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Programação cultural na Festa de Nossa Senhora dos Remédios

Matéria publicada em 29 de agosto de 2018, 09:00 horas

 


Sesc Paraty oferecerá atrações gratuitas até o dia 08 de setembro

O Sesc Paraty, em respeito a diversidade do território da Costa Verde, está presente na programação da festa da padroeira, Nossa Senhora dos Remédios, que começa nesta quinta-feira (30) e segue até o dia 08 de setembro.
Fundada em 1873 com uma procissão em que se transladaram as imagens que estavam guardadas na Igreja Santa Rita, a qual serviu de Matriz no período da construção atual, para a nova Matriz, costume que se conserva até hoje, por ocasião da festa da padroeira.
Tradicionalmente, a Festa da Nossa Senhora dos Remédios era um momento de retorno à cidade dos membros das famílias, parentes e amigos que residiam fora, e que retornavam para pedir alguma graça, “pagar promessas”, amenizando a distância, desfrutando de dias alegres de confraternização além de reforçar mais ainda sua fé com a padroeira, caracterizado com o nome de “Caravana da Saudade”.
Nesse ano o Sesc Paraty convidou quatro apresentações musicais: o Bohemia do Samba, Trio Macaíba e duas rodas que homenageiam os “velhos cirandeiros” da cidade: mestres Amélio Vaz e Verino. Além das missas, ladainhas durante nove dias e procissões, o público poderá participar da festa que acontece no Estacionamento da Igreja da Matriz, a igreja de Nossa Senhora dos Remédios.

Sobre as atrações:
O Encontro de Cirandeiros, acontece no sábado, dia 1º, a partir das 21h30 e irá homenagear o Mestre Verino, um dos cirandeiros mais conhecidos de Paraty.
Seu Verino tem 85 anos, há 60 anos toca bandola, e há outro punhado de décadas comanda os Coroas Cirandeiros.
– Por insistência e por prazer, mas a ciranda não é mais a mesma. Ciranda boa é ciranda com dança. Dança de par, de cavalheiro com dama – diz Seu Verino confessando que, se pudesse, ainda dançaria como já dançou. A noite inteira do sábado e mais a domingueira depois do almoço. Hoje, não dança mais – a artrose não deixa. Mas toca a bandola.
Seu Verino nasceu e cresceu na região do Rio dos Meros, onde aprendeu a tocar com o pai, que tinha olhos verdes como os dele. Escuros.
– A ciranda chegou aqui no século 17, com os portugueses – conta, acrescentando que também aprendeu em casa. O homenageado tem oito filhos, é aposentado, mas mantém uma posse em Barra Grande. É possível encontra-lo sempre tocando ao lado do seu companheiro Cláudio, nas proximidades da Igreja do Rosário dos Pretos no centro histórico de Paraty, mantendo viva a cultura da ciranda na cidade.
Ainda no dia 1º, o “Boemia do Samba” que nasceu no Quilombo do Campinho da Independência, se apresenta a partir das 23h. Hoje o grupo é composto por seis integrantes: Gêneses, Elton, Luiz, Agilson, Pedro e Marcelo, que dão continuidade ao projeto iniciado pelos seus avós, pais e tios, há mais de 80 anos, trazendo em sua trajetória a história da comunidade e de seus antepassados através do samba, com muita seriedade e orgulho, em respeito aos seus ancestrais e às personalidades homenageadas em seu repertório como Almir Guineto, Arlindo Cruz, Fundo de Quintal, Djavan, entre outros.
Já no dia 08, a partir das 16h, o Encontro de Cirandeiros homenageará outro paratiense Mestre Amélio Vaz, que se envolveu com a música aos 5 anos, quando já cantava canoa e Folia de Reis com os irmãos, e acompanhava o pai nas festas de jongo. Gostava de colar nos músicos, prestando atenção nas rimas.
Aos 84 anos, Seu Amélio é um dos poucos cirandeiros de Paraty a preservar a tradição dos versos de improviso. Sabe contar sua história de vida em forma de poema, com 28 estrofes, rimando as lembranças dos tempos do chiba e das modas inventadas no calor das festas. O banquinho em frente à sua casa, hoje, é o lugar preferido para criar seus versos.
Ao longo da vida, como muitos mestres cirandeiros, Seu Amélio foi lavrador e pescador. É conhecido também pelo pé-de-moleque de gengibre que gosta de fazer. Chegou a tocar viola, mas se aperfeiçoou mesmo no pandeiro, na voz e na memória viva que preserva a cultura da ciranda na cidade.
Ainda no dia 08, o “Trio Macaíba” se apresenta, a partir das 21h30, com forro pé de serra , em uma produção musical que tem como característica a mistura de ritmos tradicionais brasileiros como baião, samba, coco e maracatu ao jazz contemporâneo. À formação de sanfona, zabumba e triângulo – que marca o tradicional forró pé-de-serra – unem-se a riqueza rítmica da música popular brasileira, a improvisação e a harmonia jazzística .
Atualmente é dos grupos do gênero mais respeitados do Brasil. O grupo formado por instrumentistas de referência e excelência, ganharam prêmios e críticas positivas dentro da classe musical e mídia.
São dois discos lançados “Na Trilha do Pé de Serra” (2011) -que conta com a participação de Dominguinhos, Antônio Nobrega, Proveta e Hermeto Pascoal – e “Comida Típica, Tempero Universal” (2015) , que contou com a presença da cantora e compositora Anastácia na Circulação do disco, pelo Circuito Sesc de Artes.
Ao longo de sua trajetória os músicos já tocaram e gravaram ao lado de grandes nomes como Dominguinhos , Toninho Horta, Hermeto Pascoal, Oswaldinho do Acordeon, Djavan, Airto Moreira, Elomar, , Hamilton de Holanda, Antônio Nóbrega, Yamandú Costa, Pena Branca, Jane Duboc, Renato Teixeira, Anastácia , Vinicius Dorin e Arismar do Espírito Santo. Além de turnês anuais pela Europa e todo o Brasil.


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