra do Piraí, em termos de produção, o aumento foi de 20% e ainda maior na demanda, que triplicou.

Idealizadores de um projeto que se chama “Meio Hectare” em referência ao tamanho da sua área de produção há 5 anos, quando iniciaram, o produtor afirmou que com a pandemia eles foram obrigados a investir no delivery.

– Como alguns canais de comercialização foram suspensos, como merenda escolar e feiras, estamos direcionando toda a produção para a entrega de cestas orgânicas em domicílio onde recebemos os pedidos através de nosso site www.meiohectare.com.br ou pelo telefone 21 985643800 – disse.
Segundo Romulo, a demanda por alimentos orgânicos aumentou na pandemia e certamente essa situação despertou nas pessoas uma reflexão sobre seus hábitos, principalmente alimentares.

– É contraditório querer fortalecer o sistema imune se alimentando de ultra processados, excesso de carboidratos simples e alimentos frescos cheios de veneno. O acesso à informação aumentou e as pessoas sabem que um alimento orgânico é infinitamente melhor para saúde, ainda mais agora durante uma pandemia – opinou.

Por outro lado, o produtor não vê benefícios da pandemia nos sistemas de produção em si, sendo orgânicos ou não, pois segundo ele até agora não houve apoio governamental para a agricultura familiar.

– Muitas famílias estão perdendo pessoas por conta da pandemia e a oferta de mão de obra no campo é limitada. Além disso, também estamos expostos ao risco como qualquer outra pessoa. Mas apesar disso tudo, vemos que aqui na nossa região a situação parece estar um pouco melhor que em outros locais – afirmou.

Como forma de se prevenir contra o coronavírus, o produtor Romulo também teve que se adequar as regras sanitárias de higienização.

– Passamos a tramitar pagamentos apenas de forma virtual, para reduzir o contato com máquinas de cartão e dinheiro; redobramos nosso cuidado aumentando a frequência de higienização do carro, das caixas, escritório, bancadas e utensílios; suspendemos todas as atividades coletivas e visitas na área de produção desde março; aumentamos os dias e municípios de abrangência da nossa entrega de cestas em domicílio; infelizmente estamos utilizando mais plástico do que gostaríamos pra evitar a contaminação, mas já estamos pensando numa embalagem diferente pra diminuir o uso de plástico e manter a segurança dos alimentos – explicou.

Segundo o produtor Romulo Arruda, a maioria dos agricultores não tem uma estrutura logística preparada para um aumento repentino de demanda. Além disso, com a pandemia todos os processos ficaram mais lentos, o ritmo de produção e de comercialização mudou pelas limitações de acesso a diversos serviços, atividades e comércio em geral.

– Até a nossa relação com os consumidores, que sempre foi muito próxima, infelizmente está mais distante e muito dependente de internet, isso é ruim e limita o acesso de pessoas com idade avançada que não têm facilidade de uso de canais digitais, mas aos poucos estamos nos adaptando – disse.

Produtor de VR registra aumento de  pedidos em até 50% com delivery

O produtor Pedro Henrique Dias, que possui uma produção de orgânicos na Estrada sítio Paraíso, em Santa Tereza, afirmou que também foi pego de surpresa pela pandemia, mas depois de algumas adequações viu as suas vendas aumentarem em 50% graças ao serviço de delivery.

– A pandemia afetou tudo e todos e conosco não foi diferente. Aqui em nossa região, produtores como eu viram toda sua produção voltada para a entrega no PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) praticamente perdida. E além de perder produção pelo fato de Volta Redonda não aceitar as entregas, ainda tivemos que arcar com todos os custos. No meu caso foi um prejuízo de 15 mil – lamentou.

Por outro lado, Pedro confirmou que a sua produção não aumentou e nem diminuiu e segue dentro dos planos, porém para meios de comercialização ele teve que apostar nos serviços de entregas online.

– Como não podemos fazer mais feiras, e nem PNAE, nossa única maneira de seguir sobrevivendo foi o delivery, que eu já fazia, mas felizmente aumentou em 50% o número de pedidos durante a pandemia. Também comercializamos através de nossa loja virtual www.sitiorecantodosossego.com.br– disse.

Na opinião do produtor Pedro, a adesão das pessoas ao consumo de orgânicos aumentou consideravelmente na pandemia, seja por não saírem de casa, ou por saberem que o alimento orgânico garante uma nutrição rica e extremamente saudável, contribuindo com isso para o aumento do seu serviço de delivery.

Por Júlio Amaral


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