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Saldar dívidas até o final do ano é o grande desafio dos inadimplentes

Matéria publicada em 30 de setembro de 2018, 10:06 horas

 


Orientação das CDLs de Volta Redonda e de Barra Mansa e para que consumidores negociem dívidas

Volta Redonda e Barra Mansa – Faltando três meses para a chegada das festas de final de ano, uma das principais preocupações dos consumidores brasileiros, em situação de inadimplência, é limpar o nome para realizar as compras natalinas. Mas, ainda que a economia do país esteja dando alguns sinais de melhora, uma pesquisa recente divulgada pelo SPC Brasil, em parceria com a Câmara Nacional de Dirigentes Lojistas, apontou que quase 50% dos brasileiros não acreditam que vão conseguir pagar suas dívidas nos próximos meses. A pesquisa, de acordo com as CDLs de Volta Redonda e Barra Mansa, reflete a realidade das duas cidades. No entanto, as entidades orientam que é importante os consumidores em situação de débito procurem a loja ou instituição financeira para um possível acordo.
De acordo com o presidente da CDL de Barra Mansa, o empresário Xisto Neto, hoje o índice de inadimplência no município é grande, assim como em todo o país, e a CDL acredita que isso implica o fato de o consumidor assumir diversos compromissos financeiros.
-E com as dificuldades que a crise ainda gera, a conta nem sempre fecha no final mês. Sem falar que a questão também envolve o processo do desemprego, a renda apertada dos brasileiros e a necessidade de ajustes financeiros nas famílias para que tudo se normalize e reflita de forma positiva na economia – disse o presidente, ao acrescentar que conforme os registros do SPC Brasil, o avanço da inadimplência em Barra Mansa foi de 1,61% na comparação anual.
Segundo Xisto, com a aproximação das festas de final de ano, cabe ao empresário fazer sua negociação junto ao seu cliente. Ele explica que CDL sempre está disponível, por meio do Sistema SPC Brasil, para auxiliar o lojista em relação às consultas e registros e orientações para uma venda sempre mais segura, além de estimular o lojista para que promova ações de renegociação de dívidas, para que os índices de inadimplência sejam cada vez menores.
-A base de dados do SPC Brasil tem abrangência nacional, com informações de capitais e interior de todos os 26 estados da federação, além do Distrito Federal o que gera um respaldo maior ao empresário que deseja consultar o consumidor para vendas seguras – garantiu Xisto, ao afirmar que muitos consumidores brasileiros deverão aproveitar a primeira parcela do 13º salário para quitarem débitos e, assim, realizar novas compras para o final do ano.
Conforme destaca o presidente, o empréstimo de nome a terceiros é uma das causas que leva os brasileiros à inadimplência. Por isso, a orientação é que, ainda que seja um ato solidário, as pessoas evitem esse tipo de medida que, segundo ele, “pode causar danos à saúde financeira de quem emprestou”.
– Quem emprestou pode acabar se responsabilizando por uma dívida que não a pertence. O recomendável é não emprestar ou emprestar apenas um valor que não fará falta no orçamento. A orientação da CDL é para que as pessoas inadimplentes procurem os empresários para negociarem a melhor forma de quitar suas dúvidas, para que os nomes sejam cancelados e retirados do SPC e, dessa forma estarem aptas para novas compras com crédito no comércio local – disse Xisto.

Foco na redução dos índices

O presidente da CDL de Volta Redonda, o empresário Adriano Santos, também reconhece que a inadimplência é uma realidade no município, mas que a entidade vem trabalhando para reduzir os índices que, segundo ele, estão variando entre 10% e 11%. O que se percebe, de acordo com Santos, é que aas instituições financeiras são as mais prejudicadas com a crise econômica que, conforme destaca, diminuiu o poder aquisitivo das famílias, levando a dificuldade de quitação de dívidas em atraso.
-Infelizmente a inadimplência também reflete uma realidade em Volta Redonda. Quando falamos de crediário e cheques, por exemplo, ela implica em um aumento de pelo menos 15% em relação aos primeiros oito meses do ano – compara o presidente.
Como forma de ajudar os consumidores nesta situação, Santos explica que todo ano a CDL realiza a campanha “Nome Limpo, Crédito Forte”, que ocorre no início do ano e outra pouco antes de dezembro, com o objetivo de incentivar o consumidor a pagar o que está devendo com o atraso, mas, principalmente, ao comércio para oferecer uma negociação com seus devedores, visando oferecer descontos nessas dívidas.
-Nessa campanha o consumidor vai até a sede da CDL-VR, tirar uma relação de onde está devendo e procura a loja para realizar o pagamento, negociando, principalmente os juros. Usamos nossas redes sociais e site, além da imprensa, para divulgarmos a campanha e atingir um número maior de pessoas. Com a aproximação do 13º salário, a nossa expectativa é positiva e com certeza, boa parte dos consumidores inadimplentes devem utilizar esse benefício para conseguir voltar a ter poder de consumo. Ninguém gosta de ficar inadimplente e, por isso, sempre que entra dinheiro extra, as pessoas procuram voltar a ter uma vida financeira estável – ressalta o presidente.
A orientação de Santos para quem está em débito é a de também procurar a loja ou a instituição financeira onde tem dívidas em atraso pera tentar renegociar, pedir descontos em juros, um refinanciamento e explicar o motivo de estar inadimplente. E mais: ele alerta que nunca o consumidor com crédito deve emprestar o nome para terceiros, mesmo que seja um familiar bem próximo.
-Se a pessoa não pagar, essa conta passa a ser do dono do cartão de crédito, da conta no banco e do crediário. Além disso, o consumo consciente, controlado, ajuda a economia a crescer – enfatizou o presidente.

