domingo, 15 de dezembro de 2019

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Programa irá capacitar instrutores de beleza sobre violência doméstica

Matéria publicada em 15 de setembro de 2019, 06:30 horas

 


Projeto ‘Mãos EmPENHAdas Contra a Violência’ mira tornar centros de estética em ponto de apoio para vítimas

 

Projeto deve chegar ao Sul Fluminense em outubro de acordo com previsão do Senac- Foto: Divulgação

Sul Fluminense- O Sul Fluminense recebe a partir de outubro o projeto ‘Mãos EmPENHAdas Contra a Violência’, que busca treinar esteticistas e cabeleireiros para orientação a vítimas de violência doméstica. O objetivo é aumentar a rede de apoio às mulheres que sofrem algum tipo de ato violento, pois muitas delas acabam desabafando quando procuram salões e clínicas para aumentar a autoestima.

O projeto é desenvolvido pelo Senac-RJ (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial), que no dia 12 de agosto firmou uma parceria com o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ RJ) visando a ampliação do leque de opções de acolhimento de vítimas. A iniciativa também conta com a participação da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Coem RJ), do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (Cedim RJ), do Sindicato dos Institutos de Beleza e Cabeleireiros de Senhoras do Rio de Janeiro (Sinbel) e do Sesc RJ.

De acordo com a gerente executiva de Desenvolvimento de Produtos e Tecnologias da Educação do Senac, Luciana Maranhão, a estimativa é que, até 2020, sejam impactados cerca de 2000 alunos de Cabeleireiro, Maquiador, Depilação, Manicure e Técnico em Estética da instituição.

Luciana esclareceu que os profissionais de beleza nas unidades do Sul Fluminense também serão capacitados.

– O Sul Fluminense também será contemplado nesse treinamento a partir do mês de outubro. No piloto do programa, serão capacitados cerca de 200 profissionais de Beleza. Lembrando que os instrutores do Senac-RJ que passarem por esse treinamento inicial irão atuar como multiplicadores junto aos demais instrutores da instituição e junto aos alunos – disse.

A gerente executiva ressaltou que já no primeiro treinamento, realizado no dia 19 de agosto, em Copacabana, no Rio, participaram 30 pessoas. O público era formado por instrutores de Beleza do Senac e profissionais convidados pelo Sindicato dos Institutos de Beleza e Cabeleireiros de Senhoras do Rio de Janeiro (Sinbel). Já a próxima ação será no dia 16 de setembro, na unidade do Senac em Nova Iguaçu.

– O treinamento, de 4 horas, é ministrado por profissionais do TJ-RJ, da Polícia Militar e por uma psicóloga, que aborda temáticas relativas à violência de gênero, com base na Lei Maria da Penha. E entre as questões abordadas, são discutidas as dificuldades que as vítimas encontram para denunciar esses crimes, devido, por exemplo, à dependência financeira e emocional. Além disso, também são aborda dos os canais de denúncia e as medidas protetivas que essas mulheres podem adotar – esclarece.

Segundo Luciana, trata-se de uma ação preventiva que visa ampliar e fortalecer a rede de enfrentamento a esse tipo de violência, dando visibilidade às questões de gênero.
Na visão do Senac, o programa Mãos EmPENHAdas contra a violência possui uma premissa muito positiva, uma vez que ele incentiva a empatia.

– Os salões de Beleza, em geral, são espaços de acolhimento para as mulheres, onde elas se sentem bem recebidas e à vontade para conversar sem serem julgadas. Trata-se de uma escuta sem julgamentos que às vezes ela tem dificuldade de encontrar na família ou nos amigos mais próximos. Ao conversar com um profissional de Beleza aberto para ouvir e treinado para identificar sinais de agressão e oferecer orientação adequada, essa mulher vítima de violência pode encontrar um aliado para ajudá-la a romper o ciclo de agressão e reconstruir sua vida com dignidade – declara a gerente Luciana.

Programa é elogiado por
profissionais da beleza

A cabelereira Carla Manço, que possui um salão de beleza na Rua Oscar de Almeida Gama, no bairro Aterrado, afirmou a ideia é muito interessante e importante.

– Não é muito comum, mas já aconteceu de clientes relatarem em meu salão que foram agredidas por seus parceiros e falam para desabafar. Também percebo que algumas clientes desabafam como forma de pedir socorro, mas na maioria das vezes ficamos sem reação. Por isso acho que agora, com este programa, os profissionais de beleza vão encontrar formas de interagir melhor e ajudar essas vítimas – disse.

A também cabelereira Hilda Mara, dona de um salão de beleza em um shopping do Aterrado, acredita que o projeto vai incentivar as mulheres que tem receio de denunciar o agressor. Segundo Hilda, as clientes comentam experiências de violência.

– Geralmente, elas começam falando mal do casamento e aos poucos vão desabafando. Com o tempo, nós do salão acabamos fazendo o papel de terapeutas. Já tive clientes e até funcionárias que chegaram ao meu salão sem dentes ou com diversos hematomas causados por agressões do parceiro. Neste caso, eu as aconselhava a darem queixa do agressor – afirmou Hilda.


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