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Região pode ganhar Consórcio de Políticas de Igualdade Racial

Matéria publicada em 13 de maio de 2017, 13:00 horas

 


Vice-prefeita de Barra Mansa planeja implantação de nova equipe contra o racismo

Barra Mansa – Com o incentivo do prefeito Rodrigo Drable, a vice-prefeita, Fátima Lima, e Walmiro Fabiano ficaram responsáveis pela criação do Consórcio de Políticas de Igualdade Racial na região do Médio Paraíba. O projeto prevê a construção de um plano regional de combate ao racismo e deverá envolver dez cidades do Médio Paraíba: Barra Mansa, Volta Redonda, Pinheiral, Quatis, Resende, Itatiaia, Porto Real, Piraí, Valença e Barra do Piraí. A expectativa é de que o consórcio seja lançado no segundo semestre e, segundo Walmiro, todos o representantes desses municípios já acenaram positivamente suas participações.

“O consórcio será um colegiado de 10 cidades, nas quais serão desenvolvidas ações visando a igualdade racial entre seus municípios. Hoje, Barra Mansa tem sido referência nessa temática e, inclusive, muitos municípios têm nos procurado no sentido de darmos assistência para a implantação de órgão como a gerência de Promoção de Igualdade Racial”, explicou o gerente.

A criação do consórcio, conforme ressalta Walmiro, faz parte de uma demanda da Sepir (Secretaria Extraordinária de Promoção de Igualdade Racial), com a qual o município tem um convênio assinado.

“O consórcio vai afetar um milhão e trezentas mil pessoas, que é a população formada por esses dez municípios. Será um grande ganho para toda a sociedade”, ressaltou Walmiro, ao acrescentar que hoje o município já vem trabalhando a temática de igualdade racial em parceria com ONGs e pessoas que tenham projetos voltados para o assunto.

Racismo em foco

Realizando um trabalho intenso em parceria com a gerência de Promoção de Igualdade Racial, que funciona em seu gabinete, a vice-prefeita em entrevista ao DIÁRIO DO VALE, falou sobre a importância de se refletir o dia 13 de maio, que marcou a abolição da escravatura.

Ela, que tem participado de diversas ações na luta por políticas de igualdade racial, ressalta que ainda hoje os negros são subjugados no Brasil, onde há a segunda maior população afrodescendente do mundo, sendo superado apenas pela África.

– O 13 de maio não é para comemorar. Ao invés de fazer isso, nós queremos que as pessoas reflitam que o racismo não é um problema do negro, mas sim um problema de toda sociedade, que precisa enxergar e resolver essa questão – destacou a vice-prefeita.

De acordo com a professora, é preciso levantar e discutir sempre a seguinte questão: Se a população negra representa cerca de 50% da população brasileira, porque a presença desse público não se faz presente nessa mesma proporção nas universidades e no mercado de trabalho? “Hoje, a cada dez jovens que se formam na universidade, apenas dois são negros, em contrapartida, as mulheres negras, por exemplo, são as que mais sofrem com a mortalidade materna. Por que ainda há essas diferenças?”, questiona Fátima Lima.

Ao avaliar a evolução da questão racial do país, desde a abolição da escravatura até os dias de hoje, a vice-prefeita disse que os negros e pardos não estão mais onde estavam há alguns anos atrás, enquanto escravos, mas que ainda não estão onde deveriam.

“Vivemos num país onde a cor da pele ainda é considerada importante. Temos que trabalhar a exclusão do preconceito ou empoderar os excluídos, para que tenhamos forças para mudara situação do racismo. Já evoluímos, mas precisamos avançar ainda mais. É uma questão de conscientização que ainda vai levar tempo, mas é possível. Acredito que com mais um tempo, nossa sociedade estará melhor”, afirmou a professora.

