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Psiquiatra lança projeto nacional de conscientização e combate à desinformação em saúde mental

Matéria publicada em 20 de maio de 2022, 14:23 horas

 


A pandemia trouxe um grande peso à saúde mental. Segundo a OMS, os casos de ansiedade e depressão aumentaram em mais de 25% em nível global. Preocupado com a questão, de extrema importância para a saúde pública, o psiquiatra pela UFRJ ( Universidade Federal do Rio de Janeiro), Ervin Cotrik, está fazendo um trabalho de conscientização e de combate à desinformação e ao preconceito.

Ao lado do medalhista olímpico Thiago Pereira, Cotrik lançou a série de lives ‘Saúde Mental´, abordando os diversos transtornos existentes, muitos deles relacionados ao suicídio: estudos apontam que mais de 90% tinham uma doença mental e grande parte não estava em tratamento adequado.

O projeto tem engajado nomes conhecidos do cenário nacional como Maitê Proença, Lucas Veloso, Rafa Brites e Diego Hipólito, entre outros, que tem ajudado a discutir sobre o tema através de abordagens menos técnicas e linguagem mais acessível . O último convidado, o comediante Evandro Santo, ex-Pânico na TV, reuniu mais de 600 pessoas, ao vivo, na quinta-feira (19) contando sua história de superação.

Os números são impactantes: segundo a OMS, o suicidio é a terceira causa de morte nos jovens e o quadro foi agravado durante a pandemia. Cotrik revela que grande parte dos suicídios poderiam ter ser evitados se as pessoas tivessem acesso às informações corretas e menos preconceito para buscar ajuda precocemente. A série Saúde Mental tem o objetivo de ampliar o debate com ações práticas que tratam abertamente sobre o tema, abordando por exemplo o uso de substâncias lícitas e ilícitas, um dos fatores que agravam o quadro;

“É preciso conscientizar, informar e democratizar questões relacionadas ao suicídio para prevenir os casos e reduzir esses números alarmantes. Assim como alguém que vai ao cardiologista não tem vergonha de falar sobre seu quadro, quem vai ao psiquiatra também não precisa ter’, diz Cotrik, ressaltando que o preconceito não se limita somente ao paciente mas também cerca a atuação do médico psiquiatra.

Com uma linguagem mais acessível, Cotrik explica como as drogas atuam no organismo de um paciente que sofre de transtornos mentais e afirma que o tratamento é multidisciplinar e deve envolver, em muitos casos, uso de medicamentos, psicoterapia e atividade física. Ele lembra que a patologia tem impactado as famílias e o tratamento deve envolvê-las. E faz um alerta sobre os conflitos familiares
“O comportamento do paciente não é intencional. É preciso entender que trata-se de uma doença e deve ser tratada como tal, pois a tendência é piorar”, ressalta.

O comediante Evandro Santo, 47 anos, sabe bem disso. Ele entrou na causa após ter superado a doença. Na live, contou que desde criança já apresentava alguns comportamentos compulsivos mas foi depois dos 30 anos que, gradualmente, se tornou dependente de drogas, e chegou a ser internado para tratar da dependência química;

“Não tinha limites e cheguei ao fundo do poço’, disse. Foi durante o tratamento que sentiu vontade de entender a doença, passou a estudá-la e conseguiu superar. Hoje dedica parte do seu tempo na conscientização sobre a doença mental. Segundo ele, uma das armas para vencer o transtorno é o apoio de bons profissionais – “Devem ser profissionais especializados”, diz.


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