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Recriando as naves do cinema

Matéria publicada em 22 de agosto de 2019, 09:00 horas

 


Construir maquetes dos clássicos da ficção virou um hobby muito caro

Daqui a algumas semanas chega aos cinemas o filme de ficção científica “Ad Astra”, estrelado pelo Brad Pitt. O diretor James Gray diz que tentou criar o filme mais realista já feito sobre as viagens espaciais, vai ser muito difícil ele superar o “2001” do Kubrick. Além disso, o trailer mostra que as naves do filme parecem os foguetes atuais da NASA. Nada que se compare as fantásticas espaçonaves que deslizaram pelas telas do cinema no século passado, naves como a “Discovery” do “2001”, a “Valley Forge” do “Corrida Silenciosa” ou as Eagles do seriado “Espaço 1999”. Modelos tão elaborados que até hoje são reproduzidos em maquetes pelos fãs do modelismo espacial.
Quando filmou “2001: Uma odisseia no espaço”, entre 1966 e 1967, o diretor Stanley Kubrick construiu uma das maiores maquetes já usadas pelo cinema. O modelo da Discovery 1 tinha 15 metros de comprimento e ocupava todo um estúdio do complexo MGM em Londres. O tamanho era necessário para conseguir a “profundidade de campo” durante as tomadas. Garantindo que nenhuma parte da enorme espaçonave ficaria fora de foco. Um modelo menor, de três metros de comprimento, foi usado nas tomadas de longa distancia.
Quando as filmagens terminaram os dois modelos foram destruídos, mas logo surgiram inúmeras réplicas criadas por empresas de modelismo. Uma dessas réplicas tem três metros de comprimento e foi usada na exposição sobre a carreira do Kubrick, que esteve no Rio de Janeiro e em São Paulo.
A empresa Moebius tem um modelo menor, com 1,20m de comprimento que qualquer fã pode comprar. Ele vem todo desmontado, em mais de duzentas peças que precisam ser coladas uma por uma e custa 180 dólares, o que é um preço meio salgado para um hobby. Mas os fãs pagam sem reclamar e o modelo está quase esgotado nas lojas da internet.
Outro modelo grande é o ônibus lunar Eagle, do seriado “Espaço 1999”. Que imaginava a vida em uma base lunar do futuro. A Eagle foi criada pelo técnico em efeitos especiais Brian Johnson. Um modelo para montar dessa nave é produzido pela emprea MPC Products, e custa em torno de 80 dólares. Como a Discovery ele é formado por dezenas de peças que vão sendo coladas umas as outras a partir da planta fornecida com o modelo. Ao contrário da Discovery do 2001, a Eagle original, usada nas filmagens, foi preservada. E serviu de base para a criação da réplica comercial. Que esta disponível nas lojas da internet.
Outra joia do modelismo espacial é o cargueiro sideral “Valley Forge”, do filme “Corrida Silenciosa” de 1971. Ele foi criada por Douglas Trumbull, o responsável pelos efeitos especiais do “2001”. O roteiro original do filme do Kubrick imaginava uma viagem ao planeta Saturno. Mas o roteiro foi modificado e Saturno ficou de fora do filme. Trumbull não se conformou e criou seu próprio filme sobre uma viagem a Saturno. A Valley Forge é uma nave ainda maior que a Discovery do “2001”. Enquanto a nave do Kubrick teria 120 metros de comprimento a Valley Forge seria um gigante de 600 metros de comprimento. Com domos geodésicos na proa, contendo amostras de ecossistemas terrestres: Floresta tropical, floresta temperada, deserto, savana.
Com um orçamento bem menor Trumbull não pode criar uma maquete de 15 metros. Ele conseguiu o mesmo efeito com um modelo de oito metros de comprimento. Que acabou sendo destruído depois das filmagens. Atualmente não existe nenhum modelo comercial desta nave. Exceto uma replica de papel que pode ser baixada da internet. O que não impede alguns fãs habilidosos de criarem suas próprias versões. Como o modelo espetacular na foto aí ao lado, feito por um artesão americano. Que não fica nada a dever do original usado no filme de 1971.


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