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Racial: Fátima Lima e Walmiro Fabiano estão coordenando montagem de consórcio (Foto: Paulo Dimas)

Projetos e ações

Conforme destacou a vice-prefeita, um dos projetos de grande destaque, realizado no primeiro semestre em parceria com a Fundação de Cultura foi o Afro Saberes. cujo objetivo foi realizar debates, workshops e contação de história com temática voltada para a cultura afro. Em uma das edições do evento, que foi realizado semanalmente na Estação das Artes, Fátima Lima ministrou uma palestra com o tema: “A Identidade Visual do Negro na Sociedade”. “É um compromisso desse governo multiplicar e valorizar a igualdade racial. O Projeto Afro Saberes foi uma iniciativa muito importante nesse sentido”, destacou a vice-prefeita, que tem participado de diversas outras ações.

No último dia 4 de maio, por exemplo, ela participou do encontro sobre Saúde e Etnia realizado pelo UBM (Centro Universitário de Barra Mansa). Na ocasião, falou-se sobre direitos da mulher negra e sobre atenção à saúde das mulheres negras. “Durante esse evento foram citados dados estatísticos relacionados à mulher negra. Apesar de representarem 54% das brasileiras, a desvantagem das delas, em relação às brancas, em questões como analfabetismo, índice de mortalidade durante o parto, à violência e a ocupação em cargos dentro das maiores empresas do país, ainda é grande”, comentou a vice-prefeita.

De acordo com Fátima Lima, todos os trabalhos realizados pela gerência de Promoção de Igualdade Racial vem recebendo o apoio do prefeito Rodrigo Drable (PMDB), que enquanto vereador, em 2006, criou a lei que institui, já no ensino fundamental das escolas municipais, a educação anti-racista e anti-discriminatória, além de ter formalizado Conselho Municipal de Igualdade Racial.

“O prefeito já era empenhado na construção de políticas públicas de igualdade, enquanto vereador, e agora no Executivo ele está dando continuidade a esse trabalho. Estamos trabalhando para colocar em prática a lei criada por ele em 2006,. Que será fundamental para trabalhar essa questão do racismo a partir da infância e também com os jovens, mostrando que a cor da pele não representa diferença social”, salientou a vice-prefeita.

Conforme destacou o gerente de Promoção de Igualdade Racial, Walmiro Fabiano, logo do início do governo foi possível perceber que a política de igualdade racial é transversal e que, por isso, seria preciso envolver todo o secretariado para que fossem apresentadas as propostas de trabalho. “O mesmo nós fizemos com toda a sociedade civil, deixando aberta a colaborações de todos nessa luta. Na verdade nosso objetivo é conquistar política de desenvolvimento não só para os negros, mas para toda a cidade, já que somos 50% da população”, comentou Walmiro.


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26 comentários

  1. Avatar

    Muita gente precisando estudar história, sociologia e talvez nascer de novo para ler uma matéria dessas e entender o contexto social a que ela se refere. Entendam que há uma diferença histórica na trajetória de negros e brancos no Brasil, e só com ações afirmativas poderemos chegar num patamar de plena igualdade. As estatísticas estão aí para que possam compreender, sem ignorância, preconceito e achismos. Estudem o conceito de equidade – quando falamos de igualdade racial não estamos pregando dissenção, muito pelo contrário.

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    BOLSONARO 2018

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    Ué?…não entendi, se começaram agora, como já é referência??????????

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    Participei muito na época do prefeito Roosevelt Brasil desses trabalhos junto com o conselho e com o outro professor, acho essa luta muito válida, MAS NÃO DEIXEM SEM RESPOSTAS ESSES ATAQUES ACIMA, ESSA GENTE NÃO CONHECE A REALIDADE DO POVO NEGRO E SÓ SABEM CRITICAR INICIATIVAS PARA MELHOR AS DESIGUALDADES…REBATAM..REBATAM;;;;

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    Será que isso vai render algum cascalho? Sinceramente, o que não falta é oportunista pra ganhar dinheiro incentivando ainda mais a divisão da sociedade. Afinal, sem ela não há luta de classes e um mundo melhor…

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    Lutar pela igualdade humana eles não querem, né?
    Na verdade eles querem mesmo é mais um cabide de emprego na PMBM. Eles querem mesmo é dividir ainda mais a sociedade em classes. Tudo a ver com o comunismo.

