domingo, 25 de agosto de 2019

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Quando o cinema viaja no tempo

Matéria publicada em 8 de julho de 2019, 07:00 horas

 


Filmes modernos usam até física quântica para realizar o impossível

Jorge Luiz Calife

Máquina do tempo: Um romance no ano 802.701
(Foto 1 time-machine-cover)

Quando Herbert George Wells inventou a viagem no tempo, em 1895, em plena era vitoriana, ele não podia imaginar a quantidade de filmes que seriam criados em cima de sua ideia. Wells também nem sonhava que um dia os cientistas iriam pensar seriamente no assunto. Não, ainda não podemos viajar pelo tempo como os super-heróis fazem rotineiramente, mas podemos sentar em casa num fim de semana e curtir os melhores filmes já feitos sobre o assunto.

Um dos melhores é a primeira adaptação para o cinema do romance de Wells, dirigida em 1960 por George Pal, o Spielberg dos anos 50. Wells morreu em 1946 e talvez ficasse chocado se assistisse a este filme. Seu romance, que é um retrato pessimista da humanidade, virou uma história romântica. Onde o viajante do tempo se apaixona por uma linda mulher do ano de 802.701.

Túnel do Tempo: Criando um wormhole na Terra
(Foto 2 Tunel Entrada)

E os dois vivem um romance ao som da música do maestro Russ Garcia. O filme é lindo e está disponível em DVD.Túnel do Tempo: Criando um wormhole na Terra (Foto 2 Tunel Entrada)Curiosamente “A Máquina do Tempo” inclui uma ponta do ator Whit Bissell, que seis anos depois se tornaria um dos comandantes da máquina do tempo mais famosa da televisão, “O Túnel do Tempo” que pode ser visto no Youtube.

Entre 1895 e 1966 o conceito de viagem no tempo já começara a ser aperfeiçoado. A máquina de Wells era um simples mecanismo vitoriano, que viajava por um linha de tempo linear. Já no seriado de 1966 a viagem é conseguida através de um túnel que atravessa realidades múltiplas, algo que os físicos de hoje chamam de Buracos de Verme (Wormholes em inglês).

Viajar no Tempo envolve paradoxos, se você mudar o passado pode mudar o futuro. Uma ideia que Robert Zemeckis explora até a exaustão na trilogia “De volta para o futuro” de 1985. No filme o herói Marty McFly quase deixa de existir, ao atrapalhar o romance de seus pais, trinta anos no passado. Algo parecido quase aconteceu no recente “Os Vingadores : Ultimato”.

Quando Tony Stark viaja no tempo para 1970 e rouba o cubo azul, ou Pedra do Espaço, do laboratório de seu pai.Paradoxos: De volta para o futuro (Foto: Volta futuro)Se Howard Stark perdesse a pedra azul, em 1970, ele nunca teria criado a tecnologia do Reator de Arco, que Tony usou para criar a primeira roupa de Homem de Ferro e ele não poderia existir. Para evitar isso os personagens tem o cuidado de usar as pedras e depois leva-las de volta para o ponto exato do tempo de onde foram retiradas, assim o futuro não foi alterado.O filme também usa o conceito de linhas do Tempo múltiplas.

Vingadores: Fitas de Möbius e valores de Eigen
(Foto: Fita de Mobius)

Que é um conceito muito popular entre os físicos quânticos. Chamada de Teoria dos Muitos Mundos que diz que a nossa realidade é apenas uma entre varias realidades. Se o viajante no tempo mudar alguma coisa no passado ele cria uma ramificação na sua linha de tempo, que produz um futuro alternativo.É por isso que a Nebulosa de 2019 não morre ao matar a Nebulosa de 2014. Porque ao viajar para o futuro ela criou uma linha de tempo diferente. E o que acontece com ela não afeta mais o seu alter ego do futuro.Vingadores: Fitas de Möbius e valores de Eigen (Foto: Fita de Mobius)O filme dos Vingadores também usa o conceito moderno de topologia do espaço e tempo.

Quando Tony Stark está projetando a sua máquina do Tempo ele usa um holograma que imagina o tempo como uma fita de Möbius. É uma fita de um lado só que o leitor pode fazer em casa torcendo uma fita de papel comum e colando as duas extremidades com fita adesiva. Nesse universo, que é uma fita de Möbius invertida a viagem no tempo seria possível.Stark também menciona os valores de Eigen (autovalores) o que mostra que os roteiristas andaram pesquisando física e álgebra linear. Ainda que o espectador médio nem repare nisso.


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