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Psicólogas explicam como é possível passar pela quarentena vivendo sozinho

Matéria publicada em 15 de maio de 2020, 14:34 horas

 


Pandemia está sendo sentida igualmente por todos, porém, o impacto é diferente dependendo da individualidade, destaca psicóloga

Volta Redonda– Para aquelas pessoas que antes da pandemia viviam sozinhas e estavam acostumadas com uma rotina independente seja no trabalho, em viagens ou encontro com os amigos, a quarentena as obrigou a mudar drasticamente os hábitos. Mas até que ponto as medidas de isolamento social por causa da pandemia do novo coronavírus, podem afetar o psicológico de pessoas que já moram sozinhas e tiveram que passar mais tempo em reclusão?
Na opinião da psicóloga Maria Silva, isso vai depender de cada pessoa. Segundo ela, a pandemia está sendo um fator desencadeante para várias pessoas surtarem, se deprimirem, entrarem em pânico, ficarem com fobia e principalmente com medo de morrer.
– Quem antes da pandemia era centrado, organizado seja sozinho ou em família, passará por essa pandemia com um pouco mais de tranquilidade, eles sabem que tudo isso vai passar, e reconhecem que é preciso aceitar as mudanças por um período um pouco longo – explicou.
No caso daqueles que antes da pandemia já tinham instabilidade psíquica, a psicóloga ressaltou que com a chegada da pandemia, as coisas ficam complicadas para o lado deles, seja os que vivem sozinhos ou em família.
– Eles surtam, ficam mais ansiosos, entram em pânico, apresentam muito medo, passam a usar mais as medicações controladas, comem em excesso, bebem em excesso, infelizmente, tem pessoas que suicida; que adoecem com outras patologias, e tem muitas pessoas que sintomatizam todos os sintomas da Covid-19 imaginariamente, mas que para eles é como se fosse real – disse.
Para Maria Silva, tem pessoas que nesse período da quarentena estão perdendo o controle da própria vida, perdendo a noção dos dias e dos horários, isso acontece porque elas tinham uma rotina de muito tempo e de repente foi preciso parar com tudo. – Nossa mente precisa de uma preparação para parar, e isso não aconteceu, e outro tempo para recomeçar – destacou.
Já na opinião da psicóloga Bruna Buarque da Silva, a pandemia está sendo sentida igualmente por todos, porém, o impacto é diferente dependendo das crenças que o indivíduo traz a respeito das situações que não se podem mudar. Se determinada pessoa tem pensamentos catastróficos achando que a pior hipótese irá acontecer ou de generalização pensando que será sempre assim, ele irá sofrer independente do suporte que este indivíduo tenha para passar pela situação.
– O que se percebe é que pessoas que já viviam em situação de isolamento social, como pacientes acamados e seus cuidadores, estes sim lidam melhor com a condição atual porque já experimentavam o isolamento social. Contudo, os que estão agora forçadamente em quarentena, estes sim estão precisando se reinventar e toda mudança de padrão gera sofrimento, stress e desgaste emocional – destacou.
A psicóloga Bruna acredita que a solidão pode deixar sequelas em alguns indivíduos.
– De modo geral, podemos dizer que o isolamento pode sim trazer sequelas, em especial para os já acometidos por um transtorno psicológico (ex.: depressão, ansiedade, e doenças psicológicas de saúde pública como violência doméstica), estes podem sofrer com o agravamento do transtorno. E para os sujeitos ditos “saudáveis”, estes podem sim desencadear doenças de ordem psiquiátrica – ressaltou.
A psicóloga Bruna lembrou que para aquelas pessoas solteiras e que moram sozinhas as redes sociais facilitam a socialização e interação delas com o meio.
– Certamente, nesta fase este é o melhor recurso para vencer a solidão. Ainda assim, cabe ressaltar a necessidade de se ter cuidado com as informações pessoais passadas através de aplicativos tendo em vista que os crimes pela internet, neste momento, podem estar mais intensos e a solidão/carência, pode fazer com o que o indivíduo se torne alvo fácil para aproveitadores – alertou.
Já a psicóloga Maria Silva é da opinião que para afastar a depressão ou outros problemas emocionais na quarentena, as pessoas que vivem sozinhas devem fazer exercícios físicos em casa, devagar e com cautela, e seguindo orientações de um profissional pelo Youtube.
– Desenhar, pintar, escrever, dançar em casa, cantar, arrumar e limpar melhor cada setor da casa ou fazer um curso online também ajuda – aconselhou.

Por Júlio Amaral 


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Um comentário

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    Resumindo: antes só do que mal acompanhado! Fica em casa, pois o vírus chinês é um pandemônio!

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