terça-feira, 4 de agosto de 2020

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Região acumula mais de dez mil empregos fechados no ano

Matéria publicada em 6 de julho de 2020, 15:15 horas

 


Dado se refere à diferença entre admissões e demissões; número total de dispensas ultrapassa 36 mil

Sul Fluminense – Desde o início do ano, houve 36.310 demissões no Sul Fluminense, incluindo os municípios de Angra dos Reis, Barra do Piraí, Barra Mansa, Itatiaia, Paraty, Pinheiral, Pirai, Porto Real, Quatis, Resende, Três Rios, Valença, Vassouras e Volta Redonda. No mesmo período, houve 25.517 admissões, o que resulta em um saldo negativo de 10.793, indicando que existem quase onze mil empregos a menos na região.

A maior parte dessas demissões pode ser creditada às medidas de combate à pandemia de Covid-19, de acordo com a Carta de Conjuntura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). As informações fazem parte de texto publicado pela Agência Brasil e reproduzido ao fim desta reportagem.

Os saldos negativos mais acentuados, no acumulado do ano, foram registrados em Volta Redonda (- 3.791), Resende (-1.443) e Angra dos Reis (-973). No entanto, quando se aborda apenas a quantidade de demissões, Volta Redonda e Resende continuam a ser os municípios mais afetados, com 10.517 e 5.029 dispensas, respectivamente, mas Barra Mansa passa a ocupar o terceiro lugar, com 4.641 encerramentos de contrato de trabalho.

Como Barra Mansa teve 3.858 admissões no período, contra 2.788 de Angra dos Reis, seu saldo é menos negativo que o da cidade da Costa Verde. Já Volta Redonda e Resende, além de terem os maiores números de demissões e os saldos mais negativos, tiveram também o maior número de admissões, com 6.726 e 3.586, respectivamente.

Veja os números do Caged para a região

Maio Acumulado 2020
Município Admissões Demissões Saldo Admissões Demissões Saldo
Angra dos Reis 263 481 -218 2.788 3.761 -973
Barra do Pirai 186 293 -107 1.388 1.929 -541
Barra Mansa 409 717 -308 3.858 4.641 -783
Itatiaia 58 282 -224 809 1.262 -453
Paraty 41 160 -119 1.040 1.605 -565
Pinheiral 38 52 -14 309 419 -110
Pirai 109 118 -9 915 1.039 -124
Porto Real 35 218 -183 476 1.258 -782
Quatis 19 30 -11 165 217 -52
Resende 302 634 -332 3.586 5.029 -1.443
Tres Rios 137 551 -414 2.003 2.980 -977
Valenca 128 190 -62 936 1.106 -170
Vassouras 54 89 -35 518 547 -29
Volta Redonda 638 1.945 -1.307 6.726 10.517 -3.791

A pandemia e o desemprego

As medidas de restrição da mobilidade para conter a disseminação do novo coronavírus afetaram fortemente a população ocupada no Brasil, sobretudo a partir de abril deste ano. A informação foi publicada nesta segunda(6) na Carta de Conjuntura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) com o tema “A Evolução do Emprego Setorial em 2020: Quão Heterogêneo Foi o Tombo entre os Setores?”, de autoria dos pesquisadores da instituição Carlos Henrique Corseuil, Lauro Ramos e Felipe Russo.

De acordo com a pesquisa, os registros administrativos para o setor formal revelam impacto negativo de forma generalizada, mas de intensidade variada nos segmentos. O mais atingido, em termos relativos, foi o setor de alimentação e alojamento, seguido pelo da construção. Os setores de administração pública e de agricultura foram os que tiveram menos impacto com a crise.

“Cabe destacar também que, até aqui, a contração nas admissões teve maior relevância que o aumento dos desligamentos para a queda no emprego formal na maior parte dos setores”, diz a pesquisa.

O pior resultado no crescimento líquido do emprego foi o do setor de alojamento e alimentação, porque, sendo uma exceção, ajustou o emprego tanto nas admissões como nos desligamentos.

Os pesquisadores explicam que, usando os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), juntando o setor informal, foi possível verificar que “os efeitos no nível de emprego por setor são não apenas mais intensos, mas também ocorrem mais cedo, já sendo percebidos em março e de forma mais difusa”.

Segundo a Carta de Conjuntura, entre os segmentos mais afetados, houve impactos também severos no setor de serviços domésticos, caracterizados pela forte presença da informalidade.

O agregado dos primeiros meses de 2020, mostra que houve forte queda do emprego em comparação com o mesmo período do ano anterior. No trimestre terminado em abril de 2020, a Pnad Contínua indicou que a população ocupada no país caiu 3,1 milhões na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior.