Expectativa de melhora

Questionado sobre a expectativa de melhora na economia a partir do próximo ano, Santos disse ser impossível prever porque há muitas dúvidas sobre as propostas de governo de quem irá assumir.
-Mas independente disso já temos pesquisas que apontam uma melhora da estabilidade econômica. Preferimos acreditar que qualquer um dos candidatos realmente tenha o compromisso de tirar o Brasil dessa estagnação, reduzindo impostos, atraindo mais empresas e principalmente gerando mais empregos – salientou o presidente.
O presidente da CDL de Barra Mansa, Xisto Neto, também ressaltou que o ano de 2018 já apresentou sinais de melhora, principalmente no setor de serviços. Conforme ele compara, números de uma pesquisa da Fecomércio RJ, dados do IBGE sobre consumo mostram que um dos segmentos que mais reflete a renda do consumidor, o de supermercados, produtos alimentícios e bebidas, teve crescimento em relação a 2017, até maio, mesmo considerando os impactos provocados pela crise dos caminhoneiros no comércio.
-Além disso, a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) cresceu 14,2% em julho no Estado do Rio, de 2017 para 2018, o que indica um cenário mais favorável daqui pra frente – finalizou Xisto.

Mulheres têm mais dívidas

Na pesquisa divulgada pelo SPC/Brasil e a CNDL, ficou constatado que a maior parte dos inadimplentes são mulheres, com média de 36 anos e com renda familiar de até cinco salários mínimos. A Soma de todas as pendências ultrapassa R$ 2.600 entre as que têm esperança de sair da lista de devedores, 37% vão propor acordo com credor. A empresária Gabriela Cândido Cruz Schoeair, que tem duas lojas de roupas, calçados e acessórios femininos, sendo uma em Volta Redonda e outra em Barra Mansa, faz parte dos lojistas que trabalham com crediário próprio e que enfrentam problemas com o aumento da inadimplência, nos últimos meses.
De acordo com ela, hoje em Volta Redonda 40% das vendas da loja são feitas através do crediário e, em Barra mansa, esses numeres chegam a 25%, no entanto, conforme explica, sua prioridade sãoos negócios à vista e no cartão de crédito.
-Hoje a venda pelo crediário não é mais oferecida, embora façamos, e está muito restringida a clientes mais antigos que, mesmo assim, estão em situação de inadimplência. Não faço propaganda que a loja tem crediário próprio porque, nos últimos meses, não estou conseguindo receber. Tenho que ficar em cima das clientes e acabo aceitando o abatimento da dívida de acordo com as condições de cada uma – explicou a empresária, ao ressaltar que em determinados casos a cobrança é feita semanalmente pela loja.
Para facilitar a vida das clientes e aumentar a chance de receber, Gabriela explica que, além de descontos, ainda retira juros para facilitar o pagamento. Ela também aposta no 13º como uma opção e um bom período para quem deseja quitar débitos e destaca que esse é momento do comércio aproveitar para recuperar o consumidor nessas condições. “Se a gente não facilitar para eles nos pagarem, nesse tempo de crise, ficamos sem receber nada e sem ter esse cliente de volta às compras”, disse a empresária.
A auxiliar de cozinha, Mariza Dias da Silva, de 44 anos, já fez a consulta no SPC sobre as lojas onde está em débito e, no próximo mês, começa a pagar as parcelas que negociou. Segundo ela, tentar recuperar seu crédito é a principal meta até a chegada do fim de ano. “Essa é a segunda vez que meu nome entra para o SPC e é muito ruim não poder comprar nada, a não ser no dinheiro, já que não tenho cartão de crédito. Final de ano quero comprar presentes para meus filhos, para a minha neta, e o meu nome precisa estar limpo até lá”, disse a auxiliar.

 


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