    Veja que anos atrás eu disse aqui mesmo que um dia eles iriam querer 50% das cotas nas universidades e nos concursos públicos. Olhem aqui: “…Se a população negra representa cerca de 50% da população brasileira, porque a presença desse público não se faz presente nessa mesma proporção nas universidades e no mercado de trabalho?…”

    Será que um dia eles quererão melhor nota na prova da universidade que eu luto para conseguir nota 10? Será que eles vão obrigar o professor tirar 02 notas minha e passar para um negro? E se não transferir 02 notas minha para um negro vão processar o professor por ser racista?

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      A pergunta que fica é: se a população negra representa mais de 50% por que eles não são representativos nas universidades, concursos públicos? As oportunidades são iguais, por exemplo em fazer uma redação ou pontuar em Língua Portuguesa e Matemática.

      As mesmas 4 horas de estudo que eu preciso mesmo trabalhando o dia inteiro , um negro ou outra cor tem. Qual a diferença? Eu não me julgo melhor em nada a um negro ou outra cor de pele.

      Os negros precisam deixar de ser racista e irem a luta, além de reservar 4 horas de estudos diária.

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      Se as oportunidades são iguais, por que os negros/mulatos (50% da população) são exceções heroicas nas universidades de ponta e maioria esmagadora na base da pirâmide?

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    Só acabar com as cotas em faculdades e concurso público. Pronto, fica tudo igual.

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    E quem irá defender os brancos ?
    Que não tem cota em faculdades, empregos , etc….

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    Nós devemos combater o racismo através de ações pacíficas, como Luther nos Estados Unidos e Ghandi na Índia, isso eu procuro fazer sendo eu uma pessoa branca, por exemplo, quando o povo de Volta Redonda recusou há quarenta anos atrás um bispo negro, para acolher um bispo vermelho, eu achei o cúmulo do absurdo, eu perguntei para mim mesmo: O vermelho tem mais valor que o negro??!!…, eu respondi para mim mesmo: Não, não e não. Logo, eu fiz uma RESISTÊNCIA PACÍFICA ao bispo vermelho…. Como?! Não votei nos candidatos que o bispo vermelho defendia…
    É uma resistência pacífica, mas não adiantou muito, pois o povo aceitava tudo que o bispo vermelho pedia para fazer…. No final das contas o povo se ferrou, pois os candidatos do bispo vermelho acabaram com o Brasil….

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    Bando de oportunistas… Trabalhar negada!

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    Ah, claro, não existe problema racial no Brasil, todos são iguais, têm os mesmos direitos, as mesmas oportunidades. Racismo então, nem pensar, não existe.
    O fato de há dois anos existir ZERO negro na Medicina da USP é mera coincidência.
    Quando vc vai ao Rosário buscar suas filhas depois da aula e vê um aluno negro para cada 50 brancos (ou que são considerados brancos), têm-se se a ideia do que é a propalada “igualdade racial”…

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      Em 1997 FHC, que era presidente, e cuja avó foi uma negra, propos que os cursos de medicina nas universidades públicas fossem pagos pelos estudantes, o PT e o PCdoB foram contra a proposta, eu achei um absurdo, pois eu via os carrões dos estudantes estacionados ao lado da universidade…

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      Al Fatah - O Horrendo

      Esse Dácio deve ser mais um vitimista (se negro) ou politicamente correto (se branco) que só vê os efeitos, não as causas… Garanto que negro rico tem tantas chances de acesso ao ensino universitário quanto o branco rico. Se não acessa, é por outros motivos quaisquer que não a falta de oportunidade…

      O racismo nada mais é que um mecanismo de retroalimentação…

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      Se essa proposta absurda passasse, iria dificultar mais ainda o acesso às universidades públicas às camadas populares, que permaneceriam em grande parte a essas faculdades privadas com franquia em shopping. Não de soluciona um problema agindo sobre as consequências, mas sobre as causas.