Já os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), apontaram também no acumulado de 2020, um saldo negativo de mais de 700 mil empregos formais. “Esse comportamento é ditado, sobretudo, pelos resultados registrados a partir de março, quando é declarado o quadro de enfrentamento da pandemia do novo coronavírus”, afirmam os pesquisadores.

Os autores da pesquisa destacam que o fato mais relevante é a acentuada diferença nas comparações interanuais dos meses de março com as de abril e maio.

Conforme o estudo, as taxas de admissão em março de 2020 superam as registradas em março do ano passado na maioria dos setores. As exceções foram os segmentos de a agricultura e de serviços de alojamento e alimentação. A partir de abril, os impactos da pandemia são mais nítidos, com grandes quedas nas taxas de admissão entre 2019 e 2020 em todos os setores.

“Os setores de indústria e construção exemplificam bem esse padrão”. A Carta de Conjuntura demonstra que, na indústria, as admissões foram responsáveis pelo aumento de 2,93% no emprego de março de 2019 e de 3,20% em março de 2020, revelando crescimento nas taxas de admissão interanuais. Depois daquele mês, o padrão mudou, saindo de um crescimento de 3,18% em 2019 para apenas 1,33% em 2020, em abril, e de 2,87% para 1,45% em maio.

Na construção, a taxa de admissão, que não sofreu impacto em março, recuou cerca de 4 pontos percentuais entre abril de 2019 e 2020. Houve queda semelhante no setor de serviços de alojamento e alimentação, no qual as admissões em março de 2020 cresceram 4,19%, patamar abaixo do de 2019, e apenas 0,74% e 0,88% em abril e maio de 2020.

Com exceção dos setores de agricultura; serviços para empresas de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas; e administração pública, houve queda nas taxas de admissão em abril e maio de 2020 em quase todos os setores em abril e maio de 2020, na comparação com as de 2019. “O efeito maior das medidas de enfrentamento da pandemia sobre as contrações foi em abril último. Por exemplo, os setores de comércio e reparação de veículos e da indústria da transformação contrataram, na ordem, menos cerca de 200 mil e 100 mil trabalhadores em abril e maio na comparação com o ano anterior”.

Os dados sobre desligamento por setores de atividade indicam similaridade das taxas registradas em abril de 2019 e 2020, o que difere do padrão encontrado para as taxas de admissão setoriais. “Um ajuste mais forte em abril, tanto para contratações como para desligamentos, só é observado para os setores de transporte e armazenagem e também de alojamento e alimentação. Nos demais setores, à exceção da agricultura, apesar de as taxas de desligamento serem maiores na comparação interanual para abril, as diferenças tendem a ser de magnitudes próximas às da comparação para março”, diz o estudo.

Em maio, no entanto, o panorama mudou, e as taxas de desligamento em maio deste ano são menores que as de abril de 2019 e também inferiores às de maio de 2019. “Em termos relativos, o setor mais afetado, por larga margem, é o de alimentação e alojamento, sobretudo em março e abril, quando o crescimento na taxa de desligamentos fica em torno de 4 pontos percentuais. No outro extremo, está a administração pública, com taxas bastante similares em 2019 e 2010”, relataram os pesquisadores.

A publicação do Ipea ressalta que a Secretaria de Trabalho do governo federal apontou um padrão de subdeclaração dos desligamentos nos primeiros meses de 2020, mas diz que os dados apresentados já incluem uma revisão dessa informação com vistas a reduzir o problema de menor número de notificações dos desligamentos.

“Vale destacar o aumento nas taxas de desligamento entre maio de 2019 e 2020 computado para os setores de transporte e armazenagem e, também, de alojamento e alimentação. Esses setores já haviam apresentado trajetória preocupante para as taxas de admissão entre abril de 2019 e 2020”, ressalta ainda a Carta de Conjuntura.

Ainda com base nos dados do Caged, além ds movimentações de admissões e desligamentos, o cadastro informa o saldo líquido, que é o contraste entre número de de trabalhadores admitidos e desligados.

O saldo foi usado pelos pesquisadores para construir uma taxa de crescimento líquido do emprego setorial. “Em virtude do padrão reportado de diminuição nas taxas de contratação e de aumento nas taxas de desligamento nos últimos meses de 2019, devemos esperar que taxas de crescimento líquido do emprego com valores negativos sejam predominantes nesse período mais recente”, ressalta o estudo.

*Com informações da Agência Brasil


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