domingo, 22 de setembro de 2019

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Quentin Tarantino e a Hollywood de 1969

Matéria publicada em 15 de agosto de 2019, 09:00 horas

 


Diretor volta ao passado e reescreve a história da capital do cinema

Mistério: Que fim levou a gravidez da Sharon Tate?

A principal estreia do cinemão, esta semana é o novo filme do Quentin Tarantino, “Era uma vez…em Hollywood”. Trata-se do nono longa-metragem do famoso cineasta, mas quem espera a ação continua e a violência extrema dos “Bastardos inglórios” vai se decepcionar. Tarantino está mais interessado em fazer uma declaração de amor a Hollywood dos anos 60 e a ação descerebrada só acontece nos últimos 15 minutos do filme.

Na verdade quem não conhece a história de Hollywood, no final da década de 1960, vai ter problemas para entender o filme. A história gira em torno de dois personagens fictícios, o ator decadente Rick Dalton, interpretado pelo Leonardo DiCaprio e seu melhor amigo, o dublê Cliff Booth (Brad Pitt). Dalton foi estrela de um seriado de faroeste da televisão chamado Bounty Law. Quando o seriado acabou ele ficou desempregado e foi obrigado a aceitar papéis nos faroestes italianos, rodados na Espanha. O que era considerado o cúmulo da decadência para um ator americano.

Booth é um veterano de guerra que mora num trailer com seu cachorro pitt bull. Sua maior glória foi ter contracenado com Bruce Lee no seriado do “Besouro Verde”. Enquanto Dalton e Booth lutam contra a decadência, uma estrela do cinema vem morar nas vizinhanças. É a loira Shaton Tate (Margot Robbie, a Harlequina do “Esquadrão Suicida”), casada com o cineasta Roman Polanski. Que passa mais tempo na Europa do que com ela. E as duas histórias, de Dalton e Booth e Sharon Tate rumam num curso de colisão.

Na vida real Sharon Tate ficou tristemente famosa ao morrer assassinada, em agosto de 1969. Vítima de uma gangue de hippies liderada pelo psicopata Charles Mason. Mas calma, isso não é um spoiller. “Era uma vez…em Hollywood” é um filme do Tarantino que se passa num universo alternativo, semelhante ao do “Bastardos Inglórios”. Onde a história pode tomar um rumo diferente. Na verdade “Era uma vez…em Hollywood” é uma espécie de “Bastardos Inglórios” na terra do cinema.

Os fãs mais jovens do Tarantino, que assistiram ao filme no exterior, ficaram um tanto decepcionados, eles acham que o filme custa muito a “decolar”. O problema é que eles nunca ouviram falar nessa tal de Sharon Tate e não entendem a paixão que o diretor tem pela década de 1960. E é essa nostalgia do diretor que forma o núcleo do filme. Onde ele recria com perfeição a Hollywood de 1969, com seus carrões Chevrolet Impala, a moda das minissaias, e os conjuntos de música pop como o “Mammas and Papas” e suas canções que celebravam a vida da ensolarada Califórnia.

A decadência do ator, interpretado pelo Leonardo Di Caprio, faz parte desse contexto. Ele era um cowboy da televisão, mas na década de 1960 os seriados de faroeste foram substituídos pelas series de ficção científica, como “Jornada nas Estrelas” e “Perdidos no Espaço”. E os velhos cowboys ficaram obsoletos e desempregados. Para eles o único mercado de trabalho que restava eram os filmes italianos, rodados na Espanha. Filmes B como “O dólar furado” e “O expresso blindado da SS nazista” que o Tarantino adora.

Rick Dalton trabalhou num desses filmes de guerra italianos e guardou várias armas como souvenir, incluindo um lança chamas perfeitamente funcional. Imagine um ator trazendo metralhadoras e lança-chamas da Itália num avião. Algo somente possível num filme do Quentin Tarantino.

Outro detalhe estranho é que a verdadeira Sharon Tate estava grávida, de nove meses quando foi assassinada. Se o leitor olhar com atenção o cartaz do filme aí ao lado vai notar que a Sharon Tate, da Margot Robbie, não tem sinal algum de gravidez.  Mas tudo bem, é o universo paralelo do Tarantino.

 

Por:Jorge Luiz Calife


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