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      Sr. Fatah,que “outros motivos” seriam esses? Aliás, apesar de constituírem em cerca de metade da população brasileira, os negros/mulatos são maioria absoluta base profunda da pirâmide social, na população marginalizada e carcerária. E exceções heróicas nos postos de comando, domínio econômico, alta magistratura, protagonismo midiático e em telenovelas, shoppings e condomínios de luxo. A que vc atribuiria essas distorções gritantes? Ao DNA, darwinismo?

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      Al Fatah - O Horrendo

      Minha resposta à tua indagação está em meu primeiro post…

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      Não está, não. Vou tentar simplificar para vc. Por que os negros/mulatos, mesmo constituindo pelo menos 50% da população brasileira, são maioria esmagadora entre subalternos, presidiários, marginalizados e pobres em geral, enquanto o topo da pirâmide sócioeconômica é praticamente exclusividade dos brancos (onde negros são raridades, tirando um jogador de time europeu aqui, um Joaquim Barbosa ali, um pagodeiro acolá)?
      Vc pode responder de maneira simples e sucinta.

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    Liberdade e propriedade

    No Brasil não existe raça quase todos são mestiços. Essa discussão de cor é perda de tempo, procurar chifre na cabeça de cavalo, falto do que fazer. Pouco antes do surgimento das cotas, vi uma pesquisa que a questão de cor já não era problema no Brasil, ninguém mais falava disso, o clima era harmônico, pouco depois dascriaram as cotas, e a discussão, que já não existia, ressurgiu com força total. E o estado que por deve ser indiferente na questão de cor, tomou partido.

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      Eu alertei aqui dessa possibilidade. Agora vão criar essa estrutura para fazer mais barulho ainda, e usando dinheiro público.

      Alguém duvida que um dia vão processar qualquer um que faça comentários contra eles? Quem aposta?

  13. Avatar
    Al Fatah - O Horrendo

    Isso (discriminação) é uma questão cultural. Já começa por considerar como negra qualquer pessoa que tenha alguma melanina na pele ou ancestralidade africana, como se o negro fosse o “vira-latas” e os brancos tivessem “pedigree”. Esse é uma incoerência muito fomentada até pela própria militância negra, para ganhar massa (mais adesão à causa) e percentual estatístico, mas muitos mestiços e pardos refutam o rótulo e não se declaram pertencer a uma ou outra etnia…

    Políticas públicas como essas leis des cotas, longe de nivelar e irmanar, só criam questionamentos, revanchismo e desunião até entre indivíduos da mesma família, ainda mais num país multirracial feito o Brasil… Respeito é um tipo de coisa que não deve ser imposta, mas sim conquistada. O passado escravagista que ainda hoje paira sobre os negros no imaginário popular e na mente dos próprios só será dissipado mediante exemplos visíveis e profusos de destaque e sucesso… Os orientais, antes tão discriminados quanto eles, souberam se fazer respeitados como um povo coeso, disciplinado e trabalhador metódico, que nunca dependeu de ajuda externa para serem o que são hoje, seja no Brasil, em seus países de origem ou em qualquer outro lugar do mundo. Com o negro acontecesse exatamente o contrário, e costuma-se usar como justificativa esse vitimismo socialmente aceito (embora intimamente nem sempre) que se escora no pensamento “politicamente correto” do mundo atual – o culpado é sempre alguém que não si próprio, desde que vc seja visto como um pobre coitado…

  14. Avatar

    Esse povo devia arrumar trabalho, ao invés de criar coisas pra ganhar dinheiro.

    • Avatar

      VERDADE
      ELES MESMO SE FAZEM DE INFERIOR É COM MENOS CAPACIDADE FO QUE OS OUTROS
      AS OPORTUNIDADE ESTÃO ai
      AGORA QUE CULPA TEM EU OU OS OUTROS SE O NEGRO NÃO QUÊ ESTUDAR OU TRABALHAR
      SE SÓ FAZER FARRA OU USAR DROGA ESTÃO BOM PRA ELES

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